Entre viver ou morrer, o isolamento é a bênção !

A nossa sociedade andou rápido demais, cresceu em tecnologia, produziu bens de consumo, atravessou os oceanos com cargas consumistas, poluiu o ar do planeta, extinguiu várias espécies de seres vivos, poucos ganham bilhões e a grande maioria vive na pobreza, a economia retrata um sistema injusto, e, extremamente frágil.

De repente um inimigo invisível que todos podemos sentir, chegou sem hora marcada, infectando a humanidade sem piedade, limpando a terra, colocando de cabeça para baixo e no vermelho as bolsas de valores, a globalização desenfreada, a corrida nos aeroportos para conhecer mais e mais lugares, as fronteiras sempre abertas para quem quiser e vier, fecharam um ciclo. Hoje ? Cada um por sí e todos dentro de suas casas.

O tal isolamento social, condição de uma minoria em tempos sem coronavírus, daqueles deprimidos, angustiados, paranóicos sofrendo de TOC, bipolaridade e outras doenças psicológicas, diagnosticados no século XX, mudou de hospedeiros no século XXI. Todos estamos confinados em nome da cura.

O contágio é incrivelmente poderoso e exponencial. No começo da pandemia, duvidamos, descrédulos que, algo tão pequeno poderia derrubar toda uma estrutura interplanetária, acabar com a vida inteligente, com a nossa saúde, e, quando caimos do nosso pedastal egocêntrico, já estávamos submersos no mundo viral, nos hospitais sem recursos, sem leitos, sem respiradores. Os heróis ? Os médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde, faxineiros, funcionários dos mercados e farmácias. Aplaudidos todos os dias por bilhões de pessoas, merecidamente !

A China transmitiu a morte para o mundo, ela tem culpa? Para alguns sim, para outros, ela salva e ajuda a nossa vizinha Itália, o segundo país com mais mortes e casos de contaminação.

A surpresa nefasta chegou com rumores, depois, com instruções de prevenção e finalmente, o confinamento, e, em alguns países, tais como, Espanha, França e Itália, a interdição de sair nas ruas é caso de políca, multas e mesmo prisão. O homem livre que sempre reivindicou o « ir e vir » se encontra preso entre quatro paredes.

A natureza sempre se encarregou de selecionar as espécies, evoluindo ou retroagindo no senso do equilíbrio. Triste de ver que não somos nada, somos poeira cósmica sujeitos as leis universais. Todo dinheiro, títulos universitários, presunções de superioridade, carrões, casas luxuosas, jóias, beleza física, politicagem, guerras, ódios, ciúmes e outros sentimentos de baixas energias, são totalmente sem nenhuma importância no consenso do TODO.

Então, em dezembro de 2019, o mundo começou a entrar em uma outra realidade, em março de 2020, as portas se fecharam para a sociedade, a única opção para frear o monstro em forma de coroa, que passeia nas ruas de um corpo para outro.

Os sinais foram dados, chegou o momento de refletir e mudar. Agora, temos muito tempo para entrarmos dentro de nós mesmo, fazer a metamorfose dos valores, da consciência, descobrir uma nova maneira de visualizar o outro, uma nova luz deverá brilhar nas nossas intenções.

Na história dos vírus, temos outros que circularam no Planeta Terra, e que, foram assassinos em massa. O coronavírus, com mais ou menos 9000 mortos no mundo, ainda é um inimigo controlável.

Nos últimos 1500 anos, mais de 3 bilhões de pessoas morreram em decorrência de vírus e bactérias.

No ano 540 o mundo parecia fadado ao fim. Marinheiros de navios mercantes do Mar Negro, entre a Turquia e a Europa, começaram a morrer repentinamente, em geral, os navios atracavam em portos da Itália.

A doença ficou conhecida como “Praga de Justiniano », nome do imperador romano da época. As embarcações chegaram com ratos infectados com pulgas que carregavam uma bactéria mortal para os seres humanos.

Os infectados apresentavam inchaço nos nódulos linfáticos, nos pescoço, virilha e axilas, além de nevrose nas mãos e nos pés. O vírus matava os doentes em poucos dias. A doença chegou no norte da África e ao Oriente Médio, alastrando-se também na Europa, mais de 30 milhões de pessoas morreram.

 A falta de boas condições sanitárias e remédios fizeram com que milhões de pessoas não resistissem às infecções da « Peste Negra » que surgiu em 1346. A pandemia começou quando os chineses atacaram embarcações italianas no litoral da Crimeia, para interromper o fluxo comercial europeu. A doença se espalhou na Itália, Europa, norte da África e Oriente Médio, morreram 65 milhões de pessoas.

A doença provocava gangrena nas extremidades do corpo, febre alta, complicações pulmonares. As pessoas usavam máscaras de metal, ervas para purificar as casas e espantar as pulgas que transmitiam a doença.

No século XVI, os historiadores desistiram de catalogar o surgimento de novas doenças, pragas que não eram virulentas, como, febre amarela, tifo, sarampo, hepatite e lepstospirose. Cerca de 3 milhões de pessoas morreram afetadas por estas doenças.

A « Gripe Espanhola », provocada por um vírus, assombrou o mundo em 1918, no final da Primeira Guerra Mundial, mais de 75 milhões de pessoas morreram globalmente, em razão da primeira versão do H1N1.

Na década de 1990, a descoberta de um coquetel antiviral para o HIV, salvou milhares de vidas.

Com a evolução da ciência, ficou mais fácil encontrar novos tratamentos, mas, a mutação de vírus como o Covid-19, ainda não tem vacinas ou medicamentos.

Posso concluir que, a realidade paralela invisível está fora e dentro de nós, existe trilhões de outros seres que não conhecemos pois são minúsculos, mas poderosos.

Uma nova ordem mundial se impõe, a introspecção se faz presente, a solidariedade deve ser a bandeira da nova raça, a economia deve mudar radicalmente, os ricos devem abrir os seus cofres, a igualdade de ter, comer e produzir bens de consumo locais, passear na sua cidade sem pretensões de dar a volta ao mundo, olhar o próximo bem próximo.

A era da expiação pode se transformar na era da renovação. É só buscarmos em nós os verdadeiros valores dos iguais na unicidade, dentro das diferenças do seres que, habitam esta rocha perdida na imensidão do Cosmos.

Por Miriam Rey

 

 

 

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