O Brasil é rico em lendas, hoje vou contar uma história famosa, símbolo do folclore brasileiro: a história do pássaro João de Barro, conhecido em todo o nosso país.

De fato, este pássaro é muito real e vive nas grandes e pequenas cidades. O nome João de Barro deriva da capacidade de lidar com argila.

Antes de começar nossa história, explicarei o percurso de vida do personagem principal, um verdadeiro construtor de casas. Os arquitetos ficam surpresos com a capacidade de João de Barro de construir sua casa com perfeição.

Feita de  argila misturada com estrume, palha e pequenos galhos, o macho e a fêmea trabalham juntos por 18 dias para construir o ninho. Em média, a casa mede 30 cm de diâmetro e 5 cm de espessura.

O casal prefere locais de nidificação abertos, como árvores isoladas e postes elétricos. A casa é separada em duas partes por uma divisória: a entrada, permite que o pássaro entre sem se abaixar e sempre orientada para o norte, impedindo o vento de penetrar dentro do ninho ; a segunda parte da construção é o quarto dos amorosos.

Outro ponto incrível, é o seu canto: alto como uma risada, sua vocalização tem uma sequência rítmica estendida como uma música festiva, subindo e descendo, e cantada pelo casal nas horas mais quentes e claras do dia.

O pássaro mede aproximadamente 19 cm. Na parte superior do corpo, o João de Barro tem uma cor ferrugem e na parte inferior, uma coloração marrom clara e a cauda possui uma tonalidade avermelhada.

Presente na Argentina, Brasil, Paraguai e Bolívia, o João de Barro se alimenta de insetos, larvas, aranhas, borboletas, moluscos e, às vezes, sementes. A fêmea põe de três a quatro ovos a partir de setembro. A gestação dura entre 14 a 18 dias. Os filhotes são alimentados de 23 a 26 dias pelos pais e, finalmente, estão prontos para voar.

Diz a lenda que em uma tribo no sul do Brasil, o jovem Jaebé se apaixonou por uma garota de grande beleza e inteligência. Louco por ela, o jovem pediu a mão de sua namorada.

O pai da bela jovem, era o chefe da tribo e um verdadeiro guerreiro muito protetor de sua filha. Ele pediu a Jaebé que provasse sua força como guerreiro para poder se casar com a sua querida predileta. O jovem Jaebé, respondeu rapidamente: “Todas as provas do meu amor”. O pai da garota gostou da resposta, mas achou o jovem ousado e arrogante. O velho chefe lembrou a Jaebé, que o último pretendente prometeu jejuar por cinco dias, mas este morreu no quarto dia.

Jaebé sorriu e disse sem hesitar: “Vou jejuar por nove dias e não vou morrer”. A tribo ficou impressionada com a resposta e a coragem do garoto.

Uma vez lançado o desafio, Jaebé se viu envolto em um grosso couro de anta e colocado sob vigilância para não ser alimentado. A menina chorou e rezou pedindo à Deusa Lua, para mantê-lo vivo.

O tempo passou e em uma manhã de sol, a filha perguntou ao pai: “Faz cinco dias,  meu pai. Não o deixe morrer “, mas o pai não ouviu dessa maneira, respondendo: “Ele é arrogante, ele fala sobre as forças do amor, muito bem! Vamos ver o que vai acontecer nos próximos dias ”.

Na última noite do desafio, o pai disse: “Vamos ver o que resta do arrogante Jaebé”.

Abrindo o couro que envolvia o jovem, este saltou um pouco, seus olhos piscaram, seu sorriso tinha uma luz mágica e as pessoas da tribo não acreditaram em seus olhos, quando Jaebé começou a cantar ao ver a sua amada, sua pele cheirava a amêndoas e todos, inclusive o velho chefe autoritário, ficaram surpresos.

Todos ficaram maravilhados, quando Jabé começou a cantar a sua música alegre e alta, enquanto seu corpo gradualmente se transformava em uma figura graciosa: Jaebé se metamorfosou em um pássaro.

Acredita-se que Tupã (Deus dos índios) sensibilizado pelo grande amor, transformou o jovem em um pássaro. Ao mesmo tempo, o entusiasmo da tribo atingiu sua apoteose e a lua conhecida como Deusa Jaci, com seus raios de prata, transformou a jovem garota bonita na companheira pássaro, de João de Barro.

Os dois amantes começaram a cantar juntos e fugiram até desaparecerem na floresta.

Esta história transmitida pelos Guaranis, contada e preservada até hoje, refere-se a uma relação de amor tão grande que, conseguiu vencer a morte.

Jaebé e sua amada foram capazes de viver seu grande amor, mesmo após a morte. Eles foram reencarnados como dois pássaros livres.

 

Miriam Rey Bernardes