Um dos maiores desastres ecológicos brasileiro aconteceu no dia 05 de novembro, em duas barragens de Mariana, Minas Gerais. A tragédia teve como consequência a eliminação de um povoado do mapa, a morte de um rio, a morte da fauna da região, a poluição desenfreada que se alastra até o mar e a confirmação do descaso com as questões ambientais.

Os números são de fazer medo, 62 milhões de toneladas de lama, rejeito da exploração de minério de ferro, que vazaram após o rompimento das barragens de Fundão e Santarém, mantidas pela mineradora Samarco, uma sociedade entre a brasileira Vale do Rio Doce e a anglo-australiana BHP Billiton. As toneladas de lama tomaram a cidade de Bento Rodrigues em assalto, caíram no Rio Doce e vão chegar ao mar, no litoral do Espírito Santo, a mais de 100 quilômetros de distância. Bento Rodrigues se transformou em ruínas.

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Os danos humanos foram muitos, 10 pessoas mortas, 19 pessoas desaparecidas, 612 pessoas e 162 famílias ficaram desalojadas. Os prejuizos ambientais foram catastróficos, 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de lama (62 bilhões de litros de água). As nascentes do Rio Doce foram soterradas pela lama que matou a grande maioria dos animais que dependem do rio. A lama é composta de sílica, uma espécie de areia e ferro. Segundo a Samarco não existem elementos tóxicos prejudiciais à saúde humana, mas análises feitas em Governador Valadares(MG), mostrou que havia mercúrio na água. E os peixes Srs. Vilões da Ecologia ? Morreram todos !

A terra ficará infertil por muitos anos, a lama é pobre em material orgânico, impedindo o crescimento de plantas e vegetação. Quize municípios entre Minas Gerais e Espírito Santo serão afetados pois dependem diretamente do Rio Doce no abastecimento de água. A Defesa Civil de Minas Gerais estima que 500 mil pessoas sofrerão com a falta de água.

3809468630 apenas problemas de estrutura causariam rompimento de barragens

 

A Samarco disse ter registrado dois pequenos tremores na área duas horas antes do rompimento, por volta das 16h20 de quinta-feira. Não se sabe o que teria causado estes tremores, se seriam abalos sísmicos ou a força do próprio rompimento.Vamos acreditar sem questionar ?

O rompimento de duas barragens em Mariana foi classificado desde o princípio pelo governo federal como um “desastre tecnológico”, e não como “desastre natural”, como vem sendo erroneamente veiculado nas redes sociais. É o que demonstra a portaria do Ministério da Integração Nacional que reconheceu o estado de emergência no município mineiro.

Há no país 401 barragens de rejeito enquadradas na Política Nacional de Segurança de Barragens, 317 delas em Minas Gerais. A Comissão de Segurança de Barragens classificava a do Fundão como de “baixo risco” de rompimento, mas de “dano potencial alto”. A classificação considera o risco estrutural, a documentação, o volume de rejeitos acumulado, se há habitações próximas e infraestrutura voltada para onde correm as águas do rio. Grandes barragens, como a do Fundão, devem ser monitoradas em tempo integral. Barragens devem ter sensores para identificar pressões ou deformações. Inspeções visuais devem ser feitas para identificar trincas, infiltrações e crescimento de vegetação. A Samarco não informa se fazia monitoramento nem se percebeu sinais de falha da barragem.

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No dia 16 de novembro a Samarco fez um acordo com o Ministério Público e concordou em pagar R$ 1 bilhão por danos materiais e ambientais. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 300 milhões da empresa para os ressarcimentos. A intenção é fazer com que a empresa repare completamente o dano causado pela lama, com ações como : limpeza, resgate dos animais, reconstrução das casas, entre outros.

O Ibama vai multar a Samarco em R$ 250 milhões. Se a empresa for condenada a pagar uma indenização coletiva, o dinheiro vai para um fundo destinado a ações de melhoria da qualidade ambiental. A partir disso, os moradores podem pedir uma indenização pelos seus danos pessoais, inclusive, em caso de morte de parentes, podendo até haver pagamento de pensões às famílias das vítimas.

Aí eu me pergunto, os culpados serão punidos perante a lei ? Os desastres ecológicos por negligência e ganância deveriam ser enquadrados como crimes inafiançáveis ?

Aí eu me respondo, claro que sim. Estão destruindo o nosso planeta em nome do dinheiro fácil, dos contratos sem supervição e manutenção constante, das obras feitas nas « coxas ». O mundo olha distante, sem interesse pela morte do Rio Doce, e eu ?choro pela catastrófe e estou de luto !

Vamos nos unir e pedir a punição das empresas envolvidas, vamos acompanhar de perto o processo e ficar de olho em tudo o que reluz mas não é ouro.

Por Miriam Rey