Eu gostaria que a tal cloroquina salvasse o mundo inteiro, porém, não é o caso. Senão, amigas e amigos leitores, a  Itália, a França, a Espanha e os EUA não teriam tantas mortes. Pensem.

Defendida por Trump, Bolsonaro e Maduro, não há estudos definitivos sobre a eficácia da cloroquina. O mundo da ciência observa, testa, mas ainda não chegou a uma conclusão precisa dos efeitos positivos. Os efeitos negativos no entanto já foram observados.

Usada para tratar doenças autoimunes, lúpus e artrite reumatoide, a hidroxicloroquina tem fortes apoiadores. O controverso professor francês Didier Raoult, por exemplo, promove o uso desse medicamento em pacientes no início da doença, associado ao antibiótico azitromicina.

Os presidentes Donald Trump, Bolsonaro e Maduro também têm defendido regularmente seu uso contra o coronavírus.

Nas últimas semanas, vários estudos questionaram a eficácia dessa molécula no tratamento do Covid-19. As autoridades de saúde de vários países alertaram para o risco de efeitos adversos, tais como parada cardíaca.

O primeiro estudo, realizado por pesquisadores franceses, conclui que a hidroxicloroquina, um derivado da cloroquina antimalárica, não reduz significativamente os riscos de internação em terapia intensiva ou morte em pacientes hospitalizados com pneumonia por Covid-19.

De acordo com o segundo estudo, realizado por uma equipe chinesa, a hidroxicloroquina não elimina o vírus mais rapidamente do que os tratamentos padrões em pacientes hospitalizados com uma forma "leve" ou "moderada" de Covid-19. Além disso, os efeitos colaterais são proeminentes.

"Tomados em conjunto, esses resultados não apoiam o uso da hidroxicloroquina como tratamento de rotina para pacientes com Covid-19", disse a revista médica britânica British Medical Journal.

Enquanto isso…

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou na segunda-feira que está tomando preventivamente a hidroxicloroquina, ao contrário das recomendações das autoridades de saúde dos EUA. Suas declarações despertaram fortes reações.

Ao mesmo tempo em que o presidente americano fez esse anúncio inesperado, a Universidade John Hopkins anunciou que os Estados Unidos haviam ultrapassado a marca de 90.000 mortes por Covid-19.

De acordo com um estudo publicado há dez dias no New England Journal of Medicine, a administração de hidroxicloroquina não melhora significativamente a condição de pacientes críticos com coronavírus.

E do outro lado do mundo…

Dois Ministros da Saúde pedem demissão, justamente por entrarem em conflito direto sobre a cloroquina e o isolamento social com o presidente Bolsonaro, fervoroso adepto da utilização do produto. O mundo tentando encontrar respostas e o Brasil à deriva…

Um parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM) emitido em abril reforça a ausência de evidências científicas sobre a eficácia da cloroquina contra o covid-19.

Tanto Mandetta quanto Teich haviam informado sobre os efeitos colaterais da cloroquina. Para os ex-ministros, a prescrição do medicamento deve ser feita sob avaliação médica e os pacientes, informados dos riscos, devem assinar um “Termo de Consentimento”.

Na vizinha Venezuela

Maduro escreve em sua conta Twitter sobre à eficácia da cloroquina: “Parabenizo a equipe científica de nosso país, que trabalha de boa fé e amor para proteger à saúde das pessoas. Com eles avançamos na produção de difosfato de cloroquina, um tratamento eficaz contra o Covid-19. Sim, nós podemos, Venezuela”.

Ontem vi um vídeo do presidente Bolsonaro com seus seguidores em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, exaltando a tal cloroquina com o apoio de Jesus. Neste momento eu me pergunto, até onde vai a ignorância do povo?

Ai… Oremos!

Por Miriam Rey

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