A onda bolsonarista e o antipetismo provocaram reviravolta na composição do Senado pelo País e nomes favoritos acabaram ficando de fora da disputa.

O PSL, partido do presidenciável que recebeu 46% dos votos válidos no primeiro turno, passa a ter quatro senadores a partir do próximo ano: Major Olimpio, Flávio Bolsonaro, Selma Arrruda e Soraya Thronicke.

O PT ficou de fora em São Paulo, onde o senador Eduardo Suplicy liderava as pesquisas de intenção de voto. Em Minas Gerais, a surpresa foi a derrota de Dilma Roussef,também não sinalizada pelos levantamentos. No Rio de Janeiro, a não reeleição de Lindbergh Farias e no Acre a derrota de Jorge Viana também foram perdas sentidas pela legenda.

A disputa ainda deixou de fora outros políticos de renome, como o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE); o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), ex-ministro da Educação; e o deputado federal Mendonça Filho (DEM-PE), também ex-ministro da Educação.

Ao todo, 20 partidos elegeram candidatos, dois a mais do que a atual composição. O MDB foi o que mais emplacou no Senado, com 7 candidatos eleitos. Rede e PP elegeram cinco. PSL, PSDB, DEM, PSD e PT elegeram quatro senadores cada.

A bancada de partidos progressistas – PSOL, PT, PCdoB, PSB e PDT -, que chegou a ensaiar uma frente ampla no início do ano, conseguiu eleger 8 senadores, perdendo representatividade se comparado à composição anterior, com 16 integrantes. PSOL e PCdoB seguem sem representantes no Senado. Confira a distribuição pelo País.

Região Sudeste

Em São Paulo, o candidato do PT, Eduardo Suplicy, que na última pesquisa do IBOPE, divulgada no sábado 6, aparecia na liderança, perdeu a cadeira para Major Olimpio (PSL),um dos articuladores da campanha de Bolsonaro, eleito com 25,79% dos votos e Mara Gabrilli (PSDB) com 18,63%

Em Minas Gerais, a candidata Dilma Roussef (PT), que também liderava as pesquisas para o Senado, perdeu a disputa para Rodrigo Pacheco (DEM), com 20,51% dos votos válidos e Carlos Viana (PHS) com 20,26%. Ela ficou em quarto lugar na disputa.

No Rio de Janeiro, o candidato Flávio Bolsonaro (PSL), ocupa uma das cadeiras, com 31,36% dos votos válidos, juntamente com Arolde de Oliveira (PSD), com o equivalente a 17,05% dos votos válidos . Cesar Maia (DEM) ficou em terceiro na disputa. O candidato Lindbergh Farias (PT) e Chico Alencar (PSOL) não emplacaram.

No Espírito Santo, os eleitos Fabiano Contarato (Rede) com 31,15% dos votos válidos e Marcos do VAL (PPS) com 24,08% afastam a possibilidade de reeleição de Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB).

Região Norte

No Amazonas, Plinio Valerio (PSDB) e Eduardo Braga (MDB) assumem o Senado com, respectivamente, 25,44% e 18,35% dos votos válidos.

Em Roraima, Chico Rodrigues (DEM) foi eleito com 22,67% dos votos válidos, juntamente com Mecias de Jesus (PRB). O resultado afasta Romero Jucá, presidente do MDB, do Senado.

No Amapá, Randolfe (Rede), com 37,96% dos votos válidos e Lucas Barreto (PTB), com 18,38%, são os nomes que compõem o Senado.

Os nomes eleitos ao Senado no Pará são Jader Barbalho (MDB) com 19,71% dos votos válidos e Zequinha Marinho (PSC), com 19,62%.

Em Rondônia, chegam ao Senado Marcos Rogério (DEM) com 24,06% dos votos válidos e Confucio Moura (MDB), com 17,05%.

Em Tocantins, o Senado será composto por Eduardo Gomes (Solidariedade), com 19,48% dos votos válidos e Irajá Abreu (PSD), com 16,82%. Vicentinho (PR), que tentava uma reeleição, perde sua cadeira.

No Acre, Petecão (PSD), está eleito com 30,57%, e Márcio Bittar (MDB), com 23,13%.

Região Nordeste

Em Pernambuco, o candidato do PT, Humberto Costa, garantiu uma vaga no Senado, com 25,74% dos votos válidos, juntamente com Jarbas (MDB) que teve 21,49%.

Em Alagoas, chegam ao Senado Rodrigo Cunha, do PSDB, com 34,32% dos votos válidos, e Renan Calheiros, do MDB, com 23,94%.

Na Paraíba, estão eleitos Veneziano (PSB), com 24,61%, e Daniella Ribeiro (PP), com 24,27%.

No Piauí, Ciro Nogueira (PP) é eleito senador com 29,81% dos votos válidos, ao lado de Marcelo Castro (MDB), com 26,99% dos votos.

No Maranhão, Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS) foram eleitos com, respectivamente, 34,93% e 27,05% dos votos válidos.

Sergipe leva ao Senado Alessandro Vieira, da REDE, com 25,99% dos votos válidos e Rogerio Carvalho (PT), com 16,42%.

A Bahia elegeu Jacques Wagner (PT), com 35,58% dos votos válidos, e Angelo Coronel (PSD) com 32,76%.

O Rio Grande do Norte elegeu Capitão Styvenson (REDE), com 25,93% dos votos válidos, e Dr. Zenaide Maia (PHS), com 22,6%.

No Ceará, Cid Gomes (PDT) já se definia como senador com um percentual de 40,52% dos votos válidos. A outra cadeira ficou com Eduardo Girão (PROS), que teve 17% dos votos válidos. Com o resultado, Eunício Oliveira (MDB), figura ligada ao presidente Temer, fica de fora do Senado.
Região Sul

No Paraná, o resultado também divergiu das pesquisas eleitorais. O Estado elegeu Oriovisto Guimarães (Podemos) e Flávio Arns (Rede), deixando de fora Roberto Requião (MDB) que, na última pesquisa Ibope, liderava com 26% das intenções de voto e Beto Richa (PSDB).

No Rio Grande do Sul, Luiz Carlos Heinze (PP) conquista uma cadeira com 21,95% dos votos, ao lado de Paulo Paim (PT) com 17,76% do total.

Santa Catarina elegeu Esperidão Amin (PP) com 18,77% dos votos válidos e Jorginho Mello (PR) com 18,07%.

Centro Oeste

No DF, o senado será composto por Leila do Vôlei (PSB), com 17,7% dos votos válidos e Izalci (PSDB), com 15,3%. O resultado deixa de fora do senado Cristovam Buarque do PPS.

Em Goiás, os eleitos são os estreantes Vanderlan Cardoso (PP), eleito com 31,35% dos votos e Jorge Kajuru (PRP) com 28,23%. O resultado afasta a reeleição da senadora Lúcia Vânia (PSB).

Em Mato Grosso, a juíza Selma Arrruda (PSL) ocupa uma vaga no senado com 24,65% dos votos válidos, juntamente com Jayme Campos (DEM), com 17,82%

Em Mato Grosso do Sul, ocupam as vagas do Senado, Nelsinho Trad (PTB) com 18,37% dos votos válidos e Soraya Thronicke (PSL), com 16,9%.

Só uma mulher vai ao 2º turno; no Senado, 5 de 63 se elegem

Só cinco das 93 mulheres candidatas a governadoras ou senadoras no País foram eleitas neste domingo, 7, (5,37%). E apenas uma passou para o segundo turno, a pedagoga e senadora Fátima Bezerra (PT), que disputa o governo do Rio Grande do Norte. Ela teve 46,17% dos votos. Entre as cinco senadoras eleitas, estão a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB), por São Paulo, e a ex-jogadora Leila do Vôlei (PSB), pelo Distrito Federal.

A presidente cassada Dilma Rousseff (PT), que aparecia nas pesquisas como favorita ao Senado por Minas Gerais, acabou com 15,3% dos votos. Ela perdeu para Rodrigo Pacheco (DEM) e para o jornalista Carlos Viana (PHS). A ex-governadora do Maranhão por quatro vezes, Roseana Sarney (MDB), não passou para o segundo turno. O atual governador, Flávio Dino (PCdoB), se reelegeu com 59% dos votos.

No Maranhão, no entanto, Eliziane Gama (PPS) garantiu sua vaga como senadora, desbancando dois conhecidos nomes da política do Estado, Sarney Filho (PV), ex-ministro do Meio Ambiente no governo de Michel Temer, e o ex-governador Edison Lobão (MDB).

Dos 357 candidatos ao Senado, havia 63 mulheres. E entre os 200 que disputavam o cargo de governador, 30 eram mulheres.

Em São Paulo, a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB) conquistou a segunda vaga para o Senado, com 18,6% dos votos (com 98% ds urnas apuradas). O senador pelo PT Eduardo Suplicy não conseguiu se eleger, apesar de estar em primeiro lugar nas pesquisas. A outra vaga ficou com Major Olimpio, candidato apoiado por Jair Bolsonaro (PSL).

Entre as candidatas a presidente, Marina Silva (Rede) teve desempenho muito abaixo do projetado inicialmente pelas pesquisas e ficou com 1% dos votos. Marina chegou a ser a segunda colocada na disputa para a Presidência. Outra mulher candidata ao cargo, Vera Lúcia (PSTU) recebeu 0,05% dos votos válidos.

As outras duas senadoras entre as eleitas são Juíza Selma Arruma (PSL), pelo Mato Grosso, e Zenaide Maia (PHS), pelo Rio Grande do Norte. Só Selma e Leila do Vôlei tiveram a maior parte dos votos em seus Estados entre as mulheres eleitas.

Em 2018, as coligações de deputados estaduais, federais e distritais precisavam ter pelo menos 30% de mulheres. A expectativa era a de que aumentasse o número de candidatas. Mas a porcentagem ficou na mínima exigida e semelhante à das últimas eleições.

Estados: 13 governadores foram eleitos em 1º turno; 7 foram reeleitos

Das 27 unidades da Federação, 13 tiveram definição no 1º turno: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná e Tocantins.
Outros 13 Estados e o Distrito Federal terão uma decisão no 2º turno.

PT e PSB elegeram 3 governadores cada. DEM conquistou 2 governos. MDB, PP, PSD, PHS, PC do B já terminam este 7 de outubro com 1 governo eleito.

Governadores eleitos em 1º turno

Dos 13 eleitos este domingo, 7 tentavam reeleição: Renan Filho (Alagoas), Rui Costa (Bahia), Camilo Santana (Ceará), Flávio Dino (Maranhão), Paulo Câmara (Pernambuco), Wellington Dias (Piauí) e Mauro Carlesse (Tocantins).

Outros 14 unidades realizarão 2º turno em 29 de outubro: Amazonas, Amapá, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

O PSDB terá representante em 6 das disputas pelo 2º turno. Também estão nas disputas abertas:
PDT e PT: em 4 unidades;

MDB e PSL: em 3;

PSD, PSC e DEM: em 2;

PT e Novo: em 1.

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