Não sou eu que declarei, foi a ONU que se pronunciou : – O coronavírus é a maior crise sanitária e humana, depois da 2° guerra mundial ».

Refletindo aqui sozinha no meu isolamento, o « tal presente » ou « vivam o presente » que, muitas terapias, religiões, meditações, mantras e outros, nos diziam sem parar, eram escutados e não praticados, viram o dia nascer.

Vivíamos uma vida corrida, pensando no futuro imediato ou a longo prazo, fazíamos planos de viagens, de comprar um novo telefone, aquela roupinha de marca, um carro novo e para os mais humildes, aquele passeio e um churrasquinho na praia, no dia de domingo.

Tudo isso faz parte do passado de alguns dias atrás. Hoje, mais do que nunca, estamos vivendo o dia a dia, sem pretenções no amanhã.

A ciência não sabe, os governos estão mais perdidos que o coronavírus no ar, a indústria farmacêutica se virando na química. A Terra se recuperando e sorrindo.

As resoluções passaram a ser dadas dependendo da estatística da curva de contaminados e mortos. Não temos certeza de nada, o princípio da incerteza de Heisenberg, parece ter um certo sentido neste momento conflitante, não é possível medir, simultaneamente e com exatidão, grandezas diretamente relacionadas como velocidade e posição de um corpo.

Segundo o OMS, a única maneira eficaz de conter a contaminação é o isolamento, mas, isso não significa a cura e nem a disparição do vírus.

Apenas é uma medida de conter o caos nos hospitais, haver menos contaminados e dar tempo para os governos comprarem os equipamentos hospitalares e medicais.

Desde março, um terço da população mundial vive com alguma restrição de «ir e vir».  Em muitos países o isolamento é realmente total. Até quando ?

Alguns cenários são possíveis de imaginar, o otimista, mas improvável, que a vida retorne ao normal em dois meses. Segundo William Hanage, professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, tal conjuntura só se concretizaria se houvesse uma mudança de comportamento do próprio vírus.

Em outros cenários mais pessimistas, seriam de três a quatro meses, entretanto, se a interação dos cientistas do mundo inteiro estudando as reações do vírus no corpo humano e como adquirir anticorpos para eliminá-lo, seja em conjunto.

Algumas pesquisas já estão sendo desenvolvidas.

 Parece que uma experiência denominada covid-plasma, usada na epidêmia do Ebola, ou seja, tirar sangue das pessoas curadas do covid-19, que já adquiriram anticorpos, centrifugar e retirar o plasma e transferir para as pessoas gravemente contaminadas para que elas, também, tenham os anticorpos para combater a doença. Pensei sobre isso e achei racional, no entanto, deve ainda ser testada, parece que a França vai realizar os testes esta semana.

Temos ainda, a polêmica da cloroquina que é usada na cura da malária e de seu derivado a hidroxiclorina ou da associação do lopinavir e ritonavir que é usada nos casos de HIV.

Em quadro bem negativo, segundo Adam Kucharski, epidemiologista da Escola de Higienie e Medicina Tropical de Londres, ele acredita que não seja possível fazer uma previsão de retorno à normalidade : – Esse vírus vai potencialmente circular por um ou dois anos ».

Algumas empresas e centros de pesquisas do mundo estão trabalhando arduamente para desenvolver uma vacina. Na melhor das hipóteses, só ficaria viável no prazo de 12 a 18 meses, tempo que demora para ter a sua eficácia comprovada. O que seria a condição ideal para banir o vírus da face da Terra.

O isolamento, também, poderia ser suspenso quando os casos diminuem e retornar quando há um novo aumento. Será ?

E nesse caso, a vida cotidiana voltando à normalidade com cautela, os encontros sociais restritos, o traballho potencial adaptado a uma nova realidade, ou seja, funcionários realizando as suas tarefas em turnos diferentes para evitar aglomeração nos escritórios ou teletrabalho, tele-aulas. Restrição de bares, restaurantes, concertos de música. Ainda, o uso de máscaras, luvas, distanciamento social de 2 metros, obrigatórios.

Diante desta grave situação, a melhor solução seria testar toda a população e isolar os contaminados, como procedeu a Coreia do Sul e atualmente a Alemanhã. Os contras são, a falta de testes e a capacidade de produzi-los em grandes quantidades e a piratagem das cargas pelos países, como está acontecendo, como exemplo, os EUA que ficaram com equipamentos medicais destinados ao Brasil e por aí vai, cada um por sí. Não chegamos ainda, ao ponto de entender a verdadeira solidariedade.  

Contudo, é necessário ter muito cuidado em saber o quão rápido deve-se relaxar o isolamento, mesmo quando a curva de infectados pareça controlada.

Para àqueles que acreditam em datas previstas pelos governos de acabar com o isolamento e a vida voltar à normalidade, não se iludam, vai demorar.

E, o pior dos cenários, seria a seleção da espécie ditada pelas leis da natureza.

Triste realidade que se impôs na nossa existência, choramos os mortos e aplaudimos ao mesmo tempo, os que ficam.

Por Miriam Rey