Presidente do STF reagiu aos novos ataques do chefe do Executivo; “Diálogo eficiente pressupõe compromisso permanente com as próprias palavras, o que infelizmente não temos visto”

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, reagiu aos novos ataques de Jair Bolsonaro contra ministros da Corte e subiu o tom contra o presidente. Durante a sessão do Supremo desta quinta-feira (5), o ministro anunciou o cancelamento de reunião que aconteceria entre os chefes dos Três Poderes brasileiros (Executivo, Legislativo e Judiciário).

“Como presidente do STF, alertei o presidente da República em reunião realizada nesta Corte, durante as férias coletivas, sobre os limites do exercício do direito da liberdade de expressão, bem como ser necessário e inegociável o respeito entre poderes para harmonia do pais”, afirmou Fux no início de seu discurso.

“Contudo, como tem noticiado a imprensa, nos últimos dias o presidente da República tem reiterado ofensas, ataques e inverdades contra integrantes desta Corte. Quando se atinge um dos integrantes, se atinge a Corte por inteiro. Além disso, sua Excelência mantem interpretações equivocadas de decisões e insiste em colocar em suspeição a rigidez do sistema eleitoral”, prosseguiu o ministro, pouco antes de anunciar o cancelamento da reunião e mandar recado para Bolsonaro.

“Diante disso, informo que está cancelada a reunião outrora anunciada entre os chefes dos Poderes. O pressuposto do dialogo entre os Poderes é o respeito mútuo entre instituições e seus integrantes. Diálogo eficiente pressupõe compromisso permanente com as próprias palavras, o que infelizmente não temos visto no cenário atual”, disparou.

Novos ataques

Na manhã desta quinta-feira (5), Bolsonaro voltou a desafiar e tentar ridicularizar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Luís Roberto Barroso após ter sido incluído como investigado no inquérito das fake news.

O presidente ainda voltou a fazer a piada de que a tecnologia do TSE é “impenetrável”. “Vou usar a palavra que o Barroso gosta”, disse.

Mais adiante, Bolsonaro desafiou a Justiça: “E outra, estão me processando por isso. Olha o que é a ditadura da toga. O que dois ministros estão fazendo no Supremo, Barroso e Alexandre de Moraes. Vão me investigar! Será que vão dá uma sentença? Fazer uma busca e apreensão no Alvorada como fazem com o povo comum aí? Será que vão fazer isso?”, e encerrou: “vão mandar quem aqui? PF ou Forças Armadas?”

Governo Bolsonaro rompe articulação com STF após pronunciamento de Fux

Caos institucional buscado por Bolsonaro enfim se instalou no Brasil. Após Fux cancelar reunião entre líderes dos poderes, Planalto não procurou mais interlocutores no Supremo

O caos institucional buscado por Jair Bolsonaro (Sem partido) enfim se instalou no Brasil.

Depois de pronunciamento do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, cancelando reunião entre os líderes dos três poderes após Bolsonaro dar sequência aos ataques ao Tribunal Superior Eleitoral e ministros do judiciário, o Planalto rompeu a articulação com a corte.

Desde o fim da sessão do Supremo, quando Fux fez seu pronunciamento, nenhum ministro do governo Bolsonaro procurou interlocução com a corte para amenizar o clima entre as casas.

Durante o dia, Bolsonaro fez mais uma afronta ao condecorar a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, com a medalha Mérito Oswaldo Cruz mesmo questionado pela Justiça.

Na prática, o caos institucional favorece o discurso de Bolsonaro, que busca fortalecer a narrativa criada por ele sobre fraude nas eleições.

Membros da CPI endossam Fux, que cancelou reunião com Bolsonaro após ataques

“Em tempos sombrios, quando as piores pessoas perdem o medo, cabe às melhores não perderem a coragem em defender a democracia”, diz trecho da nota dos senadores

Os senadores que compõem a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os erros e omissões do governo Bolsonaro no combate à pandemia, a CPI do Genocídio, divulgaram nota nesta quinta-feira (5) para prestar apoio a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que vêm sendo atacados pelo presidente.

Durante sessão do Supremo mais cedo, o presidente da Corte, ministro Luiz Fux, subiu o tom contra Bolsonaro e anunciou o

A postura de Fux se deu em reação aos novos ataques promovidos por Bolsonaro contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. O primeiro incluiu o presidente no inquérito das fake news, enquanto o segundo, além de ministro do STF, é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão responsável pela realização das eleições, que vêm sendo colocadas em xeque por Bolsonaro.

“Os integrantes da CPI da Pandemia, abaixo-assinados, subscrevem integralmente a decisão anunciada pelo Presidente do STF, Luiz Fux, e se solidarizam com os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes”, diz a nota da CPI.

“É inegável que o Presidente da República, como método, tenta deslegitimar as instituições e ataca sistematicamente o Judiciário, expediente autoritário de lembranças funestas. A própria CPI tem sido alvo recorrente de tentativas de intimidações por parte do Executivo”, prosseguem os senadores.

Confira.

NOTA DA CPI: EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DA CONSTITUIÇÃO Os integrantes da CPI da Pandemia, abaixo-assinados, subscrevem integralmente a decisão anunciada pelo Presidente do STF, Luiz Fux, e se solidarizam com os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Fux sobe o tom

Apesar de Fux ter reagido aos ataques do presidente, Bolsonaro, em sua live desta quinta-feira, pareceu não ter se intimidado. Inicialmente, tentou parecer parcimonioso e reclamou de “problemas, ruídos e incompreensões que vem de um lado da Praça dos Três Poderes, onde 2 ou 3 se arvoram em ser o dono da verdade”.

Na sequência, o chefe do Executivo voltou a subir o tom e a fazer várias insinuações contra Luís Roberto Barroso, ministro do STF e presidente do TSE, e Alexandre de Moraes, ministro que incluiu Bolsonaro como investigado no inquérito das fake news. Também sobrou para Fux, que foi chamado de “desinformado” pelo presidente.

À tarde, Fux anunciou o cancelamento de reunião que aconteceria entre os chefes dos Três Poderes brasileiros (Executivo, Legislativo e Judiciário) em razão da postura de Bolsonaro. “Como presidente do STF, alertei o presidente da República em reunião realizada nesta Corte, durante as férias coletivas, sobre os limites do exercício do direito da liberdade de expressão, bem como ser necessário e inegociável o respeito entre poderes para harmonia do pais”, afirmou o magistrado.

“Contudo, como tem noticiado a imprensa, nos últimos dias o presidente da República tem reiterado ofensas, ataques e inverdades contra integrantes desta Corte”, prosseguiu. “O pressuposto do dialogo entre os Poderes é o respeito mútuo entre instituições e seus integrantes. Diálogo eficiente pressupõe compromisso permanente com as próprias palavras, o que infelizmente não temos visto no cenário atual”, finalizou.

Bolsonaro minimiza “ultimato” de Fux e repete ataques a ministros do STF

Apesar de começar live em tom mais “brando”, o presidente pareceu não se abalar com discurso e disse que o presidente do STF está desinformado

O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o sistema eleitoral e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante transmissão ao vivo realizada nesta quinta-feira (5). O mandatário parece não ter se abalado com o duro discurso feito do presidente do STF, Luiz Fux.

Durante a transmissão, Bolsonaro insistiu nas alegações que fez durante entrevista à rádio Jovem Pan para colocar em dúvida o sistema eleitoral. O presidente usou um inquérito não-concluído da Polícia Federal sobre uma invasão hacker ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para dizer que trazia provas de que o resultado das eleições de 2018 poderia ter sido fraudado. Essa conclusão não foi feita pela PF, mas sim pelo próprio presidente.

Na entrevista, Bolsonaro alegou ainda que o hacker conseguiu obter um código-fonte e que, com isso, poderia retirar um candidato da urna. Isso, no entanto, não procede.

Na live desta quinta, ele insistiu na tese e disse que o TSE não o desmentiu, o que também é mentira. O tribunal rebateu as suposições do mandatário em nota divulgada na madrugada desta quinta: “O episódio de 2018 foi divulgado à época em veículos de comunicação diversos. Embora objeto de inquérito sigiloso, não se trata de informação nova”.

Fux e Bolsonaro

Apesar de Fux ter reagido aos ataques do presidente, Bolsonaro parece não ter se intimidado. Inicialmente, tentou parecer parcimonioso e reclamou de “problemas, ruídos e incompreensões que vem de um lado da Praça dos Três Poderes, onde 2 ou 3 se arvoram em ser o dono da verdade”.

Na sequência, o chefe do Executivo voltou a subir o tom e a fazer várias insinuações contra Luís Roberto Barroso, ministro do STF e presidente do TSE, e Alexandre de Moraes, ministro que incluiu Bolsonaro como investigado no inquérito das fake news. Também sobrou para Fux, que foi chamado de “desinformado” pelo presidente.

À tarde, Fux anunciou o cancelamento de reunião que aconteceria entre os chefes dos Três Poderes brasileiros (Executivo, Legislativo e Judiciário) em razão da postura de Bolsonaro. “Como presidente do STF, alertei o presidente da República em reunião realizada nesta Corte, durante as férias coletivas, sobre os limites do exercício do direito da liberdade de expressão, bem como ser necessário e inegociável o respeito entre poderes para harmonia do pais”, afirmou o magistrado.

“Contudo, como tem noticiado a imprensa, nos últimos dias o presidente da República tem reiterado ofensas, ataques e inverdades contra integrantes desta Corte”, prosseguiu. “O pressuposto do dialogo entre os Poderes é o respeito mútuo entre instituições e seus integrantes. Diálogo eficiente pressupõe compromisso permanente com as próprias palavras, o que infelizmente não temos visto no cenário atual”, finalizou.

Ameaça

Na entrevista à Jovem Pan e na manhã desta quinta-feira (5) o presidente tratou de ameaçar e debochar do STF. “Olha o que é a ditadura da toga. O que dois ministros estão fazendo no Supremo, Barroso e Alexandre de Moraes. Vão me investigar! Será que vão dá uma sentença? Fazer uma busca e apreensão no Alvorada como fazem com o povo comum aí? Será que vão fazer isso?”, disse. “Vão mandar quem aqui? PF ou Forças Armadas?”, completou.

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