Com um terço dos lugares ocupados no começo do discurso do presidente Temer em Davos, atingiu a metade da sala no decorrer da palestra, podemos dizer que foi uma apresentação sem « mais », « morna » e sem muitos aplausos.

A plateia era formada por investidores, banqueiros e empresários. Temer afirmou que o Brasil está de volta na cena internacional, como um país mais aberto e com mais possibilidades de investimentos. Ele defendeu a agenda de reformas e que, está emprenhado na aprovação das reformas da previdência, assegurando que o quadro eleitoral não afetará esse trabalho.

Sem tocar no assunto do julgamento de ex-presidente Luis Inácio da Silva, na quarta-feira (24.01) e que poderá tornar Lula inelegível e afetar a disputa eleitoral. Na plateia estavam dois presidenciáveis, o prefeito de São Paulo, João Doria e o ministro da fazenda, Henrique Meirelles.

Ainda no seu discurso afirmou que cinco palavras definem a agenda econômica do seu governo : responsabilidade, diálogo, eficiência, racionalidade e abertura. Além de defender a reforma da previdência, ele ressaltou que o equilíbrio de contas públicas abre espaço para políticas sociais, que a previsão de crescimento para 2018 é de 3 % e que a inflação, juros e riscos estão em queda.

Ele aproveitou ainda para defender o fim do protecionismo, lembrando que esse tipo de conduta não é solução para problemas internos, e destacou que o governo está trabalhando para integrar o Brasil na economia global. Ele citou como exemplos a expectativa de fechamento breve de um acordo União Europeia-Mercosul, o pedido de ingresso do Brasil na OCDE, e a abertura de novas frentes de negociações comerciais com o Canadá, Coreia e Singapura.

Depois do seu discurso em Davos, Temer respondeu a algumas perguntas formuladas pelo fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Shwab.

Uma delas foi sobre como será a disputa eleitoral de 2018 num momento em ocorrem no país investigações de combate à corrupção. Temer disse que esse será um tema natural nas eleições e que o importante é que as instituições estão “funcionando com toda tranquilidade”.

— Será um tema natural, uma vez que há combate árduo contra a corrupção. Temos separação absoluta entre os Poderes e independência de instituições — disse ele, citando a Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União (TCU) como exemplos de independência.

O presidente Temer concluiu o seu discurso pedindo : « Invistam no Brasil. Não se arrependerão ».
Mas será que os investidores acreditam que a justiça será feita e que a corrupção acabará no Brasil ?

O certo é que ainda temos um grande caminho a percorrer para que os políticos, empresas e pessoas sigam na direção da honestidade e do bem para todos.

Por Miriam Rey