A ilusão do futuro

Cada transição da vida, cada momento crucial, nos obriga a plantarmos nosso futuro, nossa identidade e nossos projetos, porque são as encruzilhadas as provas que nos põe a vida para definirmos quem somos realmente.

Muitos se apegam à ilusão do futuro sem saber que somente o que fazem hoje construirá esse futuro, e não o que planejam fazer nele.

São aqueles que deixam para mais adiante tudo o que gostam e, não obstante, seguem submissos a suas obrigações sem reservar um tempo para si mesmos.

É verdade que um bom trabalho é aquele que permite viver o presente e pode às vezes assegurar economicamente o futuro, mas quantas coisas são proteladas e deixadas para trás na estrada?

São esses pequenos ou grandes prazeres que celebram a vida ou os que desejam, que querem reservar um tempo para si mesmos e se permitir a liberdade de escolher e viver com entusiasmo. Se não tomam esses momentos hoje, também não o farão amanhã, nem no ano que vem, nem nunca, porque estar alienado em um trabalho e transformá-lo em uma ocupação em tempo integral significa não saber se pôr limites.

Quando se vive somente para ganhar dinheiro, se perde o entusiasmo por outras coisas. Alguns se dão conta somente quando percebem que possuem tudo e ainda assim se sentem insatisfeitos.

Algumas necessidades não podem ser muito adiadas, pois o que poderia ser urgente hoje no futuro não será mais ou não será conveniente realizar. Por exemplo ter um filho, praticar um esporte, mudar de emprego, de casa, obter um diploma universitário ou terminar a escola secundária.

A cada dia somos diferentes porque vamos mudando, não só na aparência, mas também na forma de pensar, nos gostos, e podemos desejar outras coisas. Tudo o que não ousamos fazer em um certo momento não será mais possível ou necessário mais tarde. Por mais audacioso que possa parecer, creio que será sempre melhor se atrever a fazer o que desejamos agora do que viver com o arrependimento de não ter feito.

As pessoas corajosas tentam tudo e não se importam se fracassarem porque se divertem ao fazer o que gostam e não têm necessidade de agradar a todo mundo e menos ainda de obter sucesso.

A única coisa que nos faz nos sentirmos bem é viver com entusiasmo, pois se submeter demais à rotina, sem tomar um tempo pra si mesmo, faz com que a vida perca o sentido.

Para alguns a realidade parece se acomodar, mas para outros ela oferece a oportunidade que necessitam para se realizar.
As crises nos obrigam a mudar e isso não pode ser evitado, pois a mudança é imposta imperiosamente pelo exterior e dificilmente se permanece o mesmo.

Somos seres inteiros, não precisamos ser forçados a agir e muito menos que nos deem essa permissão. Não precisamos nos sentir compreendidos e menos ainda por alguém próximo que se acostumou com uma atitude serviçal à qual não está disposto a renunciar.

No entanto, pode-se avançar da mesma forma sem deixar quem quer que seja no caminho quando o desejo de ser si mesmo é verdadeiro e não há objetivos escondidos. Pois aquele que necessita de apoio para cumprir suas próprias metas pode não estar seguro de suas convicções e corre o risco de abandoná-las quando esse apoio faltar.

Todos estamos limitados pelas circunstâncias e uma só decisão pode mudar o rumo de nossas vidas. Porém quando as condições são adversas, cada um age de forma diferente porque isso depende do projeto de vida. Se uma única pessoa consegue sair de um condicionamento social, todos podem fazer o mesmo, desde que tenham um projeto construtivo.

Hebdolatino é muito mais que um simples projeto jornalístico reinserido em uma comunidade.

Por Eduardo Camin

Tradução:  Ana Paula Candelaria