A imprensa mundial se mobiliza para assistir o julgamento de ex-presidente Luís Inácio da Silva. O foco e o principal interesse de todos, é a condição eleitoral do Lula.

As possíveis consequências eleitorais do resultado do julgamento da apelação criminal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, atraem as atenções da imprensa internacional para a cobertura da sessão na próxima quarta-feira.

Se tiver a condenação confirmada em segunda instância, Lula, hoje líder nas pesquisas de intenção de voto para a presidência da República, pode ser enquadrado na lei da Ficha Limpa, o que o impediria de disputar as eleições de outubro.

Houve por volta de 400 pedidos de credenciamento de imprensa, que ainda estão passando pela triagem do TR4 – pedidos duplicados estão sendo novamente analisados e solicitações de estudantes, assessorias de imprensa e produtoras independentes foram automaticamente descartadas pelo órgão. Uma boa parte da cobertura jornalística será feita por veículos estrangeiros, como a rede Al-Jazeera ; Catar; a BBC de Londres e a agência AF, da Espanha.

A sala de imprensa do TRF4 autorizou 100 dos profissionais cadastrados, entre repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, que não poderão sair das dependências do tribunal, mas vão acompanhar o julgamento a partir de um telão. Outras equipes e veículos – incluindo 10 unidades móveis de TV – fizeram o credenciamento para ficar na rua em frente ao tribunal, espaço que estará restrito ao público.

As atenções internacionais estarão voltadas ao julgamento porque o ex-presidente continua sendo a figura mais representativa do Brasil no exterior, mesmo oito anos depois de deixar o Palácio do Planalto. “Na Espanha, as pessoas perguntam muito dele (Lula), enquanto o presidente Michel Temer (PMDB) ninguém conhece. Lula segue tendo peso político no cenário mundial », segundo Carlos Meneses (Agência de notícias Espanhola – EFE).

Ao mesmo tempo o mundo está de olho e reconhece que os processos contra o ex-presidente afetam a sua credibilidade, são sete processos ao todo. Por um lado há esse imaginário de Lula, um presidente populista, por outro, ele é associado a Operação Lava-Jato, do também midiático juiz Sérgio Moro.

« A possibilidade do ex-presidente insistir no registro da candidatura mesmo com a confirmação da condenação, reduz a repercussão do julgamento na mídia internacional » Paulo Cabral – CGTN Americana.

Segundo o correspondente da TV chinesa, a figura de Lula continua muito popular no exterior, “Apesar de todo mundo saber que ele não é aquele herói de antes”. “Ele é mais bem visto no exterior do que no Brasil. Lembra um pouco o Mikhail Gorbachev (ex-presidente da União Soviética), que é muito queimado na Rússia, mas tem a imagem externa descolada da imagem interna».

O julgamento do recurso de apelação que tenta reverter a sentença de condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será transmitido pelo YouTube no dia 24 de janeiro, a partir da sala de audiências no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), no canal oficial do TRF4 no endereço : youtube.com/user/TRF4oficial, das 8h30min até 15h, horário previsto para o término do julgamento.

O procurador regional da República Mauricio Gotardo Gerum não formalizou, e não vê razões para formalizar, qualquer pedido em relação à prisão cautelar do ex-presidente”, afirma a Procuradoria Regional da República da 4ª Região. Gerum, responsável pela sustentação oral em julgamento de recurso da defesa do petista contra a pena de 9 anos e 6 meses no caso triplex, entende que Lula cometeu três crimes, diferente do que sentenciou o juiz federal Sérgio Moro.

O magistrado da Lava Jato entendeu que o triplex no condomínio Solaris, no Guarujá, e suas respectivas reformas custeadas pela OAS, foram formas de pagamento de propinas de R$ 2,2 milhões ao ex-presidente.

Para a Procuradoria da República da 4ª Região, Lula cometeu um crime de corrupção para cada contrato entre a OAS e a Petrobras. O juiz Sérgio Moro considerou que o ex-presidente cometeu um delito neste enquadramento. Gerum ainda vai sustentar que há “nexo causal” entre a assinatura dos contratos e o recebimento de propina por Lula.

Vamos assitir o julgamento e tirar as nossas próprias conclusões, como cidadãos temos o dever de saber a verdade, se é que ela ainda existe no país onde « tudo pode ».

Por Miriam Rey