O instante presente se apresenta em um céu de nuvens choronas, o sol tímido entre elas deixa borrões amarelos nos espaços vazios…

Eu observo o voo livre e solto de alguns pássaros que passam…Corvos negros batendo asas lá no alto mais alto…

Alguns raios intrometidos tocam a minha cara, fecho os olhos e sinto um calor leve, superficial, banal que toca a minha boca e o meu nariz… De repente ser de repente…E tudo soa no rádio de uma ilha distante em uma canção do Pink Floyd…

A máquina de lavar roupa gira, a minha cabeça também…

Dou uma pausa entre a montanha, a torre da igreja a fumaça que sai das chaminés dos prédios…

Vou até a janela e a minha atenção foca no parque cheio de pernas, braços e mãos que jogam petanca… Agora são 20 cabeças que disputam a cancha de areia. Crianças correndo espavitadas gritando de um lado para outro quebrando o silêncio entre o céu, o sol e a terra…

O astro rei agora brilha intenso quase morrendo e se acabando em tons de laranja, vermelho e branco atrás no horizonte montanhoso.

Um sorriso se arrasta  imprevisível, lembranças de outros infinitos por do sol em lugares outros…

E a viagem continua, agora a luz solar é crepúsculo como os meus pensamentos que classificam-se em um punhado de fé passageira…

Sinto uma pontada de endorfina correr ligeira da cabeça aos pés, vertigem de explosões coloridas me levam mais além do espaço que ocupo.

A campainha da porta interrompe aquilo que posso chamar de entrega da presença. Faço uma careta para o intruso que nem mesmo sei quem é, e que me fez voltar para a realidade nua…

Abro a porta e a pessoa já tinha partido… conformada vou estender a roupa, mas antes dou uma última olhada para aquilo que me fez contemplar a intenção desprovida de qualquer raciocínio, simples e complexa visão da beleza.

Miriam Rey