Quem nunca errou que atire a primeira pedra…

É pois é… Existem erros e ERROS, e o feminicídio me faz manifestar os mais  nojentos sentimentos : raiva, indignação e revolta.

Pelas minhas convicções profundas sobre o respeito ao outro, a liberdade de existir e os Direitos Humanos, não posso tudo ver e me calar. Muita gente na quarentena denunciou festas na casa do vizinho, perfeito, mas, denunciem também os gritos das mulheres que são espancadas. Nada fazer é ser conivente.

No país verde-amarelo da tolerância e da banalização das agressões contra as mulheres, como eu, como você amiga leitora, as violências e mortes são cometidas por maridos, ex-maridos e outros ex-machos, violentos, psicopatas ou drogados.

A Lei n° 13.104 de 2015, prevê de 12 a 30 anos de prisão para os crimes de feminicídio, considerado um crime hediondo. Mas parece que os capetas machos estão soltos e desvairados.

No feriado de natal em 2020 no Brasil, pelo menos seis mulheres foram mortas por companheiros ou ex-companheiros.

A juíza Viviane Vieira do Amaral, 45 anos, foi assassinada em frente das três filhas, pelo ex-marido, 16 facadas que foram desferidas no rosto, um caso que repercutiu em todas as reflexões do nosso povo. Um crime imperdoável.

No ano de 2020, a violência contra a mulher cresceu 2% no primeiro semestre, totalizando 648 casos segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Nos meses mais críticos da pandemia, março e abril, em São Paulo os casos de mulheres assassinadas por companheiros ou ex, subiu 41,4% no período.

A morte de Viviane e das demais vítimas na véspera do natal confirmou o machismo estrutural que permeia as instituições e a sociedade de nosso país.

A ocorrência das agressões no período de quarentena e feriados, aumentam. Os homens separados, nestes dias, ficam com mais raiva e violentos por estarem longe da família e colocarem a culpa nas ex-esposas, dessa situação de separação.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), responsável pela elaboração de estudos e propostas para combater a violência doméstica e familiar contra a mulher, reuniu-se depois destas mortes no final de ano. Em nota, a entidade sugeriu a « tipificação dos crimes de stalking – perseguição reiterada obsessiva e de violência psicológica, assim como, o aumento das penas dos crimes de ameaça, de injúria e lesão corporal.

Enquanto se aguarda novas resoluções, a rotina do Judiciário, acumula casos de misoginia e violência contra as mulheres.

A educação nas escolas com as crianças, onde haja uma matéria específica que aborde violência de genêro, seria uma medida preventiva e eficaz.

É necessário quebrar a cultura machista e patriarcal, que enxerga a mulher como objeto.

Vamos gritar bem alto:

NÃO AO FEMINICÍDIO!

Vamos nos unir, mulheres ! Ajudar e denunciar os maltratos e violências contra qualquer uma de nós !

Por Miriam Rey