Carlos Drummond de Andrade (1902–1987). Foi um dos maiores poetas brasileiros do século XX. “No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho”. Este é um trecho de uma das poesias de Drummond, que marcou o 2º Tempo do Modernismo no Brasil.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira de Mato Dentro, interior de Minas Gerais, no dia 31 de outubro de 1902. Era filho dos proprietários rurais, Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade.

Em 1921, começou a publicar artigos no Diário de Minas. Em 1922, ganhou um prêmio de 50 mil réis, no “Concurso da Novela Mineira”, com o conto Joaquim do Telha.

Em 1928, Drummond publicou o poema No Meio do Caminho, na “Revista de Antropofagia” de São Paulo, provocando um escândalo, com a crítica da imprensa.

Diziam que aquilo não era poesia e sim uma provocação, pela repetição do poema. Como também pelo uso de “tinha uma pedra” em lugar de “havia uma pedra”

 No meio do caminho tinha uma pedra

 tinha uma pedra no meio do caminho

 tinha uma pedra

  no meio do caminho tinha uma pedra.

  Nunca me esqueci desse acontecimento

  na vida de minhas retinas tão fatigadas.

  nunca me esquecerei que no meio do caminho.

  tinha uma pedra

  tinha uma pedra no meio do caminho

   no meio do caminho tinha uma pedra.

  Ainda em 1930 publica o volume “Alguma Poesia”, abrindo o livro com o “Poema de Sete Faces”

  O homem atrás do bigode

   É sério, simples e forte.

   Quase não conversa.

   Tem poucos, raros amigos

   O homem atrás dos óculos e do bigode.

   Meu Deus porque me abandonaste,

   Se sabias que eu não era Deus

   Se sabias que eu era fraco.

    Mundo mundo vasto mundo,

    se eu me chamasse Raimundo,

    Seria uma rima, não seria uma solução.

    Mundo mundo vasto mundo,

    Mais vasto é meu coração.

    Eu não devia dizer,

    Mas essa lua

    Mas esse conhaque

    Botam agente comovido como o diabo.

    Também fazem parte do livro, os poemas: No Meio do Caminho, Cidadezinha Qualquer e        Quadrilha.

   Em 1934, Drummond muda-se para o Rio de Janeiro e assume a chefia de gabinete do Ministério da Educação e Saúde, do ministro Gustavo Capanema. Em 1945, Drummond deixa o gabinete do Ministério. Nesse mesmo ano, publica o livro de poemas, A Rosa do Povo onde condena a vida mecanizada e desumana de nossos dias e espelha uma carência de um mundo certo, pautado na justiça, que venha substituir a falta de solidariedade de seu momento.

A poesia de caráter social assume nova dimensão, e seus temas preferidos são: a angústia dos seres escravos do progresso, o medo, o tédio e a solidão do homem moderno.

Características da Obra de Drummond

Poeta da Segunda Geração Modernista, a maior figura da “Geração de 30”, embora tenha escrito ótimos contos e crônicas, Carlos Drummond se destacou como poeta.

Drummond produziu uma poesia de questionamento em torno da existência humana, do sentimento de estar no mundo, da inquietação social, religiosa, filosófica e amorosa.

Seu estilo poético é permeado por traços de ironia, observações do cotidiano, de pessimismo diante da vida e de humor. Drummond fazia verdadeiros “retratos existenciais” e os transformava em poemas com incrível maestria. Foi também tradutor de autores como Balzac, Federico Garcia Lorca e Molière.

Em 1962 se aposenta do serviço público, mas sua produção poética não para. Escreve também crônicas para jornais do Rio de Janeiro. Em 1967, para comemorar os 40 anos do poema No Meio do Caminho, Drummond reuniu extenso material publicado sobre ele, no volume Uma Pedra no Meio do Caminho – Biografia de um Poeta.

A riqueza de sua obra foi descoberta por artistas do cinema. Argumentos de filmes foram tirados de seus poemas, como O Padre e a Moça de Joaquim Pedro de Andrade.

A música popular brasileira adaptou vários de seus versos para a melodia, como o poema José, gravado por Paulo Diniz. Os versos de Sonho de um Sonho foram tema-enredo de escola de samba, adaptados por Martinho da Vila.

Carlos Drummond de Andrade faleceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1987, doze dias depois do falecimento de sua filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade.

Frases de Carlos Drummond

“Os homens distinguem-se pelo que fazem, as mulheres pelo que levam os homens a fazer”.

 “A amizade é um meio nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas.”

  “Só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo.”

  “Como as plantas, a amizade não deve ser muito nem pouco regada.”

   “Não é fácil ter paciência diante dos que a têm em excesso.”

Poesias

   Alguma Poesia (1930)

    Brejo das Almas (1934)

    Sentimento do Mundo (1940)

    Poesias (1942)

    A Rosa do Povo (1945)

    Poesia até Agora (1948)

    Claro Enigma (1951)

    Viola de Bolso (1952)

    Fazendeiro do Ar & Poesia Até Agora (1953)

    Poemas (1959)

    A Vida Passada a Limpo (1959)

    Lições de Coisas (1962)

    Boitempo (1968)

    Menino Antigo (1973)

    As Impurezas do Branco (1973)

    Discurso da Primavera e Outras Sombras (1978)

    O Corpo (1984)

    Amar se Aprende Amando (1985)

Prosas

Confissões de Minas (1942)

   Contos de Aprendiz (1951)

    Passeios na Ilha (1952)

    Cadeira de Balanço (1970)

    Moça Deitada na Grama (1987)

Aplausos, Carlos Drummond de Andrade