Agricultura biológica

Dando sequência aos dois últimos artigos sobre : A biotecnologia, a farsa do século e a Influência negativa da Monsanto no mundo, essa nova matéria nos dá uma visão das alternativas verdes que temos disponíveis para combater os OGM, os herbicídas, pestícídas e todos os hormônios de crescimento animal que estão nos envenenando. Estar consciente do que colocamos nos nossos pratos e lutar contra os poderosos da indústria alimentícia é mais que um dever, é uma questão de sobrevivência.

A agricultura biológica é uma das soluções, ou seja, ela exclui os produtos químicos de sintese utilizados pela agricultura industrial e intensiva que começou à partir do começo do século xx, através dos Organismos Genéticamente Modiicados e a irradiação.

A agricultura biológica é um sistema de produção alimentar que preserva a saúde do solo, do ecosistema e das pessoas. Ela se apoia nos processos ecológicos, na biodiversidade e nos ciclos de plantio adaptados as condições locais, ela está aliada a tradição, a inovação positiva e a ciência em benefício do meio ambiente comum e da saúde da população.

No final de 2014, as estatísticas provaram que havia em âmbito mundial, 43,6 milhóes de hectares plantados com a técnica orgânica. Um avanço progressivo e quem sabe no futuro teremos a boa comida em nossas mesas.

Um dos fatores importantes é a diversificação do plantio. A agricultura convencional se baseia na produção em massa de um alimento e um mesmo local, o que chamamos de monocultura. Plantar variedades de culturas (policultura) em um mesmo espaço, além de manter os insetos benéficos, mantém os micro-organismos do solo e permete de proteger as espécies em extinção.

Ela repousa sobre o fundamento da decomposição natural da matéria orgânica, utilizando sementes verdes, ou seja, uma planta que é semeada pelo agricultor com o objetivo de melhorar e proteger o solo e não com o intuíto da recolta ; o adubo, um processo biológico aeróbio de converção e valorização das matérias orgânicas (subproduto da biomassa, dos desperdícios orgânicos de origem biológica) para substituir os nutrientes extraídos do solo nas plantações anteriores.

A agricultura biológica utiliza diversos métodos para melhorar a fertilidade do solo : a rotação de culturas, as culturas de cobertura, o trabalho reduzido do solo e aplicação de adubos, assim teremos menos gás carbono eliminado na atmosfera, ajudando no controle das mudanças climáticas.

As plantas necessitam de azoto, fósforo, potássio, de micronutrientes e de relações simbióticas, como os champignos e outros organismos para crescer. A rotação de culturas e as sementes verdes contribuem para a formação do azoto, graças as famílias de legumes, a cultura associada é utilizada para controlar os insetos e as doenças. Os agricultores biológicos utilizam também o esterco animal, certos grãos transformados em farinha, diversos pós minerais, como o fosfato da rocha ou ainda a areia verde, uma fórmula natural do potássio, juntos esses métodos ajudam a controlar a erosão do solo.

Outra opção é a exploração mista entre agricultura e a criação de animais, onde as terras acumulam fertilidade através do crescimento de gramas propícias a alimentar o gado, como o trevo branco ou a alfafa que fixam o azoto no solo.

Para combater as ervas daninhas, a agricultura biológica dispõe de alguns métodos : táticas de cultivos, biológicas, mecânicas, físicas e químicas sem herbicídas sintéticos.

A prática da elimininação das ervas daninhas pode ser feita por : O arado, ou seja, revirar o solo para integrar os resíduos orgânicos do cultivo anterior, retirar as ervas daninhas e preparar o solo para a próxima plantação ; Roçar e cortar a parte superior das ervas daninhas ; Controle térmico.

O controle dos insetos malignos para a plantação, que geralmente são os insetos acarianos (artrópodes), mematóides, champignons e bactérias. As soluções ecológicas encontrada são : incentivar a colônia de insetos benéficos a combater os maléficos, encorajar os micro-organismos benéficos, a rotação do plantio, semear plantas de companhia que lutam contra os insetos, cobrir a plantação no período de migração dos insetos maléficos, utilizar armadilhas para capturá-los.

Refletindo sobre a agricultura biológica chegamos a conclusão que, ela aumenta o número de trabalhadores nos campos, evitando o êxodo rural. Ao nível nutricional, ela é mais saudável pois está isenta de produtos químicos, possui uma durabilidade maior de consumo e segundo estudos de 18 pesquisadores do Reino Unido, ela contém 60 % a mais de antioxidante do que a agricultura convencional.

A ausência de pestícidas e herbicídas conserva os lençois freáticos, menos erosão do solo, as águas da superfície e a fauna. Cuidando do solo, a gricultura biológica fixa mais o carbono, permitindo uma redução do teor do dióxido de carbono na atmosfera.

A ausência de pesticídas e herbicídas aumenta em 30 % as espécies naturais, tais como, os pássaros, aranhas, borboletas, minhocas, entre outros, melhorando a biodiversidade.

Muitos afirmam que a agricultura biológica não é suficiente para alimentar toda a população mundial, mas acredito que ela é a única solução para o sistema alimentar destrutivo que não corresponde as necessidades de nossa época,

Segundo um estudo da ONU para a alimentação e agricultura, 1 bilhão e 500 mil pessoas são obesas no mundo, 30 % dos alimentos vão para o lixo e 1 bilhão de pessoas passam fome, triste realidade, mas a solução inteligente existe.

A questão não é produzir mais, pensando que acabaremos com a fome. A quantidade de alimentos produzidos são suficientes para alimentar os 7 bilhões de habitantes do planeta. O problema é que em certas regiões se produz muito e não se consome tudo, colocando uma grande parte desse alimento no lixo, nos países industruializados por exemplo. Enquanto em outras regiões o rendimento agrícola é muito baixo e não suficiente para todos, como exemplo a Ásia e a África, o rendimento no nível alimentar é uma necessidade vital para esses povos, colocando em prática a agricultura biológica poderemos aumentar em 80 % a quantidade de alimentos nestas regiões.

Fixar-se na ídeia de aumentar a quantidade de alimentos no mundo é falsa, vamos optar pelo incentivo aos plantadores, ciblando a produção local.

Reduzir o consumo de proteínas animais também é uma solução, pois a grande maioria da produção agrícola é para alimentar o gado,

A agricultura biológica se apoia na biodiversidade e na rotação de culturas, constituindo um meio eficaz de aumentar a produção naquelas regiões que necessitam muito, ela aumenta em 30 % a produção agrícola por hectare em comparação a agricultura convencional.

Não corra atrás das borboletas, plante uma flor em seu jardim e todas as borboletas virão até ela.

Amigos leitores, sejamos realistas e façamos o impossível para conservar o nosso meio ambiente e o nosso Planeta.

Por

Miriam Rey