Genève está de parabéns, depois de quatro anos de trabalhos o Museu de Etnografia de Genève(MEG) está maravilhosamente pronto e abre as suas portas no final de semana do 31.10.2014, para a alegria geral do público ; são três dias de festividades embalados por exposições, concertos, ateliers e visitas ao prédio, que é por si só, uma obra de arte, ambiciosa e contemporânea.

Fruto de um investimento de 68 milhões de francos, votados pela Ville de Genève, o Estado de Genève, Associações das Comunidades Genevenses e completada por Marie Madeleine Lancoux, abre as cortinas oferecendo ao público muita arte, e equipamentos esperados de um grande museu.

Concebido arquiteturalmente pelo escritório Graber Pulver Architekten AG associado ao escritório de engenheiros civis Weber + Brönnimann AG, materializando um gesto forte no coração da cidade, como se fosse uma grande tenda antiga usada na história de todos os povos, se sobressai por um teto de cimento coberto de mosaicos de losangos em alumínio. A maior extensão foi concebida no sub-solo. Sua arquitetura audaciosa dentro do contexto urbano do bairro da Jonction invoca o caráter insólito das construções e dos objetos vindos de outras culturas.

10698708 10205247571767692 5430363363534495341 n-400O novo MEG tem cinco níveis. No segundo sub-solo a grande sala de exposições de 2020m2 e de altura 10m sem nenhum pilar de sustentação dentro de uma parte da sala. Divididos em paredes móveis, ela é concebida como uma caixa preta permitindo uma variedade de cenários e de exposições diferentes. O primeiro sub-solo encontramos o auditório com 250 lugares, duas salas de seminários, diversos locais técnicos e depósitos. Os muros da escada principal são revestidos de placas metálicas, criando duas cores diferentes: na descida branco e luminoso e na subida marrom e misterioso.

No térreo, no hall de recepção está o Café MEG e a boutique de souvenir que se abre para a esplanada. A caixa da escada que leva ao primeiro subsolo é dotada de aberturas em losangos recriando os motivos do teto, criando um jogo de luz variando no curso do dia. O primeiro andar é de ateliers de cozinha e destinado a interação cultural. No segundo andar está localizada a Biblioteca Marie Madeleine Lancoux, acentuando a verticalidade como uma nova magestade.

A Biblioteca propõe uma coleção especializada em antropologia social e cultural. Inicialmente consagrada as sociedades dos cinco continentes ela foi completada pelos fundos de Georges Amoudruz consagrado ao Arco Alpino e ao Sillon Rhodanien (Região do Rio Rhône). A biblioteca é depositária também da Biblioteca de Suíça dos Americanistas (BSA) e cultiva muitas trocas entre inumeráveis instituições de partenários, onde 50.000 documentos sendo 4700 são de livre acesso e 1500 títulos de periódicos são disponíveis.

A missão da biblioteca responde a três objetivos principais: Conservar documentos destinados a pesquisa, aos ensinamentos 1376588 10205247572087700 3542489759183150022 n-400e a preparação de exposições; Uma coleção de obras raras que constituem a memória do museu ; As coleções são acessíveis à todos os públicos.

Uma sala de leitura calorosa compreendendo vários cantos: Le Boca sala fechada reservada aos pesquisadores; O cine de Poche para filmes etnográficos e um salão de música especialmente dedicada a escuta da música do mundo graças aos Arquivos Internacionais de Música Popular(AIMP) conservadas no MEG, com 16000 horas de música registradas.

Pelo seu tamanho e amplidão, o prédio do MEG valoriza questões energéticas e do meio ambiente, associados a esse projeto e integrando os objetivos da estratégia geral: 100% renováveis em 2050.
A sua construção foi votada pelos cidadãos genevenses e durou quatro anos, passaram pela obra 500 operários e a obra foi coroada com o « Prêmio imobiliário dentro da categoria construções públicas » pelo Magazine Bilan.

As exposições são de perder o fôlego, entre elas: « Os arquivos da diversidade humana » com mais ou menos 1200 objetos dos 80000 que compõem a coleção do MEG.
Na entrada o público mergulha dentro das coleções etnográficas de Genebra, frutos de aventuras individuais ou com culturas próximas ou distantes. Imagem de uma Genebra cosmopolita e aberta ao mundo.

10154399 10205247559247379 7408985805691784693 n-400As exposições seguintes são dedicadas as culturas dos cinco continentes e a música. Cada departamento possui seus pontos fortes, a seção Ásia nos leva a um Oriente sempre longe demais, abordando três grandes temas: Iconografia religiosa, a escritura e o poder. Gostei demais da Armadura Japonesa do Samurai : a Efigie de Fudõ Myõõ(15 e 16 séc d.c.).

A arte pictorial da primeira metade do séc. 20 nos leva a uma África com temas sagrados, ligados aos cultos dos ancentrais e as práticas mágico-religiosas ligadas ao poder.

A Oceânia e seu vasto continente com mais de dez mil ilhas, abordam as trocas das sociedades indígenas e as relações com os Europeus que exploraram esta região.

As coleções do Ártico até a Terra do Fogo são diversificadas culturalmente e cronológicamente pois possuem mais de 9000 anos de história. Em homenagem a essa riqueza passamos pela Grande Norte da América do Sul entre civilizações americanas e culturas pré-colombianas. Diferentes temas permetem de estabelecer ligações entre essas culturas e seus poderes longes geograficamente e temporalmente : Adaptação ao meio, a religião, o poder e as relações entre natureza e cultura. Estes percursos são particularmente sobre os povos da Amazonia atual tais como, os Wayanas e les Kayapó representados por um cocar magnífico de plumas com cores eclatantes e uma esteira espetacular de formigas utilizadas por cobrir de insetos os corpos dos adolescentes, na passagem à vida adulta com provas físicas e espirituais.

Raro são os museus que conservam objetos que provém do Continente Europeu, Objetos cotidianos da sociedade rural, 10734279 10205247561927446 5417704203432120876 n-400alpina ou do mundo urbano obreiro e intelectual, questionando a universalidade da vida, da morte, das práticas religiosas e políticas, tocando as noções de ecologia, responsabilidade e reciprocidade.

A etnomusicologia nos oferece uma coleção de instrumentos de música do mundo inteiro dos arquivos internacionais de música popular(AIMP). Alargando o horizonte um quarto sonoro propõe uma descoberta de composições musicais e visuais colocando em valor os timbres e cores de certas sonoridades instrumentais.

E o que mais me impressionou foi a exposição : « El Rei Mochica », uma estréia mundial da exposição, graças ao Ministério da Cultura do Peru. Os tesouros, cerâmicas, objetos em ouro, prata e predras preciosas de uma tumba royal da cultura Mochica(100-800 séc. depois de Cristo) são apresentadas ao público, estas obras de imenso valor para humanidade é completada pelos museus etnológicos de Berlin e Stuttgard.

O interesse por esta civilização com um poder de estado singular que legitima a autoridade de seus dirigentes por meios eficazes : O uso de uma iconografia altamente simbólica, uma interpretação quase adivinhatória dos fenômenos climáticos ou ainda o sacrifício humano. Entre ecologia, poder e religião o MEG nos leva ao nascimento e a consolidação de um dos primeiros Estados Andinos Pré-colombianos.

IMG 3548No dia 30.10.2014, tivemos uma pré-estréia para a imprensa mundial. O hebdolatino esteve presente representado pelo jornalista Martin Montiel, Alfonso Vasquez e Miriam Rey. Estavam presentes personalidades importantes de Genebra : O prefeito Sami Kanaan,Boris Wastiau; Director do MEG, Phllippe Mathez; Conservador responsável do setor de exposições, Mauricio Estrada Muñoz; responsável da unidade público, Sylivie Clément; responsável comunicação, Cristophe Gros; asistente conservador dept Europa.

A inauguração será dia 31.10.2014, às 18h, aberta ao público, com muitas e interessantes atrações : Exposições, perfomances, concertos, danças, ateliers e visitas guiadas. A entrada é livre. As festividades continuam sábado 1 de novembro, domingo 02 de novembro e sábado dia 08 de novembro inaugurando as atividades das crianças.

« Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades » Cazuza

Por Miriam Rey

MEG Musée d´ethnographie de Genève
Bd. Carl-Vogt 65-67
1205 Genève
tel : + 41 22 418 45 50
e mail : meg@ville-ge.ch

http://www.ville-ge.ch/meg/index.php

Galeria: Photos de Miriam Rey e Matin Montiel

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