O Brasil de hoje é como um corpo doente atingido por uma metástase terminal. O Cancer do racismo, da ignorância, do individualismo, do egoismo, do fanatismo, do fundamentalismo, do extremismo político … tomou conta do Brasil. O estado de metástase é uma evidência. Aí a pergunta, qual é o futuro para o Brasil ?

Política externa

O governo Bolsonaro está isolado internacionalmente. A carta que o presidente do senado americano enviou ao governo brasileiro é lapidária. Acaba com qualquer esperança do governo Bolsonaro de continuar com a política adotada na época de Trump, na qual se repousava principalmente na ideia de que Trump era um enviado de Deus para salvar o ocidente cristão. O enviado de deus foi despedido e o governo brasileiro ficou sem o único aliado com que podia contar, pelo menos na questão ideológica, porque o governo de Trump nunca deu a mínima importância ao governo Bolsonaro, insignificante demais para aquele que se considerava o imperador do mundo.

 A permanência de Ernesto Araujo é simplesmente a incapacidade de reconhecer a derrota. Extremista de carterinha, insensível ao que é a verdadeira diplomacia, tem destruído a reputação do Itamarati, que era reconheido como uns dos melhores na diplomacia mundial . Hoje o Itamaraty é visto como rehen do minitro Araujo e suas teorias absurdas. Triste momento em que a China se dirige aos diplomatas brasileiros em uma declaração de quase piedade, se manifestando solidária ao sofrimento dos diplomatas e os exortando a ter paciência já que em algum dia Araujo terá que ir embora e o Itamaraty poderá recuperar a sua dignidade.

Da política externa nada pode se esperar. A União Europea suspendeu as negociações com o Mercosul por causa do desmatamento na Amazônia. Depois dos insultos contra sua mulher, Macron não vê interesse nenhum no governo brasileiro. No resto do mundo o Brasil tem feito alianças com os países mais reacionários do planeta sobre os temas da mulher, da família, da política de gênero, isolando-se dos países ocidentais e das democracias com políticas mais progressistas nesses temas.

Na América latina os ventos estão mudando. Depois da Argentina é a vez do Equador, aonde provavelmente o candidato de esquerda ganhará a presidência do país. O Chile conseguiu jogar no lixo a Constituição pinochetistas e se prepara a votar uma nova constituição pondo fim a 30 anos de ditadura indireta. O México de AMLO lidera um processo no qual, lentamente, a América Latina retorna a práticas mais progressistas visto o fracasso de governos conservadores e liberais. Na Venezuela, Maduro continua firme, e, Cuba sempre em pé e valente continua a afrontar o demônio do norte. O isolamento do Brasil na América Latina é total, sendo ignorado mesmo por governos de direita como Uruguay e Paraguay.

O Brasil ficou mudo a nível internacional. Não tem voz nem voto. Ele deixa de ser convidado nas conferências internacionais. Lentamente o Brasil desparece para se  converter em simplesmente um nome no mapa.

Necropolítica

A necropolítica se instalou no Brasil. Pais continental que foi no passado o “ pais do futuro”, admirado por seus  avanços  sociais e econômicos, chegando a ocupar a sexta posição entre as potência mundiais, admirado pelo seu povo, sua creatividade, sua música e sua arte, hoje  aparece como un país reacionário, medieval, dominado pelo fundamentalismo e o fanatismo, aonde todos aqueles que pensam diferente a ideologia imposta pelo governo arriscam sua vida.

A vida das mulheres, dos negros, das pessoas LGTB, dos pobres, dos povos originários estão em constante perigo. Governo do ódio, sustentado pelos elementos mais extremistas da sociedade, demostrou em apenas dois anos que não tem rumo, não tem objetivos, não tem uma visão do futuro do país. Bolsonaro improvisa constantemente, faz discursos delirantes enquanto a epidemia progressa cada vez mais e o país se aproxima dos 250.000 mortos.

É impossível saber qual é realmente a estratégia de Bolsonaro. Único presidente do mundo a combater todas as medidas conhecidas para conter a epidemia, Bolsonaro concentrou seu discurso na cloroquina e na economia, principalmente na economia, mesmo que tenha que sacrificar uma parte significativa da população, definida como “ maricas” pelo presidente. Tem atacado governadores e prefeitos, tem feito campanha contra a ciência e o bom senso, tem divulgado medicamentos não comprovados cientificamente, tem feito campanha contra a vacinação. É dificil entender  um presidente que sacrifica a população em nome de seus interesses pessoais e do mundo financeiro. A política de Bolsonaro com respeito a covid-19 tem sido criminosa e bárbara, o Brasil esta vivendo situações inéditas no mundo, como pessoas morrendo por falta de oxigênio em Manaus, por causa do descaso do governo, o presidente insultando a população para obrigá-la a retomar o trabalho contra toda as medidas sanitárias, o executivo que nega o verdadeiro impacto da pandemia e o discurso patriarcal e machista de que tem que ser homem para afrontar a morte. É um assassinato coletivo deliberado e planificado.

Absurdos e contradições

O maior absurdo do governo Bolsonaro é o apoio dos militares. Bolsonaro foi expulso do exército por terrorismo, por organizar atentados a bomba por causa de revindicações salariais. Foi expulso do exército com grau de capitão, grau que nunca exerceu. Bolsonaro não tem nada de militar. É uma invenção para justificar o apoio dos militares ao seu governo, mas a realidade é que as Forças Armadas apoiam um terroristas expulso do exército e os generais tem que pasar pela humilhação de obedecer um “militar” de grau inferior mandado embora depois de ter pasado por uma corte marcial.

É intútil falar aqui que durante os 30 anos que exerceu como deputado, Bolsonaro foi totalmente nulo. De fato, como ninguém prestava atenção a ele por causa de sua mediocridade, Bolsonaro desenvolveu a política do insulto, da agressão, da baxaria. Foi o único jeito de se destacar. Fale mal de mim, mas fale.

A eleição do Bolsonaro foi um golpe minuciosamente preparado pelos partidos mais corruptos do Brasil, o PSDB e o MDB e os militares em nome de um projeto ultra liberal e anacrônico chamado “ A Ponte para o Futuro”. Esse projeto é dos partidos chamados de centrão e imposto a Bolsonaro. Os outros partidos de extrema direita como Patriotas, Novo, PSL tiveram uma existência só depois da eleição do Bolsonaro, mas nunca contaram na vida política do país e protagonizaram, como o PSL, uma tragicomédia com a saída de Bolsonaro depois de uma profunda divisão provocada principalmente por causa de seus filhos. A partir da aí se formou uma nova forma de fazer política no país, dos apoiadores-oposição. Partidos que dizem apoiar o governo na área econômica mas que criticam a prática política e principalmente o jeito de Bolsonaro governar como o PSDB, MDB, DEM. O governo conseguiu a façanha de criar uma oposição de esquerda e de direita aonde movimentos extremistas como o MBL se declaram abertamente opositores ao bolsonarismo.

A direita tenta fazer uma diferença entre o governo e sua política economica e o bolsonarismo, a ala ideológica fundamentalista que controla o executivo e grande parte do aparato governamental. Tarde demais. Se é, e de fato é, uma estratégia para se diferenciar do governo para as eleições de 2022, baseado nos resultados das eleições municipais, está destinada ao fracasso, porque daqui a dois anos, se a dinâmica continuar na mesma, o Brasil tera quase 500.000 mortos, a  economia completamente destruída e uma guerra ideológica sem limites entre facções de direita e de extrema direita.

 O “ mercado”, o mundo financieiro, a famosa “ elite” começam a perceber que talvez cometeram um erro fatal apoiando semelhante imbecil, que convocou em volta dele o pior da sociedade brasileira. Pastores corruptos e criminais, fundamentalistas enloquecidos que insistem que a terra é plana e que Q Anon revelou a verdadeira conspiração ao mundo, cínicos e arrogantes que destroem a Amazônia em nome do desenvolvimento, que na realidade é apoio irrestrito ao agronegocio que envenena a produção de alimentos comprometendo a saúde de millhões de brasileiros.

É impossível saber quanto vai durar o pesadelo que o Brasil vive atualmente, tendo em conta a possibilidade de releição do Bolsonaro. A oposição dita de “esquerda” tem sido incapaz de formar uma frente unida, de propor uma alternativa. A única saída vista por setores da oposição é uma futura possível candidatura de Lula, que tem quase oitenta anos e tem ainda uma longa estrada antes de recuperar seus direitos políticos. Lula já foi presidente duas vezes. É difícil de imaginar que um país de mais de 200 milhões de habitantes seja incapaz de renovar suas lideranças políticas.

Nos EEUU, umo dos fatores da eleição de Biden foi o fortalecimento da ala “ esquerda” do partido Democrata, que revelou personalidades de destaques, não só Bernie Sanders, Alexandria Ocasio-Cortez,  mas toda uma nova geração, principalmente de mulheres, que trouxeram um novo alento à vida política dos USA.

No Brasil não se vê esse fenômeno. O tempo passa e nada muda. As velhas práticas de compra de votos no Congresso continuam. A maioria dos parlamentares estão mais preocupados com seus interesses  particulares que com o destino do país. E isso não vai mudar tão cedo.

Então, visto e considerando o caos em que Brasil tem se convertido, faço de novo a pergunta, qual futuro para o Brasil ?

Alfonso Vásquez Unternahrer