A impressão, quando chegamos ao final do ano é que podemos tirár-lo e jogá-lo como se fosse apenas um pedaço de papel e, diante de uma página em branco e imaculada, começar tudo novamente. Mas isso não é assim que acontece!

Em primeiro lugar, um ano não é um pedaço de papel, e se fosse, a próxima página estaría toda manchada com respingos do ano anterior. Uma semana  passou-se desde que a mudança de ano ocorreu e o milagre não aconteceu ainda. Tudo que era ruim em 2016 e que nos fez odiá-lo, permanece igual.

A guerra na Síria continua, dia após dia, matando milhares de pessoas, como a violação de mulheres na República Democrática do Congo (RDC), que acontece  sob o olhar silencioso do mundo.

Erdoğan na Turquia continua a colocar centenas de pessoas na prisão, vítimas de suas obsessões anti-Kurdas, anti-Gülen, anti-Daech, anti-tudo que se opõe ao seu poder absoluto. O Estado Islâmico pepetua-se em seus delírios criminais, pensando que um dia, todos em nome de Alláh, estarão aos seus pés.

Maduro, na Venezuela, insiste que toda a culpa é dos Estados Unidos e como uma história sem fim, os venezuelanos revivem todos os dias a mesma crise que não tem saída.

O Brasil  afunda-se cada vez mais  no caos econômico e social. O país, governado por um bando de criminosos, sob o silêncio ensurdecedor de uma população inteira que, recentemente, milhares, gritavam desesperados nas ruas, contra uma presidente inocente que foi expulsa do poder sem cometer qualquer crime. Jamais foi visto na história da humanidade,  um país pedindo aos gritos para ser vendido no exterior, de ser reduzido a miséria, a revogar todas as leis sociais e ser roubados em sua riqueza por um grupo mafioso que tomou o poder.

No Chile, uma casta dominante e uma presidente silenciosa que perdeu o sentido dos verdadeiros valores do socialismo e da esquerda, continua a massacrar o povo Mapuche, submetendo-os indecentemente a uma lei anti-terrorismo em um país onde há a maior diferença no mundo entre ricos e pobres , ainda amordaçado e limitado por uma constituição deixada por Augusto Pinochet, que mesmo, post mortem, vem perpetuando sua ditadura.

Macri continua  mergulhar a Argentina com as teorias anacrônicas ultra-liberais que só trouxe desastres no mundo. Ainda continuamos a descobrir novas contas secretas em paraísos fiscais, de um presidente que prometeu reconstruir o país, Então, eu pergunto: Para que serve o voto?

As pessoas insistem em deixar-se  enganar por discursos de políticos profissionais, que têm equipes de especialistas mais profissionais ainda, que lhes dizem o que dizer, mesmo se eles não pretendem colocar estas promessas em prática ou respeitar a uma massa, que mesmo de joelhos, pedem para continuar a ser enganada, de modo a não perder o pouco que têm.

Donald Trump continua a se expressar através do Twitter e se prepara para governar através dele, confrontando-se com a CIA e as agências de segurança da grande águia, aumentando o medo de um remake de Dallas, de frente para a questão de quem vai realmente governar os Estados Unidos: Donald Trump ou Vladimir Vladimirovich Putin.

Os refugiados estão morrendo de frio na fronteira da Hungria e congelando-se nas ilhas gregas, vítimas de uma Europa não é mais um continente civilizado.

Em que 2017 será diferente de 2016?

Obama não será mais presidente dos Estados Unidos e Michelle, aliviada, pode começar a planejar em paz, o futuro da sua vida familiar depois de dois mandatos de seu marido como presidente de um dos países mais difícil de governar.

Decepcionou? Ele fez o que pôde em um país enlouquecido com o racismo, o individualismo, o fanatismo religioso, a ignorância bruta sobre o resto do mundo, de arrogância. Doente de um infantilismo primário que os faz pensar que eles são os donos do mundo, mas que ainda imaginam-se conquistando as fronteiras do Oeste. Pais onde todos os dias, milhares de pessoas morrem por balas graças a santa e a sagrada constituição. Obama deve estar respirando aliviado por retornar à vida civil e familiar.

Portugal demonstra com a nova coligação do partido socialista, do partido comunista e da extrema esquerda, que ele pode levantar o país sem seguir a Bíblia ultra-liberal de Bruxelas e que a esquerda  se  pode governar quando quer.

François Hollande não vai mais encabeçar a França, expulso por uma ideologia distorcida e contraditória chamada de liberalismo social  inventada para justificar a ausência de real visão política ou a incapacidade de lidar com as forças do mal para oferecer ao país uma verdadeira alternativa mais social , mais espiritual, mais abrangente, sem sequer tentar explicar como  duas coisas tão opostas podem se encontrar na mesma definição. Se é social, ela não pode ser liberal, uma vez que todo mundo sabe as consequências catastróficas do liberalismo, condenadas pelo Papa Francisco, o Papa de todos.

E todas as nossas resoluções pessoais, claro que são como as intenções políticas, que duram somente como um suspiro e, depois, nós fazemos o que podemos.

Não, eu não acho que 2017 será diferente que 2016, porque a sociedade continua a ser a mesma apesar do fato de que eles mudaram o Secretário-Geral das Nações Unidas. O dieito de  veto vai continuar e as mesmas potências que controlam o mundo desde 1945, continuarão a impor sua vontade.

Mas, apesar disso, eu desejo a todos vocês a um feliz ano 2017 e, pelo menos, pessoalmente, você possam fazer suas próprias revoluções e alcançar seus próprios objetivos.

Meu sonho para 2018,  que eu possa escrever um editorial diferente  deste, falando a respeito de mudanças e melhorias reais no progresso da humanidade.

Será que isso…. é pedir demais?

Alfonso Vásquez Unternahrer

Traduzido do Francês para o Português por Leonardo FLORES.