Quando um jornal desaparece, as vozes se apagam. As vozes daqueles que escreveram, mas também as vozes daqueles que leram.

As vozes de um bairro, uma cidade, um pensamento plural, que desaparecem para sempre. A imprensa local, a pequena imprensa – e não é pejorativo -, aquella que voua ao nivel das calçadas, terraços, amigos e associações diversas, de cães atropelados. Pessoas sentadas no bar ou em pé em uma noite fria em volta de uma cheminé. Essa imprensa ai, de proximidade, não é mais. E o que morre ao mesmo tempo é o tecido social, esse tecido benevolente, tecido por anos e anos, incendiado na fogueira das vaidades financeiras. Essa nova ditadura do pensamento que gostaria de ser suave e diversa, mas que na realidade, é intratável em seu controle implacável da informação.

Esse vasto dominio do pensamento que estamos vivendo nesse momento e esses famosos planos sociais que pretendem encontrar soluções para tanto jornalista desempregado que são, em última instância, apenas o assassinato do jornalismo que não se dobra a injunções, muitas vezes, vindas do grande capital ou das finanças internacionais. Em todos os países onde a imprensa goza de liberdade de expressão, elas são só reaquisições das mídia escritas por uma oligarquia toda poderosa. Ah, claro, a promessa é feita para não interferir na linha editorial, mas sabemos por experiência o que vale tal promessa. Em raros casos ela será mantida. Em todos os outros, de um modo liso e manhoso, indireto, a pata do novo mestre vai ser sentida, em um começo de maneira leve e depois, pesada.

E então acontecerá o que estamos vendo cada vez mais, o escortejar da fera jornalística. As entranhas fumegantes jogadas na rua. Serão mantidas apenas os ossos que poderão ser corroidos. Então, uma vez que esse banquete indigno tenha cedido até sua última e suculenta gota, o restante, reduzido a um fio, será enviado para a fossa comum de títulos desaparecidos.

Infelizmente para ela, a mídia impressa incita as pessoas a ler. A leitura é lenta porque é cheia de intenções. A mídia impressa faz freqüentemente reflexionar aquele que lê. Pecado mortal em nosso «novo mundo», onde a imagem fulgurante é rainha e onde a sucessão de informações mata a reflexão, e esse é o objetivo. Informações, insignificantes ou não, tratadas no mesmo nível, pretexto para anúncios publicitarios, e sempre mais anuncios publicitarios.

Haveria muito a dizer, mas a resistência, muitas vezes modesta, artesanal mais que arquitectural, começa a se organizar e o Hebdolatino se orgulham de fazer parte disso.

Mídia digital “apolítica”, mas ancorada nesta tradição de abertura em relação ao outro e que deseja ser o elo entre a numerosa e diversificada comunidade sulamericana, a cidade e Canton de Genebra e a Suíça. Tecer ou religar laços humanos e dar a palabra a aqueles que trabalham nos porões de nossa sociedade. O mundo não pode ser preto ou branco, como ele não pode continuar a ser clandestino ou salários só para os brancos.

A globalização é uma palabra que causa medo pela pobreza que gera. Mas um mundo multicolorido onde somente a raça humana seria a referência universal … É o caminho de Hebdolatino.

É também um caminho das diferentes lutas pela dignidade humana. Apoio a causas ambientais, causas dos pobres, crianças e idosos. Suporte inabalável para a causa das mulheres. Um caminho que denuncia incansavelmente os desvios fatais de certas políticas. Um caminho que luta contra uma visão única de um mundo baseado exclusivamente no dinheiro e no lucro.

Um caminho que vem das profundezas da alma humana para florescer no sol do conhecimento e da tolerância. Tal é o Hebdolatino!

Jean-Yves Le Garrec

Tradução do francês para o português por Miriam Rey