Vivemos em um mundo no qual a palavra é uma arma de guerra, um artefato de destruição massiva.

Os noticiários estão cheios de declarações, como as de Bibi Netanyahu contra o acordo com o Irã. Palavras perigosas que nem sempre refletem a verdade. Palavras que já causaram milhares de mortes e que não procuram resolver nada.

Palavras dos republicanos estadunidenses que sempre estarão contra tudo o que possa dizer ou fazer Obama. Em um festim da má vontade e do extremismo político, bem parecido com seus primos franceses, os republicanos, que se posicionarão sempre e contra tudo o que diga e faça o adversário, mesmo que este se encontre em seu próprio campo.

Palavras plenas de ódio cego de Daesh, que não se dá conta de que o mundo nunca será completamente sunita, e que a população mundial não se inclinará em uníssono para adorar ao califa. À exceção de alguns fanáticos, perdidos, marginais, frutos de uma sociedade neoliberal criadora de monstros, ninguém os leva a sério, ao contrário, só sabem criar o horror e o desprezo do resto da humanidade.

Palavras de intransigência, palavras de pedra, palavras humilhantes daqueles que consideran que as regras são mais importantes que as vidas humanas e que pensam que os compromissos são de pedra.

A Grécia, o berço da nossa civilização, é tratada como o irmão caçula e doente mental que precisa ser mantido sob tutela. E assim será com todos os que se atreverem a enfrentar os todo-poderosos princípios da União? De que União se trata?

Flexibilidade, solidaridade, fraternidade não existem…. Os fundamentos da Europa?

Palavras…

Mais palavras

Palavras dos economistas, das multinacionais, do mundo financeiro que nos querem vender um universo de consumo, conforto e prosperidade.

E os Maduros que falam com os espíritos, as Bachelets que não conseguem silenciar as palavras do ditador gravadas com aço na constituição e não permitem ao país de avançar. As Dilma Rousseff que quanto mais fala menos apoio tem; os Enrique Peña Nieto que afoga as palavras em um oceano de sangue, onde corrupção e cocaína parecem não ter nenhum limite.

Assim como disse meu amigo e colega Eduardo Camin em seu artigo “Tradição e o futuro”: “As deficiências não aparecem na ideologia, mas em seu exercício.”

E nesse mar de palavras que só trazem dor e sofrimento, começamos a escutar palavras novas ditas há séculos e repetidas à exaustão, mas que encontraram um novo porta-voz. Palavras sensatas, cheias de verdade, ecumênicas, portadoras de esperança. Esse planeta é nossa casa, devemos cuidá-la porque destruí-la é destruir a humanidade. É nossa casa onde todos vivemos e devemos viver da melhor forma possível, com justiça e humanidade.

É tão simples. Francisco não é somente o Papa dos pobres, nem dos cristãos. É um homem que fala para toda a humanidade, sejam muçulmanos, cristãos, budistas ou que forem…

Suas palavras são verdadeiras, simples, e nos falam com singeleza, fraternidade e comunhão.

Tirando os conflitos internos da Igreja, a manipulação humana da doutrina, as lutas entre teologias conservadoras ou progressistas, Francisco tem uma palavra universal.

Claro que sempre haverá aqueles que usarão suas palavras cheias de veneno e consternação para tentar destruir o que esse homem diz, mas não será fácil, porque o que ele diz todo mundo quer escutar. E não somente diz como une o ato e a palavra e dessa forma temos uma nova esperança, fora da política, fora da religião…

Ele é tão-somente um homem que diz a verdade que a humanidade tem a obrigação de escutar se quiser deixar um mundo menos horrível para as futuras gerações.

Francisco é a palavra da humanidade, é a palavra viva daqueles que aspiram à paz.

Alfonso Vásquez Unternahrer

Tradução: Ana Paula Candelária