O Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, terá lugar em Roma de 6 a 27 de outubro de 2019, tendo como tema: “Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Examinará questões importantes para “cada pessoa existente neste planeta”, como escreveu o Papa Francisco na introdução à sua Carta Encíclica Laudato si’ (LS).

Laudato si’ (Louvado sejas; subtítulo: «Sobre o Cuidado da Casa Comum») é uma encíclica do Papa Francisco, na qual ele critica o consumismo e desenvolvimento irresponsável e faz um apelo à mudança e à unificação global das ações para combater a degradação ambiental e as alterações climáticas.

A encíclica foi publicada oficialmente em 18 de junho de 2015, mediante grande interesse das comunidades religiosas, ambientais e científicas internacionais, dos líderes empresariais e dos meios de comunicação social.

 Este documento é a segunda encíclica publicada pelo papa Francisco, após a publicação de Lumen fidei em 2013.  Laudato Si é vista como a primeira encíclica inteiramente da responsabilidade de Francisco. As afirmações da encíclica sobre as alterações climáticas estão de acordo com o consenso científico sobre as alterações climáticas.

Os Pontífices fizeram amplo uso dos Sínodos, que se dividem em três categorias: “Assembleia geral ordinária”, para questões relativas à Igreja universal; “Assembleia geral extraordinária”, para questões particularmente urgentes relativas à Igreja universal; e “Assembleia especial”, para questões relativas a um continente ou região específica. O próximo Sínodo para a Amazônia é o décimo primeiro Sínodo da categoria “especial”.

O Sínodo para Amazônia foi uma resposta do Papa Francisco à realidade da Pan-Amazônia. De acordo com Francisco, “o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, e, por causa da crise da exploração e das queimadas da Floresta Amazônica, pulmão de nosso planeta.

A Amazônia tem uma extensão de 7,8 milhões de km2. Inclui áreas do Brasil, Bolívia, Perú, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Conta com cerca de 33 milhões de habitantes, 3 milhões dos quais são indígenas pertencentes a 390 grupos ou povos diversos.

O seu impacto no ecossistema planetário: a bacia do Rio Amazonas e as florestas tropicais circundantes nutrem o solo e regulam, através da reciclagem da humidade, os ciclos da água, da energia e do carbono a nível planetário.

As comunidades que habitam a região amazônica identificaram os seguintes problemas como questões de importância crucial para o Sínodo :

A criminalização e o assassinato de líderes e ativistas que defendem o território.

A apropriação e a privatização de bens naturais, incluindo a água.

As concessões de abate legal e ilegal de árvores.

As práticas predatórias de caça e pesca.

Os megaprojetos infraestruturais: concessões hidroelétricas e florestais, abate de árvores para a produção de monoculturas, estradas e ferrovias, projetos mineiros e petrolíferos.

A poluição provocada por toda a indústria extrativa, que causa doenças.

O narcotráfico.

Os problemas sociais, tais como, o alcoolismo, a violência contra as mulheres, a exploração sexual, o tráfico de seres humanos, a perda da cultura e identidade originárias e a condição de pobreza no seu todo, à qual estão condenados os povos da Amazônia.

 

O Instrumentum Laboris (IL) do Sínodo sublinhou outros elementos cruciais:

A falta de demarcação dos territórios indígenas e a falta de reconhecimento do seu direito à terra.

 As pessoas e o ecossistema são interdependentes de um modo dinâmico. Para muitas pessoas da Amazônia, o território é também o lugar onde se encontram as suas raízes históricas, onde habitam os espíritos dos seus antepassados, e onde podem experimentar todas as dimensões do bem viver.

Estas conotações do “território” estão em sintonia com a escolha do Papa Francisco do termo “casa” para descrever a totalidade da relação e da responsabilidade dos seres humanos para com o planeta.

A cosmovisão amazônica e a visão cristã do mundo estão ambas em crise, em virtude da imposição do mercantilismo, da secularização, da cultura do descarte e da idolatria do dinheiro. Esta crise afeta em especial os jovens e os contextos urbanos, que perdem a ligação com as raízes da tradição. Por outro lado, as migrações dos últimos anos intensificaram as transformações religiosas e culturais da região.

A crise da região amazônica, os problemas gerais em relação à vida humana e ao ambiente natural são graves. Ambos – vida humana e ambiente – sofrem de uma séria e talvez irreversível destruição.

Sete em cada dez católicos brasileiros consideram muito importante preservar a Amazônia, 85% concordam que “atacar a Amazônia é um pecado” e 87% dos católicos disseram confiar no Papa Francisco. Esses números estão na pesquisa feita pelo instituto Ideia Big Data para avaliar a posição dos fiéis sobre políticas para a região por ocasião do Sínodo dos Bispos para a Amazônia.

O Sínodo têm apoio de entidades como, as ONGs WWF-Brasil, Instituto Clima e Sociedade (iCS), Movimento Católico Global pelo Clima (GCCM), Climainfo, Iser e Uma Gota no Oceano.

Na pesquisa, sobre as ações ou declarações do presidente Bolsonaro na área ambiental : 75% se mostrou contrária à ideia de acabar com as multas ambientais e discordou do enfraquecimento do Ibama (73%). Os católicos são contrários à redução de reservas indígenas (67%). Metade também discordou da afirmação de que somos o país que mais preserva o meio ambiente no mundo.

O modelo econômico que está sendo implantado na Amazônia, em nome de um falso desenvolvimento, está gerando muita pobreza, miséria e destruindo a rica biodiversidade da floresta.

 Não dá para pensar nessa destruição dos biomas em nome do lucro, do agronegócio, é antiecológico e pode significar a destruição da « Casa Comum ».

« Deus nos preserve da ganância dos novos colonialismos. O fogo ateado por interesses que destroem, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é do Evangelho. O fogo de Deus é calor que atrai e congrega em unidade. Alimenta-se com a partilha, não com os lucros ». Papa Francisco

 

Miriam Rey