Embora a greve dos petroleiros seja silenciosa nos meios de comunicação, no 13° dia de paralisação, mais de 102 unidades do sistema Petrobras estão mobilizadas em 13 estados do Brasil.

As mais recentes adesões são : Terminal de São Caetano do Sul (ABC paulista) ; Terminal de Barra do Riacho (ES) e cinco plataformas, entre elas, a P-58 em Jubarte no pré-sal da Bacia do Espírito Santo.  No dia 10.02, a empresa começou a buscar empregados temporários para manter as operações.

Os petroleiros exigem a suspensão das demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR) e cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho.

A Federação Única dos Petroleitos (FUP) e os sindicatos recorreram ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), pedindo ao Ministro Ives Gandra que reconsidere as decisões tomadas em dois depachos monocráticos favoráveis à gestão da estatal.

Gandra reconheceu a legitimidade da greve mas impôs condições severas ao movimento, tais como, que 90% dos efetivos continuem operacionais. O descumprimento da liminar impõe uma multa de R$ 500 mil para a FUP e os sindicatos do Rio de Janeiro, Bahia e Espírito Santo e mais R$ 250 mil para os demais sindicatos, as penalizações podem chegar a R$ 4, 5 milhões por dia, totalmente desproporcional.

A FUP alerta que o fechamento da Fafen-PR, não só deixará mil trabalhadores sem emprego, como afetará também o setor da exportação do agronegócio, para os consumidores da carne vermelha.

Uma possível alta de preço é prevista e existe o risco da contaminação da carne por formol, de acordo com a FUP. Isso porque o governo fechou as refinarias da Bahia e de Sergipe, e quer fechar a do Paraná, como consequência o fim da produção da ureia (usada na ração do gado). As três refinarias eram responsáveis por 24% da fabricação da ureia.

Para compensar o valor mais caro da ureia importada, os produtores deverão aumentar o preço da carne, ou pior, poderão utilizar a ureia agrícola, cujo processo leva formol, um perigo para a saúde pública.

 A petrobras comemora o excelente desempenho no último trimeste de 2019, a produção chegou a 3,025 milhões de barris de óleo por dia, foi 11% a mais que nos outros dois trimestres anteriores.

A Petrobras se reafirma cada vez mais como exportadora de petróleo cru, uma política instituida no governo de Michel Temer e intensificada no governo de Jair Bolsonaro, transformando-se em uma companhia de exportadora de petróleo cru e importadora de combustíveis.

Por essa razão, o governo federal tenta a todo custo, vender as refinarias Abreu e Lima (RNEST – Pernambuco); Alberto Pasqualini (REFAP – Rio Grande do Sul); Presidente Getúlio Vargas (REPAR – Paraná); Gabriel Passos (REGAP - Minas Gerais) e Landulpho Alves (RLAM – Bahia).

Uma política totalmente contra o bolso do consumidor brasileiro, ou seja, o Brasil é autosuficiente em produção de petróleo mas não têm refinarias capazes de processar, enviando o óleo bruto para outros países, refinar, o que encarece o preço final nas bombas de gasolina.

No ano passado, segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo), o Brasil exportou 410 milhões de barris de petróleo, a maior parte para a China. No mesmo ano, o país importou cerca de 68 milhões de barris, na maior parte de países da África e do Oriente Médio. O país também importa derivados de petróleo, como gasolina e, principalmente, diesel.

O país tem 17 refinarias de petróleo, com capacidade para processar 3 milhões de barris por dia. Treze dessas refinarias pertencem à Petrobras e respondem por 98,2% da capacidade total.

Mas essas refinarias não têm como trabalhar com o óleo brasileiro, explicam especialistas.

As refinarias mais importantes foram construídas na época da ditadura militar no Brasil, nos anos 1970. Na época, o país ainda não tinha produção substancial de petróleo e, portanto, importava o produto.

Há diferentes tipos de óleo, e as refinarias brasileiras foram construídas com a capacidade de processar esse óleo importado, que é mais leve, e não o nosso óleo, que é mais pesado.

A solução seria construir mais refinarias com tecnologia para refinar o nosso próprio petróleo, e obviamente, não fechar as que já existem. Mas a política do neoliberalismo fala mais alto.

A Associação Nacional dos Transportadores Autônomos do Brasil (ANTB) apoia totalmente a greve dos petroleiros.

Após a declaração, caminhoneiros autônomos da Baixada Santista, em São Paulo, divulgaram um vídeo anunciando uma paralisação na segunda-feira 17, no Porto de Santos. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos (Sindicam), Alex Viviani, declarou que as reivindicações da greve inclui : piso mínimo de frete, o preço dos combustíveis e a perda de trabalho no Porto. Apesar da proibição da Justiça, os caminhoneiros estão fazendo paralisação de 24 horas.

A categoria também lançou uma campanha para avançar na luta contra a política de preços dos combustíveis, com reajustes praticamente diários, de acordo com a variação internacional do barril de petróleo e a flutuação cambial.

A luta contra a política de preços da Petrobras também está na pauta dos petroleiros que estão, inclusive, vendendo botijões de gás mais barato em várias cidades do país.

Povo ! Os petroleiros e o caminhoneiros unidos, a situação pode ser de caos, e quem vai pagar por isso ? Todos nós brasileiros !

Eu estou do lado dos petroleiros, as refinarias não devem ser vendidas e o Acordo Coletivo de Trabalho deve ser honorado.

Por Miriam Rey

 

 

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