Não existe exército nem campanha de bombardeamento nem coalisão internacional que possam lutar contra um tsunami ou a força destruidora de um furacão. Não existe nenhum governo nem qualquer economia que possa deter o aumento dos oceanos ou a seca que avança em certos lugares do Planeta.

Os inconscientes e irresponsáveis que negam a realidade climática que vivemos em nome da economia são criminosos que colocam em perigo a existência das gerações futuras por puro egoísmo, rigidez mental e dogmatismo.

O neoliberalismo é mil vezes mais perigoso que Daesh porque este é um grupo de fanáticos alucinados que nunca poderão conquistar a opinião pública mundial nem convencer ninguém, fora os pequenos criminosos e desadaptados, a se unir a uma causa sem futuro baseada no crime e no horror. Daesh não tem a força militar suficiente para enfrentar os exércitos do mundo e reina graças ao terror e aos assassinatos massivos. Esses argumentos políticos não convencem ninguém, uma vez que as principais vítimas são os próprios muçulmanos, xiitas, sunitas moderados, sufistas, entre outros, que também são considerados infiéis pelo fato de pensar de forma diferente dos líderes extremistas.

Daesh não é um movimento político, mas uma patologia mental, que como toda enfermidade encontrará sua vacina. Já o clima… é a respiração do Planeta! Estamos destruindo a pele e os pulmões da Terra e teremos que enfrentar as consequências.

Se não existe um movimento popular massivo para pressionar os governos a mudarem de atitude e de política climática, a curto prazo corremos o risco de ter que viver situações catastróficas.

Hoje em dia, o êxodo daqueles que fogem da guerra está desestabilizando o mundo ocidental, principalmente o europeu. É tragicômico constatar a histeria produzida por esses movimentos de massa que tentam escapar da miséria e do horror que os próprios seres humanos produzem. Mas o que a opinião pública mundial parece não se dar conta é que essa tragédia será insignificante comparada ao êxodo massivo de populações por causa das mudanças climáticas, principalmente das que vivem nas megalópolis construídas à beira-mar, como Rio de Janeiro, Nova York, Bombay, Sidney e tantas outras que abrigam milhões de habitantes. Será tarde demais quando nos dermos conta de que não haverá lugar para tanta gente.

Junto a essa tragédia, veremos a destruição da agricultura em consequência das condições climáticas. Regiões inteiras, como o sul dos Estados Unidos, serão inabitáveis por causa dos furacões. Cidades como Nova Orleans desaparecerão. Surgirá mais secas, inundações, tempestades, etc.

Existe uma imensa possibilidade de que, a curto prazo, o mundo se converta em um lugar inabitável para a raça humana, o que condena as próximas gerações ao pior dos infernos. Então será inútil procurar os responsáveis, pois estes nós já os conhecemos!

A COP 21 não resolverá nada, pois os líderes políticos defendem, com um cinismo e uma hipocrisia alucinantes, suas posições individuais. Inclusive Barack Obama, pressionado pelos fundamentalistas e pelos extremistas do partido republicano, que pouco diferem do Daesh. Obama declara que as conclusões da COP 21 não podem terminar em um tratado obrigatório, em oposição frontal à política de François Hollande, que exige que as resoluções sejam obrigatórias para todos os Estados.

Ninguém quer perder. Todo mundo joga a culpa no outro. Os chineses com a teoria da acumulação de gases históricos dizem que os países industrializados são os principais responsáveis por terem começado antes a revolução industrial e que nesse momento a China e alguns outros países tinham economias pouco desenvolvidas. Os ocidentais acusam China, Brasil e Índia de serem os principais responsáveis produtores de gases a efeito estufa. Em um diálogo de surdos que esconde a vontade de continuar desenvolvendo a economia segundo os princípios do capitalismo selvagem e permitindo que as multinacionais continuem destruindo o meio ambiente e causando situações desumanas de exploração em nome do rendimento econômico. Diariamente nascem crianças que estão condenadas a viver em um futuro incerto e cheio de angústias.

É isso o que queremos deixar para nossas futuras gerações? Os defensores do neoliberalismo e desse capitalismo sem controle são conscientes de que suas políticas são suicidárias para a humanidade?

Como é possível defender um sistema tão nefasto que pouco a pouco está levando a humanidade a um final atroz, sufocada pela poluição ambiental, faminta pela falta de produção de alimentos, desidratada pela falta de água, cada dia mais dramática?

Até quando a cegueira e a estupidez continuarão dominando a governança mundial e condenando a humanidade inteira a sua destruição?

Um tribunal internacional deveria ser criado para condenar os crimes feitos contra o clima, definindo-os como tentativa de genocídio. Não são somente as bombas que matam. A destruição do Planeta, a degeneração das condições atmosféricas, o metano que se desprende dos oceanos são a arma de destruição massiva mais potente atualmente, e até o momento ninguém tem vontade de detê-la.

Os governos preferem defender a economia em vez da vida humana. Uma questão: para que servirá a economia quando não existirá mais vida humana? Dinheiro não se come e o mercado financeiro não produz ar respirável.

É responsabilidade de todos nós tomar uma atitude e combater os defensores do fim do mundo em nome do benefício e do “desenvolvimento econômico”. Devemos atacar essas teorias que resultam somente em uma sociedade baseada na mais profunda das injustiças e que somente produzem miséria, desemprego e angústia na maioria dos países.

Temos a obrigação de defender a existência e a possibilidade de sobrevivência das gerações futuras. O Planeta não é nosso, ele nos é emprestado por aqueles que ainda não nasceram. Não temos o direito de devastá-lo nem de destruir as possibilidades de sobrevivência da raça humana. Atuemos antes que seja tarde demais!

Alfonso Vásquez Unternahrer

Tradução: Ana Paula Candelária