Em 2015, é sempre com tristeza que podemos constatar que falar de direitos humanos significa continuar a falar sobre tudo e seu contrário. Apesar da existência da Declaração dos Direitos do Homem, em que é sempre necessário precisar que se trata igualmente de Direitos das Mulheres, para evitar a confusão que reina ainda em certos países, esses direitos são desprezados, oprimidos, ignorados ou simplesmente esquecidos.

Felizmente, com o tempo, certos cidadãos compreenderam que era preciso fazer o primeiro passo, que é o mais difícil, para permitir a outros congêneres de seguir o caminho para um futuro melhor.

Parece ser o caso de artistas e intelectuais, que – graças a um nível de consciência provavelmente mais desenvolvido ou por ter tido mais acesso a informações e um pouco mais de vontade – conseguem e continuam a nos mostrar que «temos todos direito a viver como seres humanos».

É nesse quadro que o Festival do Filme e Fórum Internacional sobre os Direitos Humanos (FIFDH), que ocorre em Genebra de 27 de fevereiro a 8 de março, revela todo seu senso. O evento, que está na sua 13ª edição, constitui uma plataforma interativa onde os cidadãos podem se encontrar «cara a cara» e diante de um leque de assuntos que sempre «irritam» todos aqueles que querem agir na impunidade e utilizam todo tipo de argumentos (política, religião ou outros) para impor ou consolidar sua autoridade.

A realização do FIFDH em Genebra não é unicamente uma ocasião para olhar «as atrocidades perpetradas em outros lugares», mas é também uma oportunidade única e uma possibilidade para melhor compreender o porquê desses horrores cometidos no exterior. É igualmente um sinal de alerta pare que o racismo, a intolerância e o obscurantismo não sufoquem os princípios essenciais da democracia, como a liberdade de expressão e o direito à construção de um futuro melhor para as novas gerações.

Com uma nova direção, confiada a Isabelle Gattiker, a quem felicitamos por esse novo desafio, o FIFDH toma um novo impulso sob o olhar de uma mulher jovem para quem o evento se torna um espaço de troca e onde todas as projeções (exposições, masters class e encontros com os artistas) permitirão debates mais engajados. E ainda, se os artistas são dotados de talento para se expressar, nós podemos, enquanto cidadãos, assumir nosso direito à palavra e à defesa de «nossos direitos humanos» em favor da promoção e da construção da paz.

Atualmente, nesse evento o simples papel de espectador se torna impossível. Sobretudo quando constatamos que atos bárbaros, vistos unicamente na televisão ou em filmes e cometidos geralmente em outros países, seja na África, Ásia ou América Latina, hoje chegaram às portas da Europa. Através dos séculos, o papel da arte, que é o de «mostrar a beleza» parece ter mudado para um «estandarte de luta e denúncia» contra as injustiças, a violência e os horrores da guerra.

Mas por que a arte causa tanto medo? Em certas sociedades, onde um pequeno grupo acredita ter o direito à palavra e a deter o poder, os quais se acham os «eleitos dos deuses», pensam que é direito deles decidir no lugar dos outros. São eles que não suportam que possamos contradizer suas idéias, pois a confrontação é o símbolo da perda desse poder «divino» inventado por eles mesmos.

É provavelmente por essa razão que a arte causa medo, pois detém uma linguagem e um poder universais. Basta mencionar o exemplo de «Guernica» de Picasso (1937) para compreender como essa tela contribuiu para denunciar as atrocidades cometidas nessa cidade espanhola, trazendo à luz a traição do partido nacionalista a seu povo e sua ligação assassina com os fascistas alemães e italianos.

Enquanto isso, os «Direitos Humanos» é caso de todos os dias, que é necessário se lembrar para poder dizer «Não» a leis absurdas, Não à discriminação de todo tipo, Não ao casamento forçado, Não à negação de fatos históricos como o genocídio armênio, Não à interpretação errônea da fé, Sim ao direito a uma existência digna de seres humanos, Sim à diferença, Sim ao direito à identidade dos povos, Sim aos direitos dos imigrantes, pois os direitos humanos é simplesmente dizer «Sim à Vida»!

Felicitamos todos os artistas que, armados de coragem e ao risco de sua vida, conseguem expor seus trabalhos, trazendo à luz as aberrações cometidas contra seus semelhantes. Aplaudimos os organizadores e todos aqueles que apóiam e participam do FIFDH, pois ficar em silêncio, passivos ou indiferentes significaria se tornar cúmplices.

Vamos todos ao Festival dos Direitos Humanos! Simplesmente para que Genève possa continuar a levar o nome de «Capital dos Direitos Humanos», com leis que considerem a totalidade dos indivíduos e não uma minoria com mentalidade restritiva, e para que cada indivíduo, independentemente de origem, condição social ou crença, possa ser tratado com respeito e dignidade.

Por Martin Montiel

Traduçao no portugués : Ana Paula Candelaria