“Para alguns, sou fotojornalista. Não é verdade. Para outros, sou um militante. Tampouco. A única verdade é que a fotografia é minha vida. Todas as minhas fotos correspondem a momentos intensamente vividos por mim. Todas existem porque a vida, a minha vida, me levou até elas”.
Sebastião Salgado

O filme foi longamente aplaudido de pé no Festival de Cannes, em maio passado, quando conquistou um prêmio especial na mostra Um Certo Olhar. Não é difícil entender o motivo de tantos elogios: o documentário tem como base a força das imagens captadas pela câmera de Sebastião Salgado. Wim Wenders conta que conheceu a arte de Salgado em uma galeria na Europa, onde comprou duas obras: de Serra Pelada e de uma mulher tuareg cega. Nelas, diz o diretor alemão, logo percebeu que “ele realmente se importava com as pessoas. E as pessoas são o sal da terra”.

O Sal da Terra foi exibido no Festival do Rio, em outubro, mas ainda não tem data de estrear no circuito comercial do país. A cerimônia de entrega do Oscar ocorrerá no dia 22 de fevereiro de 2015, em Hollywood. O evento será transmitido ao vivo em mais de 225 países do mundo inteiro.

Seleção

O filme, dirigido pelo filho de Salgado, Juliano Salgado, e pelo alemão Wim Wenders, foi selecionado num universo de 134 inscritos para concorrer à estatueta. Os outros quatro filmes que concorrem na mesma categoria são “Citizenfour”, “Finding Vivian Maier”, “Last days in Vietnam” e “Virunga”.

Juliano Salgado estava em Berlim, almoçando com sua mulher, Ivi Roberg, e com o diretor brasileiro Karim Aïnouz, quando recebeu a notícia da indicação de “O sal da Terra”. Ele acredita que a mensagem de esperança do documentário foi essencial para o sucesso junto aos eleitores do Oscar:

— Esse filme tem uma mensagem muito forte para passar. Por ele, a gente vê as coisas através dos olhos do Sebastião, consegue arrumar um jeito de ter esperança apesar dos problemas e do pessimismo no mundo. É uma ideia de que é possível fazer um amanhã melhor — diz. — É uma sorte termos sido indicados e podermos compartilhar essa mensagem com mais pessoas.

Depois do anúncio das indicações, Juliano conta que seu telefone não parou mais de tocar. Ele também falou com seu pai e tema do filme.

— Ele está emocionadíssimo, muito orgulhoso do filme — conta. — Agora vamos ver o que fazer. Não tenho ideia do próximo passo, se temos que fazer campanha, nada disso. O Wim está acostumado com isso, eu não. Mas estou extremamente feliz.
Filme de abertura do último Festival do Rio, “O sal da Terra” já havia marcado presença na atual temporada de premiações de cinema ao receber uma indicação no Spirit Awards.

Sebastião Salgado; fotografo do humano

sebastiao-5Quem que não se emociona com as fotos do renomado Sebastião Salgado? Nascido em fevereiro de 1944, em Minas Gerais, estudou economia e militou em movimentos políticos antes de começar a trabalhar com fotografia, área em que já acumula 40 anos de dedicação. Com seu olhar minucioso, generoso, delicado, ele retrata desde a beleza límpida até a maior das injustiças e desigualdades. Consegue, de uma forma única, através de suas fotos em preto e branco, captar a essência humana.

Em seu livro “Da Minha Terra à Terra”, o fotojornalista conta como a fotografia começou a fazer parte de sua vida. Na verdade, como ele era economista, descobriu a fotografia por acaso, mas gostou tanto que fez da fotografia seu estilo de vida. Salgado fala sobre a sua infância, seu engajamento político e as questões éticas e existenciais presentes em seu trabalho. Ele viajou muito, conheceu mais de 120 países, mas passou por muitas dificuldades também nessas suas tantas aventuras pelo mundo. No livro, o mestre, discorre acerca de detalhes técnicos da arte de fotografar, falando sobre sua passagem do filme para o digital, e sobre como essa passagem não modificou sua maneira de trabalhar. Ele diz que se desconecta do mundo em suas viagens, relacionando-se com o local, vivenciando aquele modo de viver que está experienciando, ligando-se e moldando-se a ele e ao contato com a natureza. Sebastião Salgado fala, de maneira muito emocionante, da importância de sua mulher, Lélia, em sua vida. Com muito amor, admiração e respeito, diz que nada disso seria possível sem seu apoio e companheirismo – uma verdadeira parceria de vida.

Junto a ele, vai concorrer nesta 87ª edição do Oscar outra produção que se baseia na vida de uma fotógrafa, neste caso a americana Vivian Maier, que trabalhou como babá até que seus negativos – escondidos durante a Segunda Guerra Mundial – foram descobertos.

Apresentado no último Festival de Cannes, onde ganhou o prêmio especial do júri da seção “Um Certo Olhar”, o documentário faz um percurso preciosista da impressionante obra de Salgado e sua forma de se aproximar da natureza para retratá-la em todo seu esplendor e, às vezes, horror.

Com muitas imagens fixas que mostram até os mais mínimos detalhes do trabalho de Salgado, o documentário recolhe mais de quatro décadas de viagens por todo o mundo, nos quais o brasileiro visitou áreas virgens e isoladas de todo contato humano.

Um filme que mostra algumas das fotografias mais conhecidas de Salgado, como as que documentam as condições infernais de trabalho nas minas da Indonésia, o drama da pesca tradicional na Sicília em sua série “Trabalhadores” (1993), ou ainda sua visão do drama dos refugiados em “Êxodos” .

https://www.youtube.com/watch?v=Zc1VlywFNSw

https://www.youtube.com/watch?v=nbNAXC8kqT0