Este ano de 2017 agoniza miseravelmente, cobrindo o planeta com uma sombra prejudicial, uma ameaça imprevisível, uma condenação ao medo e a insegurança.

Donald Trump já não causa surpresas com suas decisões contraditórias e absurdas. Seus próprios seguidores percebem que ele não escuta ninguém, que ele se comporta como o mestre do país e do planeta, convencido de ser um gênio e que ele é o melhor presidente de todos os tempos. Ele decide sem medir as consequências, indiferente ao caos que ele pode provocar, como sua recente decisão de reconhecer unilateralmente Jerusalém como a capital do Estado de Israel, causando uma reação global de rejeição e mal-entendidos. Qualquer morte na terra palestina e de Israel será o resultado de sua responsabilidade.

A sua atitude infantil e irracional em relação à Coréia do Norte, em relação aos países árabes e ao Islão, à Venezuela e à América Latina em geral, está isolando cada vez mais os Estados Unidos, ao colocar o país além de países civilizados, demonstrando sua total incapacidade de governar, tomar decisões que afetam a segurança de todo o planeta, provocando uma sensação de insegurança global e despertando o terror de uma guerra nuclear.

A Europa e outros aliados dos Estados Unidos estão começando a perceber que não podem mais contar com o poderoso aliado norte-americano. Obcecado por sua “America First”, Trump conseguiu afastar os Estados Unidos de praticamente todos os tratados universais, como os da ecologia e da proteção do planeta, a UNICEF e outras agências das Nações Unidas. Trump se retira, consolidando uma política de isolamento e indiferença aos problemas globais, priorizando a economia dos EUA a qualquer preço. Da mesma forma, contra a corrente do resto do planeta, protege e subsidia a produção de combustíveis fósseis, como o carvão e o petróleo, negando, para sua conveniência, a existência de desastres ecológicos que já começaram e que, se medidas extremas não forem tomadas, serão irreversíveis.

Numa época em que o mundo atravessa uma área de turbulência aguda, com a retomada do liberalismo extremo na América Latina, com o aumento da corrupção, métodos judiciais tendenciosos com juízes que não mais escondem suas intenções de proteger a classe política corrupta, principalmente no Brasil, onde as condenações, tornaram-se um circo, precipitando a população em um descrédito total da classe política e um sentimento de profunda ansiedade sobre o futuro.

Gilmar Mendez, Ministro do Supremo Tribunal Federal, é um claro exemplo do descrédito no Brasil.

Um magistrado que, com um cinismo absurdo, protege seus cúmplices e uma classe política imoral e criminal, indo ao extremo de liberar da prisão, três vezes, em contradição com as decisões de seus próprios colegas, dois empresários que possuem empresas de transporte público, e estão prometidos a longos anos de prisão por corrupção ativa no Rio de Janeiro.

O colapso do Brasil, como um poder econômico e político no continente, reflete o fracasso de uma certa concepção da democracia, principalmente a democracia partidária, que se tornou uma máquina, na América Latina, para perpetuar a oligarquia e a classes dominantes, usando todos os tipos de justificativas para enganar as pessoas e falsificar os resultados, como está acontecendo hoje em Honduras. Há precedentes, como o golpe parlamentar no Paraguai e no Brasil, o surgimento de Macri na Argentina e o perigo do retorno de Piñera no Chile. Sem mencionar a infiltração do narcotrafico nas entranhas da política mexicana.

É hora de começar uma reflexão profunda sobre o significado da democracia participativa , para que ela não se volte contra os cidadãos. Sobre o significado do papel e organização dos partidos políticos, possíveis alternativas a um sistema que demonstrou inúmeras vezes seu fracasso. Não é possível que a democracia seja o instrumento das classes privilegiadas, aumentando cada vez mais seus privilégios e sujeitando a sociedade às suas políticas desumanas e antisociais, que só trazem miséria e dor.

É necessário ter uma discussão profunda sobre o sistema de representação popular, protegendo-o da corrupção e da luta de interesses. Impedir que os partidos se tornem em cooperativas de dinheiro criminoso e os políticos, eleitos pelas pessoas, que trabalhem em seu próprio nome e para o enriquecimento pessoal.

Devemos pôr fim ao mito de que o político é autoridade  e educar as pessoas no sentido de que o político é um funcionário público e não merece nenhum privilégio.

A política é a forma que a sociedade tem de se organizar, o fórum é uma maneira pela qual a população pode expressar suas demandas. É por isso que existe uma necessidade absoluta de proteger esta atividade, vital para o crescimento harmonioso da sociedade, do lado obscuro da humanidade,  que tende a corromper qualquer atividade para seu próprio benefício.

O mundo já não suporta tanta violência, tanta desigualdade, tanto sofrimento humano, enquanto uma minoria goza de uma vida irreal em comparação com a situação da grande maioria dos seres humanos.

Espera-se que, neste novo ano de 2018, a humanidade possa derrotar o monstro que cresce cada mais. Pois já conseguiu vencer o estado islâmico, a expressão mais recente do mal absoluto, nos territórios da Síria e Iraque.

O jornal Hebdolatino deseja-lhe um novo ano de reflexão, conquistas e vitórias. As pequenas realizações pessoais dentro da ética que somadas as boas intenções de todos, realizam as revoluções reais.

Boa sorte neste novo ano, na busca do esforço coletivo, solidario e fraterno, construindo uma nova era, bem melhor e mais justa para todos.

Alfonso Vsquez Unternahrer

Traduzido do francês para o português: Miriam Rey