Blue Whale Challenge (Desafio da Baleia Azul)

A sociedade moderna desfruta de uma ligação global, a internet une e informa diretamente, os fatos sucedidos em qualquer canto do mundo. Estamos todos conectados e vivemos a vida de outros e de outras paisagens, sentados confortavelmente, em frente ao nosso computador.

A nova era transparente é carregada de coisas boas e não tão boas. As mensagens de amor, paz, física quântica e receitas de bolos se misturam com videos en live, de suicídios, jogos assassinos, poses eróticas e mentiras postadas.

Todos são jornalistas no novo tempo, basta ter um telefone e uma conexão. Fácil presenciar situações, registrar e publicar, pronto, o mundo inteiro vê a nossa rotina. Os olhos do mundo e os nossos olhos são os mesmos. Um dia não saberemos quem somos e quem são eles.

As mortes en live são assustadoras e criam um novo perfil social, pelo qual, muitos jovens, pessoas depressivas ou solitárias, podem facilmente ter acesso e tornar a sua morte conhecida e presenciada por bilhões de pessoas, talvez para muitos, esse ato seja o único em que a sua vida teve platéia e algum sentimento, mesmo que seja de pura pena.

Na segunda-feira, um tailandês de 20 anos, estarreceu o mundo com as imagens em direto do momento em que matava o seu bébé antes de se suicidar. As imagens ficaram várias horas em linha até que o Facebook as retirou. Um contrôle direto também deveria existir, postou cenas sangrentas, violentas e agressivas, corta imediatamente. O que os olhos não vêem, o coração não sente.

O patrão e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, prometeu continuar a “fazer tudo o que é possível para evitar este tipo de tragédia” mas admitiu que a tarefa não seria fácil.

O Facebook tem sido acusado de censura, como exemplo, suprimiu várias contas na Noruega, as imagens de uma menina Vietnamita sob os bombardeamentos de Napalm em junho de 1972, porque a criança estava nua.

Com quase 2 bilhões de utilizadores, o Facebook está realmente vulnerável a esta realidade. Legalmente a rede social não é responsável pelos conteúdos dos utilizadores na sua plataforma e em termos de práticas de negócio, eles não têm responsabilidade, eles põem à disposição uma rede de difusão para que as pessoas publiquem. No caso de violência e crimes, como é que podem saber se é real ou se é um filme montado. Mas mesmo assim, eu sou a favor de uma censura em casos de cenas violentas.

Há quem questione se não seria melhor desativar a aplicação de difusão em direto, Facebook Live. O problema é que ela faz parte do eixo de desenvolvimento estratégico do grupo.

Os jogos de fácil acesso na internet, colocam em evidência o perigo que podem representar, principalmente para os adolescentes.

Um jogo que estimula o suicídio de adolescentes, iniciado na Rússia, atravessou a Europa e pode ter chegado ao Brasil. É o Blue Whale Challenge (Desafio da Baleia Azul), que chama a atenção de médicos, psicólogos e pais do mundo inteiro.

As autoridades russas investigam mais de 150 casos em que adolescentes se mataram após participar desse jogo macabro, em apenas seis meses. O Brasil começa a ter os primeiros sinais desta prática que está fazendo vítimas locais.

A inspiração do jogo é uma crença popular segundo a qual a baleia azul seria capaz de se suicidar indo voluntariamente encalhar na praia. O “desafio” consiste em incitar os participantes, geralmente em grupos secretos no Facebook, a completar 50 desafios, que conduzem lentamente à morte.

Os participantes dessa prática cumprem uma tarefa por dia. A lista do que fazer é entregue aos poucos por uma espécie de tutor, quase sempre o administrador de uma página secreta no Facebook. A todo momento, eles são avisados de que este é um jogo sem volta.

As tarefas começam simples, desenhar uma baleia em uma folha de papel, passar a noite ouvindo música ou vendo filme de terror. Mais tarde, as tarefas ficam mais agressivas, tatuar uma baleia no braço com uma faca, insultar os pais, mutilar os lábios e etc.

Além do jogo macabro, o suicídio está sendo abordado em uma série que virou “febre” no Netflix, o 13 Reasons Why, baseada no romance Thirteen Reasons Why, de Jay Asher. É a história de um estudante que encontra uma caixa contendo sete fitas cassete gravadas por uma colega que tinha se matado. Nas fitas, ela explica a treze pessoas como eles desempenharam um papel na sua morte.

Especialistas advertem que adolescentes são vulneráveis a armadilhas e a depressão, porque estão sofrendo a pressão de sair da infância, das descobertas da vida afetiva e da sexualidade.

O seriado, o jogo e o videos violentos têm a temática do suicídio, isso deixa claro o quanto os jovens não estão sendo ouvidos, estão sendo negligenciados.

Mudanças na alimentação, no sono, isolamento, dificuldade em se concentrar, falar ou pensar sem clareza, culpa, angústia e ameaças de ir embora, podem ser sintomas de um suicidário.

Vamos prestar atenção no comportamento dos nossos adolescentes, vamos escutar mais e dialogar mais. Afeto com muito amor e carinho são fundamentais.

Por
Miriam Rey