O Dia Mundial da Alimentação foi comemorado no dia 16 de outubro. Começou a ser celebrado em 1981, como uma maneira de conscientizar a população de como se alimentar saudável, de como manter a saúde através da nutrição e dos bons alimentos e também para organizar a luta contra a fome.

Esta data marca a criação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, 150 países participam deste conselho.

A meta principal desta organização são :  Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ODS), conjunto de resoluções que foram aprovadas em 2015, ou seja, encontrar recursos para financiar e acabar com toda a fome e má nutrição até 2030, garantindo que todas as pessoas no planeta tenham acesso aos alimentos nutritivos. É necessário para que isso aconteça, promover práticas agrícolas sustentáveis, através do apoio à agricultura familiar, do acesso equitativo à terra, a tecnologia e o mercado.

Triste realidade. Estamos vivendo um período de fome em todas as partes do mundo. Em 2018 tinhamos 821 milhões de pessoas com fome. Em 2020 os números subiram na América Latina, Caribe e África Subsaariana.

A pandemia da Covid-19, aumentou muito a fome, que gerou uma grande recessão global e lançou milhões de pessoas na extrema pobreza. A crise alimentar que já vinha crescendo nos últimos anos vai se agravar até o fim de 2020, entre 6 mil e 12 mil pessoas poderão morrer de fome diariamente devido aos impactos socioeconômicos e da pandemia. Segundo um estudos recente da Oxfam Internacional. Para quem tem um prato de comida hoje, em sua mesa, deve se sentir feliz, pois, muitos não têm, nem mesmo,  um pedaço de pão para comer.

O aumento dos preços dos alimentos é um fator importante a ser considerado. No Brasil, segundo o IBGE, o arroz teve um aumento de 20% em relação a 2019, o feijão subiu 32,6% , entre outros.  Esses aumentos estão ligados de uma forma ou outra à pandemia.

Outros fatores também são agravantes para manter a segurança alimentar – as mudanças climáticas, os efeitos climáticos extremos, como, tempestades, furacões, secas, incêndios florestais, mas também, o aquecimento global.

As mudanças climáticas podem afetar enormemente na produção agrícola. Um artigo da Agnolucci (09.2020), afirma que, das 18 culturas mais cultivados no mundo – soja, milho, trigo, arroz, cevada, beterraba, mandioca, algodão, amendoim, colza, painço, aveia, batata, leguminosas, centeio, sorgo, girassol, batata-doce, culturas que representam 70% da área de cultivo mundial e 65% da ingestão calórica, estarão em diminuição de produção até o final de 2020.

 Os países com maior impacto na dimuição da produção agrícola foram, o Brasil, alguns países da América do Sul – Venezuela, o sul da Ásia – Índia, Indonésia.

 O relatório Climate Change and Land (2019), da ONU, mostrou que existe um efeito perverso de retroalimentação entre a produção de alimentos e o aquecimento global. O relatório mostrou que o aumento da população mundial e o aumento de consumo per capita de alimentos (ração, fibras, madeira e energia) têm causado taxas sem precedentes do uso da terra e água doce. O aumento da produção é responsável pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE), perda de ecossistemas naturais e a dimuição da biodiversidade.

A insegurança alimentar e a desnutrição aumentou nos útimos quatro anos e poderá aumentar muito no futuro próximo. A biocapacidade da terra está diminuindo e os meios naturais para o sustento da humanidade estão definhando.

Finalmente, diante deste quadro, posso dizer que, a emergência sanitária devido à Covid-19, vai passar, mas a emergência climática continuará degradando os solos e as fontes de água potável, ondas de calor intenso serão sentidas, pressionando os preços dos alimentos e tristemente aumentando o número de pessoas que morrerão de fome.

Por Miriam Rey