Bolsonaro chegou ao limite da tolerância pelo Estado democrático de direito. Tendo a certeza que perde as próximas eleições ele partiu para “o pior ou nada”. Não tendo nada a perder, extrapola nas falsas declarações, nos insultos e as provocações porque ele sabe que a última possibilidade que ele tem é criar o caos social e político para forçar uma intervenção das Forças Armadas. Ele sabe que o Exército não vai intervir por si só. Grande parte das forças armadas tem se posicionado contra um golpe. As FA não compartilham a teoria de um golpe com Bolsonaro no poder.  

Mas Bolsonaro sabe que pode contar com as milicias armadas e a polícia militar, que parte de seus efetivos são fanáticos apoiadores. 

O caos e a desordem são a única solução para o clan Bolsonaro que está plenamente consciente que nunca arriscaram tanto em suas vidas. Com o fim do governo acaba também a influência nefasta do clã e a proteção da imunidade parlamentária. Dificilmente os filhos voltarão a se reeleger, fora de que perigam passar um largo período em prisão. Ou serão obrigados de ir embora. Difícil de saber que país aceitaria o clã Bolsonaro como refugiados.  

Portanto, Bolsonaro se desespera por seu futuro próximo e baba como um cachorro enraivado, o país continua afundando em uma crise desesperadora aonde tudo aumenta e que os direitos básicos de moradia, saúde, alimentação e educação não são mais garantidos pelo estado e a direita radical aproveita o caos para passar a boiada com a privatização dos Correios, a MP 1.045 que  degrada as condições de trabalho com subsídios da União, atingindo duramente o sistema de direitos trabalhistas e de acesso à justiça do trabalho ou a luta pelo voto distrital no congresso e tudo o que possa ser feito para impor antes da derrubada final um Estado mínimo ultra liberal. O seja entregar o Brasil nas mãos do mercado financeiro, o agronegócio e o setor privado, com os resultados que vemos no Chile, que está enterrando a revolução ultra liberal de Pinochet readaptando una nova constituição e acabando com a experiência que Guedes quer implantar no Brasil. 

Guedes demostrou amplamente que é incapaz de dirigir a economia, os setores financeiros e de mercado já constataram que com Bolsonaro vão em acelerado direito contra uma muralha infranqueável.  

Nesse momento a grande pergunta é o que fazer para salvar o Brasil de um desastre eminente? O Impeachment não é solução. É um processo lento que necessita de 2/3 de aprovação no Congresso,  342 votos dos 513 deputados, que não existem. A direita liberal ainda, numa cegueira absoluta, se aferra a ilusão que com Nogueira eles vão poder assumir as redes do governo. É de uma ingenuidade quase infantil. Bolsonaro vai continuar sendo Bolsonaro, quanto mais ele é acuado, criticado e denunciado, mais ele vai ficar desiquilibrado, raivoso e extremadamente perigoso. 

O único que é seguro é que é impossível prever qual vai ser a conduta de Bolsonaro daqui para frente. Ele sabe que a luta está perdida, que a base de apoio dele não passa de 20 % e diminui cada dia. A única opção que ele tem é de criar uma “narrativa” paralela, fruto de seus delírios psicóticos e apostar no fato que os fanáticos irracionais que o apoiam vão criar um caos suficiente para provocar uma intervenção das Forças Armadas, mesmo contra a vontade da maioria dos militares, em nome da salvação da pátria e para evitar que Lula, que é execrado pelos militares, chegue a presidência. 

A única esperança do povo Brasileiro em este momento é um posicionamento firme dos Tribunais de Justiça, a estrita independência dos poderes e uma reação firme da sociedade brasileira, de todos os setores que vem em Bolsonaro a próxima apocalipses.  

Alfonso Vásquez Unternahrer