Passando férias em meu país, observando e analisando os fatos, estou surpreendida pela violência urbana em algumas cidades do Ceará.

A Polícia Militar registrou mais onze ataques em Fortaleza entre a noite de quinta-feira (3) e início da madrugada de sexta (4). O caso mais grave terminou com um suspeito morto e um policial baleado após troca de tiros na rodovia CE-010. Uma nova tentativa de explosão de viaduto e ataques a agências bancarias e órgãos públicos também foram relatados.

No fim da noite, o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, negou o envio imediato de tropas federais para o Ceará, mas disse que a Força Nacional foi mobilizada para se deslocar ao Estado em caso de deterioração da segurança.

De acordo com portaria assinada pelo ministro, a atuação será por 30 dias em ações de segurança e apoio à Polícia Federal (PF), à Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e às forças policiais estaduais. O prazo pode ser prorrogado.

Ataques a ônibus e prédios públicos e privados ocorrem desde a noite de quarta-feira (2), em um total de 57 crimes.

Na noite de quarta-feira (2), ocorreram 57 ataques em Fortaleza, Tinguá, Pacatuba, Horizonte, Maracanaú, Caucaia, Pindoretama, Eusébio, Morada Nova, Jaguaruana, Canindé, Piquet Carneiro, Morrinhos, Aracoiaba, Baturité, Juazeiro do Norte, Guaiúba, Acaraú, Pacajus e Massapê. Apenas 30% dos ônibus de Fortaleza circulam nesta sexta, sob escolta policial.

Desde o iníco dos ataques 18 ônibus foram incendiados, tiros foram disparados contra prédios e bancos, e artefatos caseiros incendiários foram arremessados contra delegacias. Uma bomba foi colocada na coluna de um viaduto na BR-020, em Caucaia, e corre risco de desabar. Segundo o secretário da Segurança do Ceará, André Costa, 45 suspeitos foram detidos desde quarta-feira, entre adultos e adolescentes.

A Secretaria de Segurança do Ceará não informou a motivação dos crimes. O Presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará, Cláudio Justa, acredita que os atentados são represálias ao discurso do novo Secretário de Administração Penitenciária (SAP), Luís Mauro Albuquerque.

O novo secretário afirmou que “o Estado não deve reconhecer facção” em presídio e fará fiscalização rigorosa para evitar a entrada de celular nas unidades prisionais. Luís Mauro Albuquerque ainda se posicionou contra a separação de detentos por facção criminosa nas unidades prisionais do Estado.

Poderíamos chamar toda essa agressão de terrorismo, as facções criminosas brasileiras estão ganhando força, é necessário agir e impedir que inocentes morram em nome de um poder imposto pela violência.

Por Miriam Rey