O impacto dos atentados de Bruxelas foi brutal. A sensação de que em qualquer lugar e em qualquer momento, pode-se abrir uma porta ao horror, invade o continente europeu.

O que se pode observar é que os atentados se sucedem em países com forte concentração muçulmana, França, Bélgica, Inglaterra. Países onde à comunidade muçulmana é marginalizada e estigmatizada pela falta de integração, por razões socio-econômicas e culturais.

Aonde um Lupem islâmico, concentrado nos bairros pobres e periféricos, vem vivendo há muitos anos as suas frustrações e ódios contra uma sociedade que os mantém a margem e que encontrou na saga de Daesh um sentido a sua existência; não mais no crime comum, no tráfico de drogas, na marginalização, mas em uma revanche contra a sociedade, sangrenta e covarde, em nome de uma religião que eles mesmos desconhecem.

A maioria dos indivíduos identificados nos atentados em Paris e Bruxelas são criminais, que em outras circunstâncias, passariam totalmente despercebidos no fundo de uma célula, condenados por crimes comuns.

Criminosos que utilizam a religião para justificar ações contra uma população indefesa, que exibem sua crueldade e desumanidade como um tributo do bom muçulmano, que deve eliminar os descrentes, aos « cruzados ».

Matam indiscriminadamente, muçulmanos, laicos, cristãos, quem está no perímetro, morre.

Em um comunicado, Daech justifica o assassinato de tanta gente inocente acusando os belgas de maltratar os muçulmanos e de participar na guerra da Síria, mas os verdadeiros assassinos dos muçulmanos são eles, com milhares de crentes assassinados no Paquistão, Afeganistão, Iraque, Síria. Inclusive a Arábia Saudita, país fundamentalista, vem sofrendo ataques do daech.

De fato, no Oriente Médio as principais vítimas desta banda de enlouquecidos, são os próprios muçulmanos, chitas, sufistas, sunitas «  moderados » e toda versão que não seja a fundamentalista. Massacrados em nome de Alá, quando a maioria dos assassinos mal leu o Corão e tem um conhecimento mínimo e superficial da religião que dizem defender.

Os Erros em relação ao daesh

É um erro chamar criminosos comuns de soldados e menos ainda, de soldados de Deus.

É um erro de a imprensa ocidental dar tamanha cobertura aos atentados, porque é exatamente o que eles querem; propaganda gratuita em todos os canais de TV e em permanência, criar o pânico, destruir as bases da sociedade ocidental através do medo.

É um erro escrever , como fez o jornal Le Temps de Genebra, que estamos perdendo a guerra. Porque aqui não tem exércitos de terroristas invadindo a Europa, como foi o caso na Segunda Guerra Mundial. Só alguns criminosos capazes por suas ações de provocar o terror e a ansiedade frente a uma cegueira assassina, mas se contarmos entre Paris e Bruxelas, não são mais que dez ou quinze indivíduos, e isso não constituem um exército.

Na Síria e no Iraque, daesh não tem um verdadeiro exército, não tem uma aviação e nem armamentos sofisticados. O que eles têm é a loucura do fanatismo, que temos que reconhecer, é uma arma terrível. Mas como os países livres conseguiram derrotar a fúria do nazismo que possuía infinitamente mais poder que essa banda de selvagens, não vejo como não  poderíamos derrotar daesh, que comparado, é um elemento pobre e insignificante.

Se daesh não tem sido ainda derrotado, não é graças a sua força, ao contrário, é graças à divisão dogmática e sectária dos países ocidentais e os próprios países muçulmanos, que enquanto se disputam entre eles, daech continua massacrando.

As Maras do Oriente Médio

Ibrahim e Khalid, os kamikazes do aeroporto de Bruxelas, poderiam ter vindo de Salvador, Nicarágua e de outros países de América Central paralisados pelas ações das Maras, bandas criminais de narcotraficantes, que tem como única diferença, o fato que para eles – as Maras-  o Deus único é o dinheiro do tráfico de drogas. Mas a crueldade, desumanidade e a barbárie são idênticas. É fácil converter jovens miseráveis que vivem em países que não oferecem nenhum futuro, entregar suas vidas para a ilusão do poder do dinheiro e do medo, jovens delinquentes sem perspectivas que vivem uma experiência onde eles serão os fortes e dominadores, e se morrerem terão 70 virgens de recompensa.

Os dois primeiros kamikazes já tinham sidos condenados por assalto e tráfico de drogas. É essa a moralidade que os loucos do islam querem impor ao mundo? É essa a “espiritualidade” da Charia ? Assassinatos, violações das mulheres, crianças, escravidão, massacres e torturas? É esse o caminho do islam?

Não é o islam que diz que matar um homem é matar toda a humanidade? Então daesh já assassinou várias humanidades. E é por isto que posso afirmar que eles têm ganhado seus lugares no inferno monoteísta. Porque duvido que possa existir um deus, entre todos aqueles que a humanidade tem inventado que seja capaz de recompensar crimes tão indecentes.

Observamos a idade dos adolescentes que abandonam as suas famílias na Europa, principalmente meninas, para viver uma ilusão na Síria. O que sabe uma jovem de 15 anos sobre o islam ? Tudo o que ela sabe vem de uma voz através da internet, que lhe promete o paraíso na terra. Um paraíso que depois se transforma em sangue, sofrimento e horror. Mas nesse momento, já  é muito tarde.

A única forma de acabar com daesh é decapitando o monstro. É acabando com o poder centralizado em Mossul y Raqqa. A maioria dos membros de daesh são criminosos, incapazes de continuar se os homens que os mandam massacrar e suicidar-se em nome de Alá desaparecem. Se os lideres de esta quadrilha são eliminados, vai ser a debandada geral e a humilhação última, por isto que a sociedade tem que se preparar a situações apocalípticas em um futuro próximo.

Das responsabilidades

Como surge daesh e por quê? A cobiça, a estupidez e o cinismo de um George W. Bush e de um grupo que se considerava todo poderoso, destrói um país para apoderar-se de suas riquezas e do maná da reconstrução, mas, que ao invés do previsto, somente colheram destruição, miséria e um país destruido. Isto tudo é péssimo para os negócios.

Os grandes investidores são indiferentes aos milhares de mortos, eles estão preocupados com as flutuações da bolsa de valores. Esperam ao espreito, como urubus, o fim da guerra para se precipitar sedentos de dinheiro sobre o cadáver de uma nação exausta para ver o que podem ainda extrair.

É repensando o modelo de sociedade implantado por um liberalismo feroz, que somente pensam no dinheiro acumulado, que podem ser encontradas as respostas do atual caos. Dirigentes que se apoderaram do poder e se declaram pais da pátria governando contra seus próprios povos convencidos de que eles são os donos da verdade absoluta.

Daech, As Maras, As Farc, a intifada das facas, etc. Tudo isto não é mais que a consequências de uma sociedade injusta, onde o poder econômico e político se concentra em poucas mãos criando guetos e bolsões de pobreza potencialmente explosivos, governos e pessoas preocupados exclusivamente de suas próprias mordomias, indiferentes ao fato de que têm contribuído a criar um mundo onde predomina a pobreza, a dor e o sofrimento enquanto eles usufruem de um nível de vida indecente.

As religiões que fomentam os fundamentalismos, criando verdadeiras fábricas de fanáticos enceguecidos por discursos inflamados, religiões que protegem suas mordomias apesar do dano que causam, seja a violência extrema, o ódio do outro, a pedofilia e abusos de todo tipo, fomentados em nome de um Deus hipotético que ninguém, até agora, tem conseguido provar a existência.

Temos que desenvolver uma sociedade justa baseada no respeito, a igualdade e o equilíbrio social. Enquanto que continuar existindo pessoas marginalizadas, diferenças de salários astronômicos, posse das riquezas nas mãos de uns poucos, segregações por causa da origem ou da cor da pele, enquanto os terroristas dos mercados financeiros continuam sendo impunes, continuam tendo a liberdade de destruir as economias do planeta, continuarâõ surgindo outros Daechs e outras bandas criminosas formadas pelos excluídos do mundo.

Que os países que ainda conservam tendências imperialistas pensem bem nos monstros que geram, porque depois, os mortos se contam em milhões.

Eduardo Nieves

Tradução do espagnol de Miriam Rey