De 19 de novembro a 8 de janeiro de 2015, a artista plástica carioca Christina Oiticica está expondo sua mais recente criação, « Terra », na galeria EspaceL – Art contemporain. A exposição apresenta quatro séries de quadros nos quais utiliza um método similar à arqueologia: enterramento e posterior desenterramento para se constatar os registros da natureza.

Produzidos especialmente para o evento, três grandes quadros de borboletas foram enterrados por alguns meses em um jardim de Genebra. A metamorfose das obras resulta da integração do ser humano com a natureza, que aqui, longe de ser um elemento passivo, age como co-autora.
Três quadros de cobre que haviam sido enterrados no Caminho de Santiago de Compostela evocam a arte da escultura devido às marcas indeléveis da corrosão. Há outra série concebida no Caminho de Santiago, composta por flores primavera, colhidas com amostras de terra.
A única tela que não foi submetida a tais provas do tempo é a dos volumosos lábios vermelhos, que se destaca entre os quadros enterrados na Amazônia e outros, num trecho austríaco do Caminho de Santiago.

Aprendendo a confiar na natureza

A parceria de Christina com a natureza começou em 2002 quando ela morava em um hotel nos Pirineus e estava preparando a exposição « Parcours, Récoltes » para uma galeria de Paris. Devido à falta de espaço, levou suas telas a uma floresta, onde constatou e, num segundo momento, passou e a concordar com a interferência da natureza. Assim se iniciou o processo em que a artista aprendeu a transcender o mero espaço físico para captar o elemento energético dos locais por onde passa.
Na arte de Christina, o terreno natural é o co-protagonista que às vezes se apropria da cena, ou melhor, dos quadros. Como ela mesma explica « as únicas telas ainda enterradas são as que a natureza pegou para ela e nunca mais encontrei », fato ocorrido nos Pirineus, no Caminho de Santiago e na Amazônia. Depois da surpresa veio a aceitação, pois a terra é mãe, representa o feminino, a fertilidade e possui sua própria sabedoria.
« Terra » é mais do que substância e suporte de expressão na arte de Christina. É inspiração, símbolo do amor, ciclo eterno das estações, da vida, que só podem ser traduzidos a partir do respeito e da harmonia com o ambiente. Lembrando Goethe, « o eterno feminino nos conduz ao que há de mais elevado ».
A artista-arqueóloga, que já expôs em Nova York, Paris, Estocolmo, Rio de Janeiro, entre outras grandes cidades, irá marcar o início e o final do inverno fazendo um novo enterramento e retirada em Zermatt. Posteriormente irá realizar uma exposição no próprio local, além de outra em Hermance. Mais do que obra de arte, cada tela de Christina é um convite à reflexão sobre a integração com a natureza e à abertura da percepção para compreender o que ela tem a oferecer.

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Exposição
19 novembro a 8 de janeiro 2015
11h a 17h com agendamento
022 301 6490

e-mail info@espaceL.net
http://www.espacel.net/

Route des Jeunes, 43 Allée G
1227 Genève

Galeria: Photos de Ana Paula Candelária

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