Tanta história, sofrimento e também alegrias aconteceram desde que Pedro Álvares Cabral desembarcou na “Terra Brasilis ». Engana-se quem pensa que estamos vivendo o pior momento dos últimos 500 anos.

Os nossos índios foram massacrados em massa, escravos africanos tratados como animais, o nosso ouro roubado, a corrupção escondida e permitida, muitos morreram enforcados pelos ideais de liberdade, as mulheres não tinham voz e eram fantasmas silenciosos, direitos trabalhistas não existiam, a fome era mortal e enfim…. Sobrevivemos, e, aquela velha frase: « Um filho teu não foge à luta », ainda está viva em nossos espíritos.

Errando, acertando e tentando…

A tendência populista está em alta em alguns países, tais como; a Hungria, a Áustria, Reino Unido, França e a Alemanha são três exemplos recentes de países centrais na política europeia que viram a expressão eleitoral da extrema direita crescer nos últimos tempos.

A inesperada vitória do republicano Donald Trump nas eleições presidenciais americanas de 2016, com um discurso sexista, xenófobo e belicista encorajando movimentos semelhantes em todo o planeta.

Se refletirmos sobre as três importantes tradições políticas no ocidente como sendo o liberalismo, o conservadorismo e o socialismo, todas elas possuem versões que se encaixam dentro da lógica democrática moderna. As variações extremistas dessas tradições tendem a se afastar das regras democráticas que conhecemos. No caso da extrema direita, na forma como é usada no vocabulário político atual, podemos entender como uma versão extremada do conservadorismo, que pode ser classificada como reacionária.

O Brasil encontra-se em uma situação de rompimento com os velhos padrões da política, o povo está cansado dos escândalos de corrupção que foram apurados nos últimos governos e encontraram na figura do candidato Jair Bolsonaro, que encarna o conservadorismo, a religião, os valores familiares e a autoridade, como sendo o salvador da pátria.

O voto de sanção do povo brasileiro contra o governo atual é evidente. Mas, porém, isso representa um perigo para a democracia, que pode custar caro sobre o plano social. O perigo da polarização que privilegia o aumento do capital em detrimento da qualidade social, emprego, educação, saúde e etc., pode nos colocar entre a “peste e a cólera”.

O segundo turno das eleições brasileiras de 2018, dividiu o Brasil, entre raiva, discórdia e ofensas, o povo defende um lado ou outro sem prestar atenção nas propostas e programas, quase vagos, dos candidatos.

Jair Bolsonaro ( PSL)

25 07 2017 Bolsonaro– Candidato pelo PSL – 62 anos – Rio de Janeiro – superior completo – experiências em cargos públicos: Vereador do Rio de Janeiro (1989 -1991); Deputado Federal pelo RJ (1991 – 2018).

-Vice Presidente – Atonio Hamilton Martins Mourão, General da Reserva do Exército.
Coligação PSL – PRTB – “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

O candidato Jair Bolsonaro que levou 46,9% dos votos no primeiro turno apareceu na cena nacional como um desconhecido da grande maioria dos brasileiros, embora ele esteja na política desde 1989. Mas este quase incógnito político, chegou em um momento crucial para o povo, com um discurso populista, defendendo os valores da família, religião e prometendo lutar contra a violência, que é uma das maiores preocupações das grandes cidades.

Este capitão do exército “tacanho” de poucas palavras, que sofreu um atentado, tocou a sensibilidade da população, apoiado pelas Igrejas Evangélicas, que têm muito peso no Brasil atual e pelos produtores rurais, com uma campanha de marketing muito bem feita, ele viu sua popularidade subir vertiginosamente.

Porém, Jair Bolsonaro tem um alto índice de rejeição, acumula polêmicas, com conduta agressiva em discussões e postura conservadora, o político ganhou projeção nacional devido às opiniões controversas.

Em outubro do ano passado, o deputado foi condenado após afirmar que “quilombolas não servem nem para procriar”.

Ele também já foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ofender a deputada Maria do Rosário (PT).

Bolsonaro foi condenado ainda a pagar multa de R$ 150 mil por dano moral coletivo devido às declarações homofóbicas em um programa de televisão, em 2011.

O comportamento polêmico e agressivo do deputado federal dá a ele eleitores fiéis, que o apoiam em meio às polêmicas.
As agressões nas grandes cidades brasileiras, atribuídas aos partidários do Bolsonaro é um fator de rejeição nas intenções de votos.

Fernando Haddad (PT)

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Candidato do PT – 55 anos – São Paulo/SP – Superior completo – Experiência em cargos públicos:
Prefeito de São Paulo (2013-2016) e Ministro da Educação (2005-2012).

-Vice presidente Manuela d’Ávila (PCdoB)
Coligação: (PT / PC do B / PROS) – “ O povo feliz de novo”.

O candidato Fernando Haddad obteve 26,9 %-. Embora sendo conhecido na política desde 2005, Haddad substituiu o candidato Lula em circunstâncias de dúvidas. A campanha de marketing do candidato falhou em vários pontos, a cor vermelha representa um partido do passado. Neste segundo turno ele mudou as cores da sua campanha e desvinculou-se do PT.

A rejeição a Haddad aumenta por vários motivos. Primeiro pelas declarações que surgiram por pessoas de seu entorno [PT] e que acabaram impactando em sua campanha, como a delação de Palocci e as manifestações de Dirceu.

O aumento da rejeição a Haddad mostra ainda que, a estratégia de Lula em relação a ele tinha data de validade. Essa data de validade apareceu agora na última semana. O eleitorado percebeu que Haddad é um player que tinha chances de vencer.

Isso fez com que o antipetismo se acirrasse, incorporado principalmente por Bolsonaro, que se destacou nisso em relação aos demais candidatos. Ele afirma ter uma posição antipetista radical, sem vacilo.

O que temos como propostas dos dois candidatos é um superficial « Documento de Intenções », não esclarecem sobre o custo e o prazo de implementação de cada proposta. São baseadas em ideologias ou crenças e não em cima de fatos concretos.

« Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos ».
Friedrich Nietzsche

Por Miriam Rey