Jair Bolsonaro , Rogério Caboclo: desta vez, o presidente foi rápido no gatilho Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

“O governo do Brasil demonstrou agilidade e capacidade de decisão em um momento fundamental para o futebol sul-americano”, comemorou Alejandro Dominguez, o chefão da Conmebol, a organizadora da Copa América, que será transmitida com exclusividade pelo SBT. Por que será?

É verdade: rápido no gatilho, assim que soube da desistência da Argentina, na manhã desta segunda-feira, depois de conversar com Rogério Caboclo, presidente da CBF, Bolsonaro trouxe para o Brasil a Copa América, em meio ao agravamento da pandemia do coronavírus, com a chegada da terceira onda e do colapso na saúde pública, por falta de vagas nos hospitais e de vacinas para imunizar a população do país que é o segundo do mundo em número de óbitos (462.931 até o momento em que escrevo sobre esta barbaridade).

Por que Bolsonaro não mostrou a mesma agilidade para comprar vacinas da Pfizer, que ficou meses esperando uma resposta do governo brasileiro?

Por que Bolsonaro não mostrou a mesma rapidez no gatilho para comprar vacinas do Instituto Butantan e de outros fornecedores de imunizantes no ano passado?

A resposta está na coluna que escrevi na semana passada: não foi só por incompetência do governo que milhares de brasileiros continuam morrendo todas as semanas, mas à deliberada ação para alcançar a imunidade de rebanho, receitando cloroquina em lugar das vacinas e boicotando as medidas sanitárias.

Trazer neste momento para o Brasil a sede da Copa América é mais uma demonstração da insanidade do presidente brasileiro, que joga com a vida das pessoas como se estivesse num churrasco entre amigos ou conversando com seus devotos na porta do Alvorada, indiferente à dor das famílias das vítimas da pandemia.

É preciso parar com estas loucuras do capitão, enquanto é tempo, para evitar o avanço desta necropolítica em marcha batida para multiplicar o número de mortos e contaminados.

Assim como fez a Conmebol, que convocou uma reunião de emergência para encontrar um (i)responsável disposto a sediar o torneio, e o achou rapidamente no Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal deveriam se reunir ainda hoje para fazer uma intervenção no Executivo para impedir a consumação deste novo atentado à vida dos brasileiros.

A quem mais podemos apelar? Ao papa Francisco, à ONU, à Cruz Vermelha Internacional?

Bolsonaro tem que sair urgentemente do Palácio do Planalto embrulhado numa camisa de força porque não tem mais condições de governar o país.

Simples assim, como diria o general Pazuello.

Algum maluco ainda teve a ideia de marcar a final da Copa América no Maracanã – com público!

Não duvido de mais nada. É só o que falta.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho

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