Os senadores retomam hoje (30) os trabalhos do julgamento do impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff. Às 10h começam os debates entre acusação e defesa.

Os advogados Janaína Paschoal e José Eduardo Cardozo, respectivamente, terão uma hora e meia cada para fazer suas alegações e depois mais uma hora para réplica e uma hora para tréplica. Os debates podem, portanto, durar até cinco horas.

Em seguida, será iniciada a discussão dos senadores. Cada um terá direito a falar por dez minutos, que não podem ser prorrogados e não há direito a aparte. Até a noite dessa segunda-feira (29), 53 senadores já estavam inscritos para falar, mas outros podem requisitar o direito ao debate até o último minuto. O primeiro será o senador Gladson Cameli (PP-AC). A previsão é de que essa fase do julgamento dure cerca de nove horas, podendo se estender se mais senadores se inscreverem.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, que conduz o julgamento, tem concedido intervalos de uma hora para almoço e uma hora para jantar e outros que variam de 30 minutos a uma hora, a depender do ritmo dos trabalhos.

Depois das discussões entre os parlamentares, finalmente será a vez de Lewandowski fazer a seguinte pergunta aos senadores: “Cometeu a acusada, a senhora presidenta da República, Dilma Vanna Rousseff, os crimes de responsabilidade correspondentes à tomada de empréstimos na instituição financeira controlada pela União e à abertura de créditos sem autorização do Congresso Nacional, que lhes são imputados, e deve ser condenada à perda do seu cargo, ficando, em consequência, inabilitada para o exercício de qualquer função pública pelo prazo oito anos?”.

Será aberto espaço para encaminhamento de dois senadores favoráveis e dois contrários ao impeachment, com cinco minutos de fala para cada um. Após esse encaminhamento, o presidente da sessão abrirá o painel e os senadores serão convidados a votar. O voto é nominal e aberto, computado pelo painel eletrônico, onde o resultado final será divulgado.

Em SP, Polícia Militar reprime com violência manifestantes contra o golpe

A Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM) reprimiu arbitrária e violentamente a manifestação contra o impeachment de Dilma Rousseff na Avenida Paulista, em São Paulo, nesta segunda-feira (29), data que marca a última etapa do processo contra a presidente afastada.

Convocado pelas frentes Povo sem Medo e Brasil Popular, o ato reunia cerca de 3 mil pessoas, dentre eles idosos e mulheres com crianças de colo, quando a PM atirou bombas de gás lacrimogêneo no meio da multidão.

Um pouco antes das 19h, os manifestantes se aproximavam pacificamente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Eles estavam a aproximadamente 150 metros do prédio quando a Tropa de Choque impediu o ato de seguir e bloqueou a passagem, com a justificativa de que grupos pró-impeachment estariam no local e que a instituição que não havia sido informada do trajeto. O comandante da operação afirmou ainda que a repressão se deu “para evitar conflito”.

“Isso é um sinal de que, consumado o golpe amanhã ou depois, virá um processo duro de repressão aos movimentos sociais, inclusive colocando em risco nosso direito de se manifestar, garantido na Constituição. É uma violência o que eles estão fazendo”, afirmou o coordenador da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim.

Segundo ele, o papel exercido pela PM na noite desta quarta-feira foi o de “proteger a proteger a Fiesp, onde tem meia dúzia de golpistas”.

A professora licenciada Ana Catarina de Lima sofreu uma tentativa de agressão por um grupo pró-impeachment que estava acampados em frente à Fiesp. “Eles queriam tacar o galão [de água] em mim, e o pessoal que estava na rua veio me defender”, disse.

Bloqueio

Após a repressão, a manifestação tentou se reorganizar e os participantes entoaram palavras de ordem mais fortes contra o presidente interino, Michel Temer, e contra a Polícia Militar.

Coordenadores das duas frentes tentaram renegociar o trajeto com o comandante da operação, o major Telles, que informou que a manifestação não seguiria pela Avenida Paulista.

Barricadas, então, foram erguidas para retardar a ação da Choque, que continuou atacando os manifestantes com bala de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água para evitar que a ato se reagrupasse. Muitos manifestantes ficaram feridos e um foi detido. Segundo a PM, ele seria encaminhado até o 78º Distrito Policial, no bairro Jardins, e foi detido por desacato à autoridade.

Desrespeito

A PM também agrediu jornalistas que cobriam a manifestação. Mesmo após ser informado que estava trabalhando e mostrar seu crachá, um policial apertou o spray de pimenta contra o rosto da repórter do Brasil de Fato e replicou: “Foda-se”.

Mais cedo, na concentração ato sair, a coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto Natalia Szermeta afirmou que, nesta segunda, escrevia-se mais um capítulo triste da história brasileira, marcado por um golpe institucional. No entanto, também seria lembrado que o processo não foi aceito sem luta e sem resistência.

“Hoje é um dia importante para ocupar as ruas e demonstrar a insatisfação de trabalhadores sobre o que está acontecendo no país hoje. O governo Temer não tem legitimidade, porque ele não foi eleito e usurpou o poder através de um golpe”, disse a dirigente.

Além de São Paulo, atos contra o golpe ocorreram em outras capitais do país, como Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ)

EBC /Brasil de Fato

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