O novo presidente do Brasil, que é chamado por alguns de « mito » e por outros de « coiso », cria polêmicas por suas declarações imprevisíveis e sem nenhuma diplomacia, no tweeter, seguindo o exemplo do “cowboy Trump”. O povo brasileiro vai ter que engolir este caroço por quatro anos? Acho que não, mas se sim, podemos afirmar que a tal frase: « O Brasil não é um país sério », é bem apropriada.

Quem é Bolsonaro? Um homem que nunca realizou nada de importante em seus mandatos como deputado federal, um homem de perfil mediano, o primeiro presidente brasileiro de extrema-direita.

Jair Bolsonaro, filho de um dentista do interior paulista, oriundo de uma família que poderia ser definida como de classe média baixa. Um capitão da reserva com atitudes bem restritas e condicionadas. Não há nada de excepcional nele, « Bolsonaros », já conheci muitos.

O grande triunfo de Bolsonaro foi de se eleger deputado e continuar se elegendo por muitos anos, e, na sequência colocar os seus filhos na mesma trilha, profissão: políticos. Um clã que não se destacou pelas ideias ou realizações, mas pelos inúmeros votos em seus favores. Podemos afirmar que, muitas vezes, a voz do povo não é a mais bonita canção.

No dia de sua posse, os gritos das pessoas que ocuparam o gramado da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foram a parte mais reveladora da posse de Bolsonaro. A massa eufórica berrava: “WhatsApp! Facebook!”. Quem quiser compreender esse fato quase histórico, terá que passar anos analisando a profundidade contida no fato de eleitores berrarem o nome de um aplicativo e de uma rede social, na posse de um presidente que se elegeu através do virtual e que enrolou o povo com fake news, e deu a isso o nome de democracia.

Nem sempre os privilégios são bem entendidos. O novo presidente representa, principalmente, o brasileiro que nos últimos anos sentiu que perdeu privilégios. A violência sexual foi exposta e reprimida. A violência doméstica, quase tão comum quanto o feijão com arroz (“um tapinha não dói”) foi confrontada pela Lei Maria da Penha. Afirmar que uma “mulher era mal comida” se tornou comentário inaceitável pela maioria feminina inteligente.

A posição de homem heterossexual no topo da hierarquia nunca foi tão questionada como nos últimos anos. A tradicionais piadas de “viado”, um tema clássico de fortalecimento da identidade de macho, tornaram-se inaceitáveis. O “politicamente correto”, que Bolsonaro e seus seguidores tanto atacaram nesta eleição, foi interpretado como agressão direta a privilégios que eram considerados direitos.

Bolsonaro compreendeu bem que para o « homem macho », pobre, rico, branco ou negro, atacar os gays ou as mulheres, pode se tornar a única prova de superioridade. Ele não fez proposições sobre as desigualdades sociais, sobre planos econômicos, entre outros, mas prometeu libertar a nação do « politicamente correto ».

No seu discurso de posse afirmou: “É com humildade e honra que me dirijo a todos vocês como presidente do Brasil e me coloco diante de toda a nação neste dia como um dia em que o povo começou a se libertar do socialismo, se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”.

Ao assumir o poder, Bolsonaro mostra que a ordem do mundo volta ao “normal”. Com Bolsonaro, os seus adeptos voltam também a governar as suas próprias vidas, sem serem questionados sobre temas como, a sexualidade e seu lugar na família e na sociedade.

Ele foi eleito com o apoio dos três “bs”, boi, bíblia e bala… Parece que o boi está dando coiçadas e derrubando o « mito », a bíblia está fechando as portas da missa, e a bala continua mirando o alvo.

O ex-capitão Jair Bolsonaro, do PSL, colecionou dezenas de declarações polêmicas ao longo de décadas de carreira política.

As primeiras vieram à tona ainda na década de 1990, quando fora eleito para o primeiro de seus sete mandatos como deputado federal.

Entre os alvos de seus comentários controversos estão opositores, políticas públicas – como cotas raciais – e também grupos sociais, entre eles gays, negros, mulheres e imigrantes.

Bolsonaro gerou polêmica ao se dizer favorável à tortura, ao reverenciar um coronel reconhecido pela Justiça como torturador durante a ditadura e ao sugerir que policiais que matam devem ser condecorados.

Seus posicionamentos lhe renderam processos no Conselho de Ética na Câmara, diversos pedidos de cassação e condenações ao pagamento de multas por danos morais. Um dos casos o tornou réu no Supremo Tribunal Federal por prática de apologia ao crime e injúria.

Relembrar é muitas vezes refletir, entre as frases de efeito negativo do Sr. Presidente estão as clássicas espinhentas :

-“O erro da ditadura foi torturar e não matar” (2008 e 2016)

-“Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff […] o meu voto é sim” (2016)

-“Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre. Vou botar esses picaretas para correr do Acre. Já que gosta tanto da Venezuela, essa turma tem que ir para lá” (2018)

-“O policial entra, resolve o problema e, se matar 10, 15 ou 20, com 10 ou 30 tiros cada um, ele tem que ser condecorado, e não processado” (2018)
-« Eu jamais ia estuprar você porque você não merece” (2003 e 2014)

-“Por isso o cara paga menos para a mulher (porque ela engravida)” (2014)

-“O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um couro, ele muda o comportamento dele. Tá certo?” (2010)

-“Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens” (2008)

-“Fui num quilombola em Eldorado Paulista. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Acho que nem para procriadores servem mais” (2017)

-“A escória do mundo está chegando ao Brasil como se nós não tivéssemos problema demais para resolver” (2015)

Diante de tantas declarações absurdas, a última trouxe esperanças para as Donas Marias, para os Srs. Joãos, que não votaram nele :

« Não nasci para ser presidente, nasci para ser militar, diz Bolsonaro », na inauguração de ouvidoria no Planalto, o presidente pediu desculpas por caneladas e disse que seu cargo é só problema.

Então continuamos a viver, sem prestar muita atenção na vida política do Brasil, somos expectadores mudos e passivos ou somos aqueles que brigam com aqueles outros.

Por Miriam Rey