Acabaram-se as férias. Como todas as férias, foram  muito curtas.   Durante essas duas semanas que estivemos ausentes , o mundo continuou seu curso. No Afeganistão,as tropas norte-americanas se retiraram em um caos que  tornou-se um espetáculo em todas os noticiários do planeta.   Biden vai ter que pagar o preço de uma guerra que não começou, que dura vinte anos e que há muito tempo não tinha mais razão para existir. Mais um fracasso militar e político dos EUA depois do Vietnã, Coreia, Síria, Iraque etc.

Em uma demonstração de desonestidade, os republicanos fazem tudo o que podem para impedir que o povo estadounidense  se lembre de quem negociou a evacuação das tropas do Afeganistão. Mas a direita nos Estados Unidos, como a de muitos países, confirma a alegação de que quando a direita ganha é um triunfo da democracia, quando a oposição ganha é fraude e tudo é justificado para sabotar o governo. Os interesses do país não importam, só importam os interesses que o partido defende. Vemos isso no Peru, onde a direita corrupta e mafiosa está disposta a colocar todo os tipos de dificuldades no governo Castillo e no Brasil,  a extrema direita bolsonarista ameaça a sociedade todos os dias com um colapso institucional para salvar o clã Bolsonaro de uma possível condenação pós-2022.

À medida que o país se aprofunda na crise econômica, politica, sanitária e cultural, Bolsonaro expõe diariamente seu cinismo, sua incapacidade de governar e seu desequilíbrio mental. Na Venezuela parece haver uma intenção de negociar enquanto na Nicarágua a escalada ditatorial de Ortega continua, seu projeto de revolução evangélica-social autoritária,   que não tem mais nada a ver com o sandinismo e os princípios da revolução. No Paraguai, o governo continua a esconder um crime de Estado gravisimo, o assassinato de duas meninas argentinas de 11 anos, torturadas e executadas pelo exército e nunca esclarecidas. Em Cuba, os cidadãos se organizam para proteger os avanços da revolução contra os ataques criminosos dos Estados Unidos, incapazes de quebrar a vontade de um povo inteiro, cometendo o erro de não perceber que o epicentro da nova revolução latino-americana hoje é a Bolívia e não Cuba, o primeiro país plurinacional liderado pelos povos originais,   escravizados e marginalizados desde a desastrosa chegada dos espanhóis  no continente.

Na Europa, as catástrofes climáticas se somam a um difícil controle da pandemia na medida em que os governos devem lutar contra a politização da crise sanitaria e o surgimento de movimentos conspiradores, antivacinas, antitudo em nome de uma suposta liberdade individual que reflete até que ponto construímos uma sociedade baseada no egoísmo e no individualismo.

Em suma, a humanidade continua em seu caminho autodestrutivo, negando a urgência climática, incapaz de se comportar solidariamente para enfrentar a pandemia, incapaz de encontrar uma forma de organização política e social que evite as imensas diferenças entre ricos e pobres, as profundas injustiças entre os países do norte e do sul. Se olharmos para o mundo, a crise é permanente e generalizada. Falta paz e harmonia para que os seres humanos possam buscar as respostas.   Na população, exausta por um sistema que explora a maioria para a satisfação de uma minoria, cegada por mentiras e manipulações, crecem os problemas psiquiatricos e de depressão.  O sistema político predominante, a Democracia Liberal, tem mostrado seus limites e suas falhas.

É isso que queremos discutir no jornal Hebdolatino. Procurar novas formas de organização política, novos pensamentos, novas formas de ver o mundo e buscar respostas para poder dar uma chance mínima de sobrevivência às gerações futuras. Todos estão convidados para esse diálogo. Aceitamos todas as contribuições que possam nos levar na direção de um debate aberto e sem preconceitos ou dogmas, com o devido respeito à divergência.

Para todos aqueles que quiserem participar deste debate, você pode enviar suas contribuições para: alfonsovaquezun@hotmail.com

Permita-me  lembrá-los que a imensa riqueza deste mundo é a divergência, a divergência de línguas, culturas, aparências, ideias e pensamentos e não é mais permitido querer, no século XX,  impor um único caminho sobre o resto da humanidade. Cada país, cada nação, cada povo tem o direito absoluto de escolher seu caminho, sua forma de organização e representatividade em relação aos direitos de todos. As grandes potências, que muitas são apenas por causa do poder militar e nada mais, não podem continuar a dividir o mundo de acordo com seus interesses ignorando o sofrimento de milhões de pessoas que pagam as consequências.

Temos que lutar contra o terrorismo real, que é o daqueles que acham que detêm a verdade absoluta e são capazes de todas as atrocidades para impor sua lei, e dobrar os povos aos seus interesses, sejam eles religiosos, políticos e econômicos. 

Nossa luta é por um planeta livre de dogmas, de ideologias criminosas e nefastas, por um planeta livre liderado por seus habitantes em harmonia, solidariedade e fraternidade.

Utopia? Talvez, mas se não o fizermos, decretaremos o fim da raça humana em sofrimentos atrozes, seja por causa de guerras, destruição por causas climáticas, crises sociais ou morte devido à epidemias que não seremos capazes de controlar. Covid-19 é só o começo.

Alfonso Vásquez Unternahrer