O que temos escutado e visto em imagens pelas mídias que, talvez só retratem uma parte da história real, é uma amostra de que toda forma de violência é contra os direitos humanos. Porém, o mundo ocidental faz vista grossa para os conflitos nessa região, amenizando as causas entre a luta Israel-Palestina,

Todos vimos nos últimos dias, o massacre de civis inocentes, trazendo à tona uma recente escalada de violência entre Israel e Hamas, que controla a faixa de Gaza, um conflito que se arrasta por décadas, misturando política e religião.

O poder armamentista e financeiro de Israel é surpreendente, uma guerra desigual, enquanto os palestinos jogam roquetes feitos artesanalmente, os israelenses usam armamentos pesados e sofisticados, massacrando a população palestiniana. É como roubar doce de uma criança, lutar contra um bebê. Enquanto isso, crianças, mulheres, homens acabam as suas vidas, antes do tempo e de uma maneira sangrenta e desumana, os números de mortos são desiguais entre os dois lados.

O que disparou o gatilho nas últimas semanas, não é o verdadeiro motivo, mas, o motivo superficial para continuar a ocupação de territórios pela parte de Israel, onde os palestinianos vivem. A violência teve origem nas ameaças de despejo de famílias palestinas, do bairro Sheikh Jarrah, que se situa fora dos muros da cidade vellha de Jerusalém.

Tribunais israelenses tinham dado ganho de causa aos grupos de colonos israelenses que reinvidicavam a área onde viviam as famílias palestinianas, mas, essa é mais que uma disputa pelo um punhado de casas. Vai muito mais além.

Há décadas israelenses têm ocupado áreas habitadas por palestinianos por meio de assentamentos, tanto em Jerusalém Oriental quanto na Cisjordânia. São mais de 432 mil colonos israelenses distribuidos em 132 assentamentos. Essas colonias são consideradas ilegais pela lei internacional. O Conselho de Segurança da ONU reafirmou que elas são uma violação flagrante da legislação internacional, em pelo menos 6 ocasiões desde 1979. Porém a comunidade internacional faz ouvido surdo.

O que diz Israel ? Que se trata de uma estratégia de defesa de sua integridade e não uma tentativa de tomada da soberania palestiniana.

Um pouco de história sempre é necessário para tomarmos posição e refletirmos sobre os fatos.

A Palestina está localizada entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, no Oriente Médio e até o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, estava sob o domínio do Império Otomano.

A região foi ocupada 2 mil anos a.C. por povos amoritas, cananeus e fenícios, sendo denominada como Terra de Canaã. A chegada de hebreus de origem semita ocorreu entre 1,8 mil a 1,5 mil a.C.

Terra de Canaã

A invasão romana sob a liderança de Pompeu ocorreu em 64 a.C.

O domínio romano perdurou até 634 d.C. quando a conquista árabe marca o início de 13 séculos de permanência muçulmana na Palestina.

Após investidas da França, sob o comando de Napoleão Bonaparte (1769-1821), a Palestina passa ao domínio do Egito e a revolta árabe se inicia em 1834.

Somente em 1840, o tratado de Londres encerra o domínio egípciano na região e em 1880 começam as manifestações de autonomia árabe.

Em 1917, a Palestina é submetida ao mandato britânico. O comando inglês dura até fevereiro de 1947, quando a Inglaterra renuncia ao mandato sobre a Palestina e entrega a maior parte do equipamento bélico aos grupos sionistas. Calcula-se que em 1946, a Palestina era habitada por cerca de 1,2 milhão de árabes e 608 mil judeus.

No fim do conflito, os judeus iniciaram uma série de movimentos migratórios em uma tentativa de encontrar um novo lar após as perseguições ocorridas na Europa. Assim, a área passou a ser dominada por judeus a partir do fim da Segunda Guerra Mundial.

Para esse povo, a região é denominada “Terra Santa” e “Terra Prometida”, mas o conceito de lugar sagrado é partilhado também pelos muçulmanos e cristãos.

As causas para o conflito são remotas e se tivermos que colocar uma data, certamente seria a expulsão dos judeus pelos romanos no ano 70 d.C., quando  tiveram que se deslocar para o norte da África e a Europa.

No século XIX, porém, na onda dos nacionalismo que surgia na Europa, alguns judeus se congregaram em torno das ideias sionistas do húngaro Theodor Herzl (1860-1904). Este defendia que o lar para os judeus deveria ser em “Sião” ou a terra de Israel, a Palestina e, finalmente, os judeus teriam um lar como os outros povos.

Projeto sionista do Grande Israel

Ao término da Segunda Guerra Mundial (1945), os judeus sionistas passaram a pressionar a criação do Estado Judeu.

Em 14 de maio de 1948 foi fundado Israel, após a retirada dos ingleses. No dia seguinte, Egito, Síria, Jordânia e Iraque invadem Israel e deflagram a Guerra da Independência, que foi chamada de Nakba ou “catástrofe” pelos árabes.

A guerra terminou em 1949 e teve como resultado a expulsão de 750 mil palestinos que passaram a viver como refugiados em movimento conhecido como “êxodo de Nakba”.

Como resultado da expulsão dos palestinos, Israel aumentou o território em 50%. A extensão de terras foi indicada pela ONU e ocupam 78% da área destinada à Palestina.

Sou radicalmente contra toda violência sangrenta ou não. Não existem argumentos suficientes para continuarmos a fazer a guerra, nem a produção e venda da indústria bélica internacional, que gera e movimenta trilhares de doláres anualmente, nem a disputa pela « Terra Santa » ou « Terra Prometida », que não passam de desculpas esfarrapadas envolvendo interresses econômicos, ganhos de territórios e poder…

É pois é… Como nas guerras dos Vikings.

Por Miriam Rey