Entre um pensamento e outro !

Canta o quente do canto
Calor intenso que sufoca a massa amassada
Eu eterna, toda eu e mais
Sempre acreditando, tanto e muito e tanto e pouco
Morna palavra que ilude, confunde
Lado avesso que explode
Invade a rua
 Eu, crua, nua, pura…

O clic é presente, evidente, clemente
Mensagem não dita
Hora maldita do não
Perdida selva, dentro e fora
Labirinto verde invisível
Translúcida visão
Versão editada, passada…

Comida com sabor de ervas, cheiro no prato
Prato sem pronto
E meus passos continuam
Marcas da trilha de ida
Encantamento que desencarna
Fundo e raso
Jogo que acaba
Lento descaso
Folga das horas
Espaço de sono repleto
Suave beijo de orelha que escuta
Que recua…

O trem chega no minuto exato
Esperança do atraso
Nula é a saída
Cabeças no quebra-cabeça
Solução sem equação
Vida desregrada que causa, causas
Enorme linha que nos separa
Distantes horizontes do nós
O passado que ficou como troféu
O presente do óbvio sem graça
O futuro que já morreu no agora…

Alegrias continuam a dançar em todas as direções
Pego uma
Que já é minha, claro
E rosas verdes existem em parques perfeitos
Mãos manipulam corpos
Toques humanos
Extramundanos
Sub-humanos…

Aparências externas
Longas noites internas e internadas
Fala que fala e não pára
Vício da frase
Qualquer frase feita é aceita
Estico o braço
Toco a perna que sente
Pesado reflexo
Imagem invertida
Antes divertida…

Razão convincente
Incoerência que ficou
Divisão solitária
Caminhos partidos
De uma saudade que ainda não chegou…

Por
Miriam Rey