A nova mutação do virus intriga os cientistas. A Fiocruz explica a importância do sequenciamento genético para conter a pandemia.

Depois do Japão identificar uma nova cepa da Covid-19, em viajantes que estiveram no Amazonas e que a mesma mutação é responsável pelo primeiro caso de reinfecção neste país.

Os pesquisadores da Fiocruz Amazônia, em Manaus que fizeram o sequenciamento genético coletado no paciente brasileiro, após a comparação com o resultado do teste feito na primeira vaga da pandemia na mesma pessoa, chegaram a conclusão que a nova mutação do vírus era responsável pela reinfecção. Com hospitais em colapso, cemitérios hiper lotados e falta de oxigênio, o Amazonas registrou mais de 5800 mortes até a última quarta-feira.

Diante das incertezas da nova mutação, o estado vizinho, Pará, proibiu os barcos vindos do Amazonas e o Reino Unido proibiu voos vindos do Brasil.

Segundo, os cientistas, a nova cepa tem mutações em regiões muito importantes do virus. É uma região chamada de 484 e 501 da proteína Skipe (em forma de coroa).

A mutação acontece devido a replica de milhões de vezes dentro do corpo humano. Os erros nesse replicação acontecem. Quando esse processo acontece em milhões de pessoas ao mesmo tempo, as chance aumentam exponencialmente, quanto mais pessoas infectadas mais o vírus evolui.

Tudo indica que se trata de um fenômeno chamado de convergência evolutiva, e que, a linhagem africana ou inglesa, podem ter se desenvolvido independentemente, e não relacionadas com a mutação no Amazonas.

A hipótese é que a mutação pode ser fruto das infecções crescentes de pessoas  imunossuprimidas, como, HIV, tratamento de câncer. Quando o sistema imunitário não consegue combater a infecção, o corpo acumula mais ciclos de replicação do vírus, o que dá a ele mais chance de mutar.

Estas mutações poderiam ser um obstáculo na eficácia das vacinas, se for identificado uma variante que não esteja prevista pela ciência, o que acontece em outras situações, a vacina terá que ser modificada para conter a pandemia.

Porém, se conseguirmos barrar a circulação do vírus, provavelmente as chances de contaminações e mortes serão reduzidas.

Ainda não passou, máscaras, distância social e evitar aglomerações é o único meio, por enquanto, para sobrevivermos.

Por Miriam Rey