Estamos vivendo dias sombrios onde o terrorismo, a manipulação, o poder e a violência sem piedade regem a nova ordem mundial.

Choramos os mortos de todos os cantos, os parisienses e os cearenses, os de Mariana, dos mineiros e capixabas, dos palestinos, dos sírios, os do Mali, dos guaranis nas beiras das estradas de soja e outros tantos sem nome e sem etiquetas nos necrotérios do planeta.

Seguimos como ovelhas sem opinião entre o drama, onde os personagens lutam e ainda há esperanças de vitória e a tragédia que está fadada à derrota, ao sangue e ao nunca mais.

O que se sabe de concreto é que a indústria bélica cresce, alcançou o seu ápice histórico, os equipamentos de segurança nunca foram tão vendidos. Desde as viaturas que fazem as rondas nas favelas até os radares nos desertos do mundo, detectando imigrantes fugindo das guerras. Tudo se negocia! Até mesmo os intervalos comerciais e as pautas dos telejornais em épocas de confronto.

O lado tumultuado do cotidiano do século XXI está resumido em três palavras: Terrorismo, manipulação e medo. Pensar que os conflitos são mais rentáveis quando se prolongam no tempo e que quanto mais holofote melhor é, desviando a atenção mundial e evitando outras direções incomodas, não é pecado em tempos de diferenças religiosas e econômicas.

Até então o Estado Islâmico foi abordado por determinados políticos e pela comunicação global como sendo « meia dúzia » de barbudos paranóicos com o Corão em uma mão e um AK-47 na outra, enfiados nas montanhas, que poderiam ser eliminados quando quiséssemos e que a ameaça só existiria para quem estivesse lá.

Mentiras! Subestimamos o inimigo, esse exército de fundamentalistas. Atentados terroristas? Isso qualquer organização consegue fazer e já fizeram muitos. Invadir países vizinhos? É o dia-a-dia no Oriente Médio. O que proponho é a reflexão da dimensão e profundidade do perigo que bate nas nossas cidades de portas abertas, da internet que é um oceano sem fim de trocas de ideias e dos oportunistas de todos os lados: Os daqui e os de lá.

Na guerra, os amigos de hoje serão os inimigos de amanhã e os inimigos de amanhã serão os amigos do depois de amanhã.

As « cabeças » do Estado Islâmico se reuniram nas prisões americanas no Iraque, aonde vários militantes radicais e o seu lider Abu Bakr a-Bagdali formaram o EI quando foram liberados da prisão. Erro grave do sistema penitenciário, reunir mafiosos em um mesmo local.

Saddan Hussein era um ditador sanguinário, mas depois da sua queda e morte, as permanentes invasões e ingerências na soberania dos já voláteis países do Oriente Médio, por parte das ditas « Cruzadas da Democracia », representam terrenos férteis para que discursos sectários acompanhados de doses de ódio e violência conquistem um espaço crescente, somando os mercenários dispostos a tudo, muitos deles vindos do ocidente.

A ganância econômica pelo petróleo em áreas que representam um terço de toda a reserva mundial é evidente, engana-se quem acredita que esses terroristas acreditam em Allau akabar ( Deus é maior), eles só acreditam no poder e no dinheiro, usando a religião como bandeira para recrutar soldados, que na maioria das vezes são jovens desorientados e excluídos socialmente.

O sentimento de insegurança que advém dos ataques terroristas serve de retórica ao medo, um plano bem bolado dos Djihadistas, causar a separação, o conflito, a culpa, a estigmatização e a islamofobia.

Os principais conflitos internacionais surgem entre países com diferentes identidades culturais e religiosas. Para muitos os ataques da Al-Qaeda, as guerras do Afeganistão, do Iraque e o surgimento do Estado Islâmico confirmam essa teoria.  Mas,  as estatísticas mostram que os terroristas fundamentalistas têm assassinado seus correligionários mais do que ninguém.

Segundo as estatísticas do Índice de Terrorismo Global, elaborado pelo Instituto de Economia e Paz, em 2013 morreram no mundo 18000 pessoas em ataques terroristas, 85% se concentram em 5 países : Iraque, Afeganistão, Paquistão, Nigéria e Síria. Os responsáveis por todas essas mortes foram : o Estado Islâmico, o Boko Haram, os Talibãs e Al-Qaeda.

Dos 162 países incluídos no Índice do Terrorismo Global, o Iraque ocupa o primeiro lugar em vítimas e a França está na posição 56.

Nada justifica a violência dos atentados em Paris, do Mali e de outros tantos espalhados no nosso planeta. Nem as charges satirizando o Profeta Maomé, publicadas na Revista Charles Hebdo em janeiro de 2015, nem as missões de ocupação e bombardeio realizadas pela França em três países muçulmanos. A morte de pessoas inocentes não tem explicação e nem perdão.

Infelizmente os formadores de opinião incitam o preconceito social, a manipulação de ideias e que o mundo muçulmano é contra uma Europa livre. Devemos seguir a velha frase de Cristo : « Separar o joio do trigo ».

O terrorismo Djihadista é uma realidade cruel, mas não é a única forma de terrorismo que vivenciamos nos dias atuais, o financiamento de grupos armados, a pilhagem de recursos naturais, os crimes ecológicos, o descaso com as populações carentes e que sofrem com a fome, a corrupção crescente e a lavagem cerebral que manipula as mentes são realidades silenciosas.

Vamos nos unir contra o terrorismo, o etnocentrismo, a xenofobia e a simplificação.

Pronto, falei !

Por Miriam Rey