Sábado, 03 de maio, passeando na floresta, visualizo uma fila quilométrica em frenta à piscina de Vernet que se estendia quase à Jonction. Vejo o pessoal dos Médicos sem fronteiras organizando a multidão, mais de 2000 pessoas. O meu pensamento tornou-se realista, a crise está atingindo os países ricos.( photo:Miriam Rey)

Falo com um dos voluntários, e, ele me explica que estavam distribuindo cestas básicas e atendimento médico para os desfavorecidos. O meu pensamento confirma a penúria.

Quem são essas pessoas que vivem em Genebra e que, diante do isolamento social e da falta de trabalho, não tem o básico indispensável para colocar nas mesas das suas famílias.

A grande maioria dessas pessoas não têm documentos de residência e que participam do mundo do trabalho sem nenhuma proteção, por não declararem as suas rendas, pois, realizam trabalhos informais, tais como, faxineiros, babá e outros, imigrantes ilegais e também aqueles que, têm permis de trabalho, mas, que se encontram em uma situação de fragilidade.

Realidade que se defronta com a pobreza. Em todo o globo a economia despencou, às dificuldades financeiras e a fome estão em alta. O mundo gira com o coronavirus e a pobreza rondando os lares.

Uma fila longa, imóvel e silenciosa se formou à beira do rio Arve, em Genebra. Às 9h da manhã de sábado, milhares de pessoas aguardavam o início da distribuição de alimentos organizada em Vernets, pela associação Caravane de Solidarité, Medicin Sans Frontières, CAMSCO e Hôpital Universitaire de Genève (HUG).

A crise do coronavírus mergulha milhares de pessoas na miséria e lança uma luz dura sobre a precariedade social dos trabalhadores sem estatuto. Mas também revela a tremenda onda de solidariedade de pessoas e voluntários anônimos que se reúnem para dar e ajudar. No sábado, 1.370 sacos de alimentos básicos foram distribuídos.

Receberam alimentos para as necessidades básicas: arroz, macarrão, molho de tomate, sardinha e atum, além de um kit de higiene. Tudo por um valor de 20 francos. Pessoas com crianças também saem com fraldas, lenços e biscoitos. É pouco, mas ajuda para quem não tem nada.

Além da ajuda alimentar, uma estrutura criada pelo HUG e MSF,  oferece para testes gratuitos para aqueles que apresentam sintomas do Covid-19; AIDS Group Geneva rastreia o HIV,  e os serviços sociais da cidade registram aqueles que podem se beneficiar de vales semanais no valor de 50 francos, na Associação Colis du Coeur.

Esther Alder, consultora administrativa responsável pelo Departamento de Coesão Social e Solidariedade, declarou: “O Estado deve assumir o controle, porque é inaceitável que aqueles que trabalham na economia paralela e contribuem para a riqueza da cidade, sejam reduzidos a depender de pacotes de macarrão para sobreviver “.

Deste lado do mundo também estamos enfrentando, a dor das perdas e a dor da fome.

Aplausos, ações solidárias enriquecem o TODO, ajudando na evolução do ser.

Por Miriam Rey