Após ser ameaçada pela Uefa (União das Federações Europeias de Futebol) de expulsão da Eurocopa 2016, a FA (Associação de Futebol da Inglaterra) implorou aos torcedores ingleses que se comportem bem no restante do torneio, sem se envolver em mais brigas como as que foram vistas em Marselha, nos últimos dias, antes e depois da partida contra a Rússia, válida pela primeira rodada do grupo B.

«Nós recebemos a mensagem da Uefa com extrema seriedade. Entendemos as consequências que os atos de nossos torcedores têm e entendemos que todo esforço precisa ser feito por parte da FA para que eles ajam de maneira responsável e respeitosa», disse o chefe da FA, Martin Glenn, em comunicado.
O pedido foi reforçado pelos principais tabloides britânicos. «Comportem-se, ou seremos expulsos», advertiu o Daily Mirror. «COMPORTEM-SE!», gragou o Daily Star, em letras garrafais, em sua capa, antes de reclamar que a culpa é, na verdade, dos russos: «Os russos nos atacam, mas nós é que somos advertidos».
A Uefa, na verdade, só abriu procedimento disciplinar contra a Rússia até agora, poupando a Inglaterra pela briga que aconteceu após o apito final do empate por 1 a 1 no estádio Vélodrome, no último sábado. Para o chefe da FA, é melhor que siga assim.
«As cenas violentas que foram vistas em Marselha não têm lugar no futebol e na sociedade como um todo. Queremos que as pessoas, tanto torcedores quanto os locais, se sintam seguros e aproveitem a atmosfera da Euro. Continuaremos a trabalhar com as autoridades para que isso aconteça», ressaltou Glenn.
O jornal The Times, o dirigente ainda disse que a ameaça de exclusão da Euro é «extremamente séria» e se disse espantado com as cenas de hooliganismo que têm sido vistas na competição de seleções.
«Eu não via violência dentro de estádios como ontem há décadas», lamentou.
Uefa alerta: em caso de novas brigas, Rússia e Inglaterra podem ser excluídas da Euro
A Uefa (União das Federações Europeias de Futebol) alertou neste domingo, por meio de comunicado, que caso seus torcedores se envolvam novamente em brigas dentro dos estádios, as seleções de Inglaterra e Rússia podem ser excluídas da Eurocopa 2016.
«O Comitê Executivo da Uefa alertou as duas federações que, independentemente das decisões disciplinares que serão tomadas sobre os incidentes dentro do estádio, não irá hesitar em impôr novas sanções à FA (Associação de Futebol da Inglaterra) e à RFU (União de Futebol da Rússia), incluindo a desqualificação dos respectivos times do torneio, caso a violência volte a ocorrer», escreveu a entidade.

«Pedemos tanto à FA quanto à RFU que peçam aos seus torcedores para que se comportem de maneira responsável e respeitosa», completou a organização, que também elogiou o trabalho da polícia francesa para conter os hooligans em Marselha.
A Uefa abriu, também neste domingo, procedimento disciplinar contra a seleção da Rússia após os ocorridos antes e depois do empate por 1 a 1 com a Inglaterra, no último sábado, pela primeira rodada do grupo B da Euro-2016.
De acordo com comunicado, a equipe terá que responder pelos problemas causados por seus torcedores, como as brigas dentro das arquibancadas do estádio Vélodrome, em Marselha, após o apito final, e também os sinalizadores e rojões acendidos pelos fãs russos durante a partida contra os britânico.
A organização ainda afirmou que acusações de racismo também serão investigadas.
«A Uefa expressa seu total repúdio aos conflitos violentos que aconteceram em Marselha, e se mostra muito preocupada com os eventos ocorridos no interior do estádio, como brigas entre torcedores, sinalizadores e rojões», diz a entidade.
«Esse comportamento é totalmente inaceitável e não tem lugar no futebol. Procedimentos disciplinares foram abertos contra a Rússia. A Uefa também entende que houve problemas de segregação no estádio, e irá implementar medidas corretivas para melhorar a distribuição do pessoal de segurança», acrescentou.
Mulher de Vardy relata momentos de terror em estádio; ministro russo nega violência
As cenas de violência vistas antes e depois do empate por 1 a 1 entre Inglaterra e Rússia, no último sábado, pela 1ª rodada do grupo B da Eurocopa 2016, revoltaram Rebekah Vardy, esposa do atacante Jamie Vardy, do English Team.
Em sua conta no Twitter, ela relatou os problemas que passou em Marselha, e descreveu os momentos de pavor durante as brigas que aconteceram perto do estádio Vélodrome antes do início da partida.

«Essa foi minha pior experiência de todos os tempos em um jogo fora de casa. Nos atiraram gás lacrimogêneo sem necessidade alguma, e ficamos enjaulados como animais. Chocante!», disparou.
«Vi tudo isso com meus próprios olhos. Eu não poderia comentar coisas que não vi, mas tudo o que vi foi horrível e totalmente desnecessário. E olha que tudo isso ocorreu antes da bola rolar!», completou.
Nos últimos dias, Marselha viveu verdadeiro clima de «guerra», com brigas violentas e diárias entre torcedores ingleses e russos, além de ultras franceses. Diversas pessoas foram presas, e um homem inglês está em estado grave no hospital.
Após o duelo, torcedores também brigaram nas arquibancadas do Vélodrome, dando sequência às cenas lamentáveis, que seguiram pela madrugada na cidade.

Para os russos, porém, nada disso aconteceu. Segundo declarou o ministro do Esporte, Vitaly Mutko, as notícas não passam de invenção, mesmo com milhares de fotos e vídeos dos conflitos tanto no estádio quando nas ruas de Marselha.
«Não houve brigas. As pessoas estão exagerando», afirmou.
«Está tudo bem. O que ocorre é que, quando a partida acabou, não havia separação entre os torcedores. Os ingleses ficaram irritados, é claro, mas tudo foi rapidamente resolvido», seguiu o ministro, acusando os britânicos de terem tentado iniciar uma briga.
«Essas partidas têm que ser organizadas da maneira correta. Tem que haver separação entre as torcidas. A única coisa a lamentar são os rojões e sinalizadores da torcida russa», completou Mutko, lembrando da regra da Uefa, que proíbe tais artefatos.
A organização da Euro-2016, aliás, anunciou na manhã deste domingo que irá investigar os incidentes (incluindo os rojões e sinalizadores) e, se necessário, abrir um procedimento disciplinar contra a seleção russa.

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