O ser humano tem ideias brilhantes, curioso, inventivo, criativo e inspirado mas entre a genialidade, a realização e as consequências de sua criação, existe um vazio antiético enorme.

Há muito tempo atrás quando eu trabalhava em uma fábrica petroquímica que produzia o plástico, um dia qualquer desse passado, refleti sobre o perigo do consumo exagerado desse produto, naquele tempo ninguém falava sobre a inundação poluente do plástico no mundo, eu tive uma premonição baseada na observação e comentei com o meu chefe da época : – « Um dia ainda vamos comer plástico ». Ele sorriu desacreditando.

Infelizmente a realidade é diante de nós e as consequências são duras demais para a Mãe Natureza, para a nossa saúde, e para o legado das próximas gerações.

Cientistas americanos descobriram que, de 1950 — data em que a produção em larga escala dos materiais sintéticos começou — até 2015, os seres humanos geraram 8,3 bilhões de toneladas métricas de plástico. Desse número, 6,3 bilhões de toneladas se tornaram resíduos. Menos de 10% desse montante foi reciclado. Os pesquisadores preveem que cerca de 12 bilhões de toneladas métricas de resíduos plásticos terminarão em aterros sanitários ou no ambiente natural até 2050.

Produtos feitos de plástico estão incorporados ao cotidiano das pessoas em todo o mundo: embalagens, brinquedos, móveis, tecidos, automóveis e etc. O uso do material revolucionou a indústria, mas também gerou um grande desafio para o planeta: o acúmulo de lixo.

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A produção anual de plástico subiu de 2 milhões de toneladas métricas, em 1950, para 400 milhões de toneladas métricas, em 2015. Um cenário alarmante.

Praticamente todo o plástico descartado nas últimas décadas continua de alguma forma na natureza – grande parte desse lixo dito descartável volta para nós contaminando os mares e sua cadeia alimentar, inclusive o ser humano.

Uma enorme capa tóxica de plástico cobre os oceanos. Dezenas de pelicanos estranhamente mortos com isqueiros, soldadinhos de plástico e outros fragmentos do mesmo material no estômago. Baleias azuis e uma misteriosa síndrome que as deixa famintas. Pode parecer um cenário de ficção, mas trata-se de um alerta de uma realidade destrutiva, que ameaça à biodiversidade marinha e à vida humana.

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Misturado ao plâncton, conjunto de plantas e animais microscópicos que formam a base da cadeia alimentar marinha, o plástico é ingerido por pequenos animais e contamina a biodiversidade do mar de forma progressiva e cumulativa, colocando em risco também a saúde humana. Afinal, os peixes são fontes de proteínas na dieta de boa parte do mundo.

Os plásticos possuem toxinas relacionadas a diversas doenças, como câncer, diabetes e disfunções autoimunes.

Estamos vivendo um tsunami de plástico, Quais seriam as soluções para reduzir essa onda enorme que está matando a vida aquática, poluindo o meio ambiente e destruindo o planeta ?

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Tenho algumas ideias, as fábricas poderiam colocar em prática, um tipo de produção, onde o produto fosse idealizado desde o início até o final do ciclo, ou seja, das prateleiras ao consumidor e finalmente a eliminação do produto de uma maneira sem poluição. Será possível ? Acredito que sim, pois se somos capazes de inventar coisas incríveis também somos capazes de transformá-las sem causar males ao nosso habitat.

Outra solução seria, se os produtos de plástico fossem criados com a reciclagem em mente, eles poderiam ser reutilizados muitas vezes. Uma garrafa, segundo alguns estudos, poderia ser reciclada até 20 vezes. Isso seria uma redução significativa dos resíduos. No entanto, 90% do material que de fato é reciclado – cerca de 600 milhões de toneladas – só foi reciclado uma vez. Aí entra o fator « ganância », produzir e consumir cada vez mais, não importa se isso seja maléfico para a ecologia, os animais e os humanos.

Entre as conquistas das transformações dos materiais e a realidade da destruição, o nosso caminho é de muito lixo deixado na nossa trilha e nos laudos da história.

Por Miriam Rey