O despertador trouxe o espírito de volta para o corpo, as impressões da viagem sonolenta eram um fio transparente entre aquilo de lá e isto de cá.

Sabe aquela impressão de estar não estando ? O canto do galo sacudiu as impressões deitadas, é pois é, nesse lugar os galos ainda cantam em coro às 6 h da manhã de todo novo dia.

Abrindo o olho direito e depois fechando, e, abrindo e fechando até a primeira dimensão se vestir de roupas e compromissos.

A porta bate e alguém bate nela, ela promete um dia de entradas e saídas de passos pesados ou leves. A realidade trouxe um pouco da chatura cotidiana, da disciplina que move as coisas certinhas do fazer sempre igual, o destino das horas desfilam nas mesmas cores do ontem, um olhar além do morro verde faz a pupila dilatar nas cores que a escolha decidiu.

Livre e preso, o calendário é agendado, às vezes, mudanças no programa freiam ou desatam novas emoções, o acaso joga os dados para quem acredita que tudo é possível.

Mais um natal chegou, recapitulando as promessas de tantos e outros passados, reafirmando o que não foi concretizado e esquecendo o que foi mentalizado no acontecer.

Depois veio a lista escrita, falada ou pensada dos sonhos dos próximos 365 dias, a memória conecta pedaços de cenas de muitos tempos, tenta realizar mas já esqueceu e depois vem a ceia entre a família e amigos. Os votos de paz, amor e boa vontade entre tudo que se move, invadem o planeta água, o ciclo continua em frente como deve ser.

As marcas das histórias de cada um de nós tomam conta de um universo individual que se expande formando uma grande bola de realizações globais, às vezes, rasas, outras, profundas. Repetidas tentativas de fazer melhor.

Assim vamos vivendo querendo sempre que o Espírito do Natal bata na porta das nossas casas, sente na melhor cadeira e nos observe com seu olhar brilhando e o seu sorriso contagiante de solidariedade, prolongado a visita durante o tempo que merecermos.

Sabedoria é aceitar com calma que nem tudo é como planejamos, mas que tudo pode ser como imaginamos. Na cabeça a viagem não tem fronteiras, o mundo se mistura em nós, num emaranhado de vidas diferentes e presentes.

Um olho dentro e o outro na imensidão que não tem limites, eternas e incalculáveis possibilidades se apresentam, basta pegar uma e vivê-la até não ter mais o sabor da descoberta, comprovando o nosso « eu » curioso e inquieto e mais uma vez e depois, pegar outras e repetir sucessivamente até que a vida se complete no tempo que aqui estivermos.

Realidade, surpresa, mistério, magia, fatos, realizações, preguiça, amor, verdades, mentiras, paz, guerra e muito mais continuarão entre nós, mas o sincero desejo que sejamos só luz, com certeza, vai invadir a alma do mundo, no dia 25 de dezembro, e nesse momento efêmero seremos aquilo que estamos destinados a ser, puro amor.

Vamos mentalizar juntos : « Ainda estamos aqui », gratidão !

Por Miriam Rey