O G7, que realiza sua cúpula nesta sexta-feira, estendeu o convite para Índia, Coreia do Sul e Austrália, mas não ao Brasil.

A situação do país é interpretada no meio diplomático como perda de prestígio internacional e resistência por parte dos países ricos em aceitar a presença de Jair Bolsonaro nas negociações

As principais economias do mundo desenvolvido realizam nesta sexta-feira (11) uma cúpula que tem como pautas meio ambiente, resposta à pandemia e a recuperação do crescimento. A relação com a China e com a Rússia também será tema no evento, de acordo com a coluna de Jamil Chade. O G7 (formado por Estados Unidos, Japão, Alemanha, Canadá, Reino Unido, Itália e França) estendeu o convite para Austrália, Índia e Coreia do Sul, mas não ao Brasil de Jair Bolsonaro.

No G7, a ausência da China, segunda maior potência mundial e que ameaça interesses norte-americanos, aconteceu por uma questão geopolítica, mas a situação do Brasil é interpretada no meio diplomático como perda de prestígio internacional e resistência por parte dos países ricos em aceitar a presença de Bolsonaro nas negociações.

A falta de convite ao Brasil na cúpula desta sexta, sediada pelo governo britânico, demonstrou os prejuízos do negacionismo de Bolsonaro na pandemia e de uma política externa de alinhamento automático ao governo Donald Trump (atualmente os EUA são presididos por Joe Biden). O governo brasileiro esvaziou o Mercosul, afastou-se de projetos na África e passou a minimizar a cúpula dos Brics.

Há dois anos, na França, o presidente Emmanuel Macron fez convites a parceiros e a emergentes durante a cúpula do G7. O Brasil ficou de fora. O governo francês optou por chamar África do Sul, Chile, Egito, Índia, Ruanda e Senegal.

Governo Lula

A primeira real participação do Brasil nos eventos das economias desenvolvidas ocorreu em 2003, no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O então presidente francês, Jacques Chirac, convidou o país e outros emergentes para a cúpula em Evian e que, naquele momento, era conhecida como G8.

Ainda no governo petista, o Brasil fez parte dos eventos de 2005, na Escócia. Em 2006, a chanceler da Alemanha Angela Merkel convidou o Brasil para a cúpula organizada por ela, algo que se repetiu no ano seguinte no Japão e em 2008 na Itália.

Em 2022, a última chance de Bolsonaro dependerá de um convite da Alemanha, país que presidirá o G7 no próximo ano.

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G7 convida aliados para cúpula, mas frustra planos de Bolsonaro

As principais economias do mundo desenvolvido realizam nesta sexta-feira sua cúpula, com uma pauta que inclui a resposta à pandemia, a recuperação do crescimento econômico e meio ambiente. A relação com a China e Rússia também irá dominar as conversas, num debate evidente sobre a reconstrução do sistema internacional para a era pós-pandemia.

O G7, neste ano, optou por repetir o que já é uma tradição e convidou aliados. Mas deixou o presidente Jair Bolsonaro de fora, frustrando os planos do governo brasileiro de se aproximar dos países ricos.

No evento que é sediado pelo governo britânico, o G7 (formado por Canadá, Reino Unido, Itália, Japão, França, EUA e Alemanha) estendeu o convite para Índia, Coreia do Sul e Austrália.

Há dois anos, na França, o presidente Emmanuel Macron também fez convites a parceiros e emergentes durante a cúpula do G7. Mas, uma vez mais, o Brasil ficou de fora. Paris optou por chamar o Chile, Egito, África do Sul, Senegal, Índia e Ruanda.

Em 2020, Bolsonaro anunciou que Donald Trump o havia convidado para a cúpula, que seria organizada nos EUA. Mas a pandemia e a derrota eleitoral do republicano obrigaram a Casa Branca a reconsiderar o evento.

Dentro do governo brasileiro, as esperanças eram elevadas de que Trump incluiria o Brasil em uma nova aliança para repensar o mundo, no período pós pandemia. Em abril de 2020, numa reunião ministerial, o então chanceler Ernesto Araújo chegou a comentar que apostava numa redefinição do sistema internacional diante da covid-19 e indicava que haveria uma possibilidade real de que o Brasil fizesse parte de uma espécie de novo diretório mundial, ao lado dos EUA.

“Eu tô cada vez mais convencido de que o Brasil tem hoje as condições, tem a oportunidade de se sentar na mesa de quatro, cinco, seis países que vão definir a nova ordem mundial”, disse o então ministro, naquele encontro com a presença de Bolsonaro. “É, outro dia a…na conversa do presidente com o primeiro ministro da Índia, o indiano disse que vai ser tão diferente o pós-coronavírus do pré quanto pós Segunda Guerra do pré”, explicou Araújo.

Mas a ausência na mesa das maiores economias do mundo passou a ser uma frustração para o governo brasileiro que, desde que chegou a poder, demonstrou que tinha como objetivo se alinhar aos interesses do Ocidente. Parte da estratégia ainda envolve uma adesão à OCDE.

Enquanto isso, o governo brasileiro esvaziou o Mercosul, desfez alianças na América do Sul, se afastou de projetos na África e passou a minimizar a cúpula dos Brics.

Mas a aproximação esperada com as economias ricas não se concretizou da forma que se esperava e o Brasil continuou fora da mesa de negociações.

No G7, se a ausência da China ocorre por uma questão estratégica e geopolítica, a situação do Brasil é interpretada no meio diplomático como um sinal da perda de prestígio internacional do país e de resistência por parte dos países ricos em aceitar a presença de Bolsonaro na mesa de negociações.

A primeira real participação do Brasil nos eventos das economias desenvolvidas ocorreu em 2003, quando o então presidente Jacques Chirac convidou o país e outros emergentes para a cúpula em Evian e que, naquele momento, era conhecida como G8.

O Brasil fez parte dos eventos de 2005, na Escócia. Em 2006, Angela Merkel uma vez mais convidou o Brasil para a cúpula que ela organizava, algo que se repetiu no ano seguinte no Japão e em 2008 na Itália.

A partir de 2009, diante da crise econômica mundial, o G20 tomou o espaço que era do G7. Com as economias emergentes se transformando em um novo motor do crescimento global, uma das metas dos BRICS era justamente a de retirar o peso político do G7 e transferir para o novo grupo o papel de diretório do mundo.

Naquele momento, o então ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, chegou a dizer que “o G8 morreu”. “Não representa mais nada”, disse. “Eu não sei como vai ser o enterro, às vezes o enterro ocorre lentamente.”

“Hoje, por qualquer critério, economias como China, Brasil e Índia são economias importantes, que têm um efeito na economia mundial maior do que muitos outros que estão no G8”, disse.

A partir daquele momento, o Brasil passou a se distanciar do G8, mas por uma ação deliberada do governo.

O cenário muda radicalmente com o fim do governo de Dilma Rousseff. Mas o caráter transitório do governo de Michel Temer não credenciava o país a voltar à mesa dos grandes.

A morte do G8, como previa Amorim, não ocorreu. Quando finalmente Bolsonaro assume, sua política externa tem como ambição convencer americanos e europeus a lidar com o Brasil como um aliado Ocidental e com projetos econômicos liberais. Mas, pelo menos por enquanto, o presidente brasileiro continua fora dos debates.

Em 2022, sua última chance dependerá de um convite da Alemanha, país que presidirá o G7 no próximo ano.

Jamil Chade

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