Não é fácil escrever sobre Simone Veil, depois de todos os tributos ouvidos. Homenagens que não devem ser enganosas, a maioria soou muito falso. As belas palavras, por exemplo, dos tenores da extrema direita, quando sabemos das suas aversões à lei facilitando o aborto. A extrema direita que foi construida unicamente dentro de um anti-semitismo violento, sempre em moda e rigoroso.

A extrema esquerda, que nunca está atrasada para declarar um infâmia, não poderia cumprimentar decentemente sem um pouco de irônia, uma personalidade de centro-direita, judaica e sionista. Então foi a participação, mesmo que tenha sido involuntária, de Simone Veil no evento «Manif para todos» contra o casamento homosexual. Logo, você vai me dizer, grande coisa e aí? A extrema esquerda não cumprimenta uma personalidade judaica sem colocar algum fel.

O que podemos fazer em relação ao paradoxo da França, cujo anti-semitismo é genético. Simone Veil foi a figura política favorita dos franceses. Ela foi presa por acaso, como uma menina de 16 anos, na rua, que comemora com seus amigos o fim do bacharelado. Deportada com toda a sua família, seus pais, seu irmão, suas duas irmãs. Apenas três irmãs sobreviveram.

file6vo224f9r1j9m1krab

Foi esta bela mulher que foi nomeada Ministro da Saúde durante o governo Chirac na presidência de Giscard d’Estaing. Como tal, será a primeira mulher Ministra de Estado e particularmente precursora da lei que descriminaliza o aborto. Em frente a uma assembléia onde havia apenas os machos, muitas vezes grosseiros e com humor questionável como as suas cuecas, que não se privaram de todos os insultos infames para uma antiga deportada. Ela estava de pé e ela permaneceu de pé, enfrentando a tempestade pútrida … e ganhou! Mas eu acho que, quando estava sozinha, na calada da noite, ela teve que curar, triste, talvez, os seus ferimentos tão cruéis.

A direita se uniu contra ela. Estes grandes burgueses católicos gritando contra e gentilmente enviando as suas filhas para abortarem na Inglaterra. E eu sei, o que falo!

Em seguida, ela tornou-se a primeira Presidente do primeiro Parlamento Europeu e, nos bastidores das confidências, descobrimos que ela ajudava de uma forma espontânea e anonimamente, os doentes de AIDS, no momento em que eram considerados como leprosos e morriam como moscas. Ela seguiu seu marido que trabalhava na Alemanha e … não muito tempo depois da guerra! Construindo as bases da Europa e da reaproximação franco-alemã.

Então, sim, foi uma grande dama. Ela foi considerada autoritária mas como poderia ser de outra forma em um mundo político exclusivamente masculino? Ela merece entrar no Panteão como o Presidente Macron decidiu.

Um sinal do destino, a atual Ministra da Saúde, é a sua ex-nora!

Nossas homenagens Senhora!

Jean-Yves Le Garrec

Traduzido do francês para o português por Miriam Rey