Tempo meu que se mostra, brincando de esconde-econde

Entre manhãs nevadas

Cheiro de pureza branca invadindo as caminhadas lentas

De passos medrosos

Inverno de duas faces

Amigo cínico

Amante alucinado da virgem imaculada neve

Que também é fatal, resplandescente, bela e fria

Grande artista

Transforma todas as formas da natureza em esculturas geladas

Congela pouco a pouco

Penetra doce, devagar, dissimulado

Corta o rosto, imobiliza as mãos

Invasor de corpos

Expira vapor

Ar gelo enchendo o pulmão de pureza e qualidade

Mistura de beleza e poder

Sensação de um vazio eterno e feliz!

Por Miriam Rey